O katame-no-kata é um exercício em dupla com quinze técnicas de controle no solo. Elas vêm em três séries de cinco: imobilizações (osaekomi-waza), estrangulamentos (shime-waza) e chaves articulares (kansetsu-waza). Tori aplica a técnica, uke tenta escapar e desiste batendo duas vezes.
É um dos kata oficiais do Kodokan. O texto que vale hoje foi adotado em 10 de abril de 1960 e emendado em 1º de fevereiro de 2006. Também entra em competição: é uma das sete provas da competição de kata da Federação Internacional de Judô.
Junto com o nage-no-kata, forma o randori-no-kata, nome que reúne os dois como base técnica do randori. O nage-no-kata cuida das projeções e o katame-no-kata cuida do solo.
O nome
固, katame, é firmar, consolidar, tornar sólido. O caractere junta 囗, o cercado, com 古, que entra pelo som. O Shuowen Jiezi define 固 como aquilo que está fechado dos quatro lados. O verbo japonês 固める (katameru) guarda esse sentido de fechar e assegurar.
No Judô o mesmo caractere nomeia o grupo 固技 (katame-waza), as técnicas de controle. Ele reaparece no fim do nome de muitas delas, com a leitura sonorizada gatame: kesa-gatame, kata-gatame, yoko-shiho-gatame.
形, kata, é forma. O caractere está analisado na página do gō-no-kata. 固の形 é, então, a forma do controle.
A relação com o nage-no-kata
Os dois kata nasceram na mesma época e têm quinze técnicas cada um. A organização difere. O nage-no-kata traz cinco grupos de três técnicas, e cada técnica se executa à direita e à esquerda. O katame-no-kata traz três séries de cinco, cada técnica executada de um lado só.
A divisão em imobilização, estrangulamento e chave é a mesma que o Kodokan usa para classificar o katame-waza do randori. Cada série apresenta cinco representantes de um dos grupos. O estudo do kata cobre prender corretamente, sair de quem prendeu, estrangular e chavear.
A escapada faz parte da forma. Nas cinco imobilizações uke faz três tentativas de fuga, diferentes entre si, e tori responde a cada uma. Nos estrangulamentos e nas chaves uke tenta uma vez. Cada técnica se lê em três camadas: a entrada, a técnica e a escapada. Otaki e Draeger chamam essas duas pontas de hairi-kata, forma de entrada, e nogare-kata, forma de escapada.
Como se pratica
Tori e uke começam em pé, frente a frente, a cerca de 5,5 m um do outro (aproximadamente três ken). Diante do shōmen, tori fica à esquerda e uke à direita. Saúdam o shōmen em pé, saúdam um ao outro de joelhos, e descem para kyoshi, também chamado kurai-dori: joelho esquerdo no chão, pé direito à frente, mão direita sobre o joelho. Uke avança um passo de shikkō, gira e deita de costas.
Daí em diante o kata funciona com duas distâncias fixas. Tōma, a distância longa, é cerca de 1,2 m (quatro shaku). Chikama, a curta, é cerca de 30 cm (um shaku). Tori se posiciona em tōma, avança dois passos de shikkō até chikama, avança um pouco mais e entra na técnica. Terminada a técnica, refaz o caminho de volta. Quem define a posição de partida de cada técnica é uke.
O sinal de desistência é mairi: duas batidas com a mão em tori ou no tatame. Com as mãos presas, duas batidas com o pé.
Uke não fica deitado o tempo todo. Na primeira série ele está de costas no chão, e tori muda de posição ao longo da série: pelo lado direito nas duas primeiras, pela cabeça na terceira, pelo lado na quarta, pela cabeça de novo na quinta. Na segunda série uke deita para o kata-juji-jime, senta para os três estrangulamentos seguintes, com tori atrás dele, e deita de novo para o gyaku-juji-jime.
Na terceira série as três primeiras chaves partem de uke deitado. As duas últimas mudam de quadro. No ude-hishigi-hiza-gatame os dois ficam em kyoshi, frente a frente, avançam e pegam o judogi em pegada direita. No ashi-garami os dois estão de pé, em migi-shizentai: tori entra em tomoe-nage, uke se defende dando um passo à frente e tentando levantá-lo, e a chave nasce dessa defesa. Terminado o ashi-garami, tori recua dois passos até tōma, uke recua um, os dois levantam e saúdam.
As quinze técnicas
| Série | Nº | Técnica | Sentido |
|---|---|---|---|
| Osaekomi-waza | 1 | Kesa-gatame | Imobilização atravessada sobre o tronco, como a estola kesa |
| Osaekomi-waza | 2 | Kata-gatame | Imobilização pelo ombro |
| Osaekomi-waza | 3 | Kami-shiho-gatame | Imobilização pelas quatro direções, tori pela cabeça |
| Osaekomi-waza | 4 | Yoko-shiho-gatame | Imobilização pelas quatro direções, tori pelo lado |
| Osaekomi-waza | 5 | Kuzure-kami-shiho-gatame | Forma alterada do kami-shiho-gatame |
| Shime-waza | 1 | Kata-juji-jime | Estrangulamento em cruz, uma mão em pegada normal e a outra invertida |
| Shime-waza | 2 | Hadaka-jime | Estrangulamento sem uso do judogi |
| Shime-waza | 3 | Okuri-eri-jime | Estrangulamento com a lapela deslizada |
| Shime-waza | 4 | Kataha-jime | Estrangulamento com um braço de uke levantado e travado |
| Shime-waza | 5 | Gyaku-juji-jime | Estrangulamento em cruz com as duas mãos em pegada invertida |
| Kansetsu-waza | 1 | Ude-garami | Braço enrolado, com trava do cotovelo |
| Kansetsu-waza | 2 | Ude-hishigi-juji-gatame | Chave de braço em cruz, tori perpendicular a uke |
| Kansetsu-waza | 3 | Ude-hishigi-ude-gatame | Chave com as duas mãos de tori sobre o cotovelo de uke |
| Kansetsu-waza | 4 | Ude-hishigi-hiza-gatame | Chave com o joelho de tori sobre o cotovelo de uke |
| Kansetsu-waza | 5 | Ashi-garami | Perna enrolada, com trava do joelho |
Os dois estrangulamentos em cruz costumam ser confundidos. No kata-juji-jime tori pega uma lapela com os dedos por dentro e a outra com o polegar por dentro, uma pegada de cada tipo. No gyaku-juji-jime as duas pegadas são invertidas. As mãos cruzam no pescoço nos dois casos.
De onde vem
O Kodokan situa a criação do kata entre 1885 e 1886, junto com o nage-no-kata, nos primeiros anos depois da fundação da instituição. As datas variam conforme a fonte, e referências correntes falam em algum ponto entre 1884 e 1887.
O Kodokan diz que o kata começou com dez técnicas e depois passou a quinze. O manual não data essa ampliação. Fontes de federação e obras de referência situam a forma atual em 1906, ano da reunião do Butokukai em Kyoto que adotou o nage-no-kata, o katame-no-kata e o kime-no-kata para o ensino comum. Os três passaram juntos por aquela padronização.
A padronização atual é bem posterior, de 1960, com a emenda de 2006. Nenhuma emenda mais recente consta do manual publicado pelo Kodokan.
Ashi-garami, a técnica que não se usa no randori
A última técnica do kata é proibida em randori e em competição. O ashi-garami trabalha o joelho, e as regras esportivas admitem chave só na articulação do cotovelo. Mesmo proibida na prática livre, ela permanece no kata.
No programa nacional de faixas da CBJ, estrangulamento e chave só são cobrados a partir da faixa roxa, que pede idade mínima de treze anos, e a chave só na articulação do cotovelo. Nas faixas anteriores o programa pede imobilizações e escapadas, sem estrangulamento nem chave.
Na competição
A Federação Internacional de Judô disputa sete kata: nage-no-kata, katame-no-kata, kime-no-kata, jū-no-kata, Kodokan goshin jutsu, koshiki-no-kata e itsutsu-no-kata. Foram essas as sete provas do Mundial de kata de Paris, em novembro de 2025.
Os critérios de avaliação têm uma regra específica para este kata: a técnica só termina quando tori assume kyoshi. Erros cometidos depois disso contam para a técnica seguinte. Os árbitros classificam as falhas em quatro níveis, do erro maior, que zera a técnica e divide o total da dupla pela metade, ao erro pequeno, de um ponto. Errar as distâncias de tōma e chikama, ou não voltar a chikama ao fim de cada técnica, cai na faixa média.
Deixar de apresentar as três escapadas em cada imobilização é erro grande. As reações de tori a cada tentativa precisam ser encadeadas e coerentes com o que uke fez.
A edição de janeiro de 2025 dos critérios acrescentou koshiki-no-kata e itsutsu-no-kata ao documento. A parte do katame-no-kata continuou igual à de janeiro de 2024. A comissão de kata publicou ainda um guia de arbitragem para 2026.
No exame de faixa
No regulamento nacional da CBJ, na edição de 2023, o katame-no-kata é o kata do 2º dan. O candidato apresenta o kata completo como tori, mais uma série sorteada do nage-no-kata, e escreve uma descrição do katame-no-kata na prova teórica. O 1º dan pede o nage-no-kata completo. No 3º dan o katame-no-kata volta, com um grupo sorteado, ao lado do jū-no-kata completo.
A distribuição por graduação muda de país para país. Quem for prestar exame precisa conferir o regulamento vigente da sua federação.
Não confundir os nomes
- 固の形, katame-no-kata. 固 é firmar, controlar. É o kata tratado nesta página.
- 決の形, kime-no-kata. 決 é decidir. Trata de defesa pessoal, com atemi e armas, e é outro kata oficial.
- 固技裏の形, katame-waza-ura-no-kata. Estudo de contra-ataques às técnicas de controle, atribuído a Kazuo Itō. Não é kata do Kodokan.
Ver o kata
A demonstração abaixo é do kagami-biraki de 2026, no Kodokan. O canal da instituição também publica uma versão didática mais longa, com narração em inglês, que o YouTube não permite exibir fora do site dele.
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Fontes: Kodokan Judo Institute, Kodokan KATA Textbook: 固の形 Katame-no-Kata, tradução inglesa oficial, 2014, usada para a ordem das técnicas, as distâncias, o protocolo de abertura e encerramento e as datas de adoção e emenda. International Judo Federation, Kata Commission, Kata Competition: Criteria for the Evaluation, edições de janeiro de 2024 e janeiro de 2025, mais a lista de documentos da comissão, onde consta o guia de arbitragem de kata de 2026. Página do Mundial de Kata de Paris de 2025 no site da IJF, para a lista de provas. IJF/Kodokan Classification of Judo, na versão distribuída pela British Judo Association, para a proibição do ashi-garami e para a restrição das chaves ao cotovelo. Confederação Brasileira de Judô, Conselho Nacional de Graus, Regulamento Nacional para Exame e Outorga de Faixas e Graus, edição de 2023, que é a vigente. Tadao Otaki e Donn F. Draeger, Judo Formal Techniques, Charles E. Tuttle, 1983, para os termos hairi-kata e nogare-kata. Württembergischer Judo-Verband, ficha técnica do katame-no-kata, para a mesma leitura em três camadas. Para a análise dos caracteres, Shuowen Jiezi. A datação da ampliação de dez para quinze técnicas não aparece no manual do Kodokan e é atribuída a 1906 por fontes secundárias, sem consulta a documento primário do Butokukai.