Terminologia do Judô

Este glossário reúne o vocabulário geral do judô: os papéis assumidos na prática, o ambiente e o vestuário, a etiqueta, o sistema de graduação, os formatos de treino, os termos de arbitragem e competição, os princípios técnicos e os nomes das famílias de técnicas. Os nomes das técnicas individuais não estão aqui — cada uma delas tem página própria no catálogo de técnicas.

Cada verbete traz o kanji e o kana quando foi possível confirmá-los em fonte institucional. Quando a confirmação não foi obtida, o campo fica vazio: não há adivinhação de escrita japonesa nesta página. A base principal é a seção G1.1 “Glossary of Japanese Terms” das Sport and Organisation Rules da Federação Internacional de Judô, aprovada pelo Kodokan e construída a partir do Kōdōkan New Japanese-English Dictionary of Judo (2000) [1]. As demais fontes são o Kodokan Judo Institute, a Confederação Brasileira de Judô e a Federação Paulista de Judô.

A grafia romanizada varia entre fontes: o mesmo termo aparece como kumi-kata e kumikata, zarei e za-rei, seiryoku-zenyo e seiryouku-zen'yo. O próprio glossário da IJF adverte sobre isso e registra, lado a lado, a forma do regulamento e a forma do dicionário do Kodokan [1]. Onde a diferença é relevante para quem estuda, ela está anotada no verbete.

Nota sobre as regras de competição. As regras de pontuação mudaram várias vezes na última década. Esta página foi conferida contra a versão vigente do SOR da IJF, de 14 de agosto de 2026 [1], cotejada com a versão de janeiro de 2026 para confirmar que o glossário e os artigos de pontuação não mudaram entre as duas [2], e contra o Regulamento Nacional de Competições 2026 da CBJ [15]. Nessa versão, o yuko voltou a existir como pontuação válida — o que contraria material didático publicado entre 2017 e 2024. Veja os verbetes Yuko, Waza-ari e Ippon.

Papéis e pessoas

Tori — 取, とり

Judoca que executa a técnica. O glossário da IJF define tori como o atleta que aplica a técnica; o dicionário do Kodokan acrescenta a leitura “aquele que faz”, “aquele que projeta” [1]. A CBJ traduz o termo como “judoca ativo” no programa da faixa amarela [14]. Nas descrições deste site, toda indicação lateral é sempre atribuída explicitamente a tori ou a uke.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 6º kyû.

Uke — 受, うけ

Judoca que recebe a técnica do parceiro ou do adversário. O glossário da IJF o define como o atleta que recebe o ataque; o dicionário do Kodokan usa “receptor, aquele que é projetado” [1]. A CBJ traduz como “judoca passivo” [14]. O papel de uke não é passivo no sentido de inerte: cabe a ele receber a técnica com ukemi seguro e, no treino combinado, oferecer a reação prevista.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 6º kyû.

Judoka — 柔道家, じゅうどうか

Praticante de judô. O regulamento da IJF traduz simplesmente como “judo player”; o dicionário do Kodokan traz a leitura mais ampla de “pessoa que vive segundo o judô” [1]. Em português corrente usa-se também “judoca”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Sensei — 先生, せんせい

Professor, instrutor. É o primeiro item de vocabulário exigido pela CBJ, já na faixa branca/cinza (11º kyû) [14]. O glossário da IJF registra o termo com a tradução “teacher/instructor” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º kyû.

Shihan — 師範

Título de mestre. O Kodokan usa a forma “Kano Jigoro Shihan” de modo sistemático ao se referir ao fundador, e sua versão em inglês glosa o termo como “professor” [6][7]. A seção 師範の言葉 (“palavras do Shihan”) do site japonês do Kodokan confirma o kanji [10]. Não foi localizada, nas fontes institucionais consultadas, uma definição formal do termo nem indicação de leitura em kana; por isso o campo de kana ficou vazio.

Fontes: [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [7] Kodokan, Activities; [10] Kodokan, 昇段資格について / 師範の言葉.

Shimpan — 審判, しんぱん

Arbitragem. O glossário da IJF registra a forma shimpan do regulamento e shinpan do dicionário do Kodokan, ambas com o sentido de arbitrar [1]. A forma derivada shimpan-in (審判員, しんぱんいん) designa as pessoas que arbitram — árbitros e juízes.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shu-shin — 主審, しゅしん

Árbitro principal, o árbitro que atua sobre o tatami e conduz o combate. É ele quem anuncia os comandos e as pontuações e faz os gestos previstos no Artigo 4 das regras de arbitragem da IJF [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 4.

Fuku-shin — 副審, ふくしん

Árbitro auxiliar ou juiz de mesa. Nas competições do World Judo Tour da IJF a supervisão passou a ser feita pelo sistema de vídeo CARE, sob responsabilidade dos supervisores e diretores de arbitragem; em eventos sem CARE, o regulamento prevê o uso de dois juízes laterais com decisão por maioria de três [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13.5.

Shosha — 勝者, しょうしゃ

Vencedor do combate. Termo do glossário oficial; o dicionário do Kodokan registra “winner; victor” [1]. O gesto do árbitro que indica o vencedor é chamado kachi (勝ち, かち, “vitória”) [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 4.

Haisha — 敗者, はいしゃ

Perdedor do combate. Termo registrado no glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Yudansha

Conjunto dos graduados em faixa preta. A CBJ define Yudansha como as faixas pretas do 1º ao 5º Dan, cuja outorga é homologada pela própria Confederação após exame teórico e prático realizado pelas Comissões Estaduais de Graduação [14]. Não foi confirmado o kanji do termo nas fontes institucionais consultadas.

Fontes: [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, Capítulo III, art. 4º, II.

Kodansha

Segundo a CBJ, “título de alta graduação, específico do Judô, criado pelo Instituto Kodokan”, outorgado a quem se empenhou no aprendizado, na prática contínua, na demonstração de eficiência técnica e na dedicação ao ensino, ao estudo e à pesquisa do judô; corresponde às faixas vermelha e branca, do 6º ao 7º Dan [14]. O conhecimento do conceito é exigido pela CBJ já no exame de faixa marrom (1º kyû) [14]. O termo japonês 高段者 (“graduado de alto grau”) aparece no nome dos torneios do Kodokan reservados a essas graduações [10], mas não foi possível confirmar que corresponda exatamente à grafia do termo usado pela CBJ; por isso o campo de kanji ficou vazio.

Fontes: [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, Capítulo III, art. 4º, III, e art. 6º, XI; [10] Kodokan, 昇段資格について.

Dangai

Termo usado pela CBJ para o conjunto dos graduados abaixo da faixa preta — da faixa branca à marrom. Essas graduações são homologadas pelas Federações estaduais a partir dos exames realizados pelas associações, sob responsabilidade de professor faixa preta maior de 18 anos inscrito no Registro Geral de Graduação da CBJ [14]. Não foi confirmado o kanji do termo.

Fontes: [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, Capítulo III, art. 4º, I.

Ambiente, área de competição e vestuário

Dojo — 道場, どうじょう

Local de treino; literalmente, “lugar do caminho”. O glossário da IJF traduz como “training hall” [1]. O Kodokan trata o dojo como o espaço onde se aprendem os dois princípios fundamentais — seiryoku-zenyo e jita-kyoei — e onde a etiqueta é ensinada e praticada [5]. A CBJ exige o termo no vocabulário da faixa azul/amarela (7º kyû), traduzido como “academia” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Tatami — 畳, たたみ

Esteira sobre a qual se pratica; o glossário traduz como “straw mat”, em referência à origem do material [1]. Para eventos da IJF, cada peça deve medir 1 m × 2 m × 5 cm, ser de espuma prensada, firme sob os pés, capaz de absorver o impacto do ukemi, não escorregadia nem áspera demais, e assentada sobre piso resiliente ao nível do chão [1]. A CBJ exige o termo já na faixa cinza (10º kyû), como “local de treinamento ou competição” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e SOR 8.x (Field of Play); [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 10º kyû.

Shiai-jo — 試合場, しあいじょう

Área de competição. Nos eventos da IJF, cada tatami de competição divide-se em duas zonas de cores contrastantes: a área de combate, com no mínimo 8 m × 8 m e no máximo 10 m × 10 m, e a área de segurança, com no mínimo 3 m [1]. A CBJ pede o termo no vocabulário da faixa azul/amarela, como “local de competição” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e SOR 8.x (Field of Play); [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Jo-nai — 場内, じょうない

Dentro da área de combate. Em tachi-waza, considera-se que os atletas estão dentro enquanto pelo menos um pé de um deles permanecer na área de combate; em ne-waza, enquanto qualquer parte do corpo de um deles estiver dentro [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.1.

Jo-gai — 場外, じょうがい

Fora da área de combate. Sair intencionalmente da área sem ataque engajado é punido com shido; há exceções para ações iniciadas dentro da área que prosseguem sem interrupção nas proximidades do limite, até dois metros dentro da área de segurança [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 5 e 18.1.1.

Jo-seki — 上席, じょうせき

Lugar de honra do dojo; o glossário do regulamento traduz como “upper seats” e o dicionário do Kodokan como “assento superior ou assento de honra” [1]. É o ponto de referência para as saudações dirigidas ao local, e não a uma pessoa específica.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shomen — 正面, しょうめん

Frente do dojo. O glossário do regulamento traduz como “dojo front/upper seats” e o dicionário do Kodokan como “frente do dojo” [1]. É a direção para a qual se dirige a saudação formal anunciada como “Shomen-ni-rei!”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Judogi — 柔道衣, じゅうどうぎ

Uniforme do judô, composto de casaco, calça e faixa. Nas competições da IJF, é branco ou azul e deve estar em conformidade com as regras específicas do Apêndice C, verificadas no controle de judogi antes das lutas [1]. Alterar as características técnicas do judogi definidas no regulamento é enquadrado como ato contrário ao espírito do judô [1]. A CBJ exige o termo no vocabulário da faixa azul (8º kyû) [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1, IJF Refereeing Rules (D1.1) e Apêndice C; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Jo-i — 上衣, じょうい

Casaco do judogi. O glossário da IJF registra o termo como jo-i [1]; a CBJ, no programa da faixa azul, usa a forma uwagi para a mesma peça [14]. As duas designações circulam na prática; a divergência é de nomenclatura, não de peça.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Shita-baki — 下穿き, したばき

Calça do judogi. O termo aparece com a mesma grafia no glossário da IJF e no vocabulário exigido pela CBJ na faixa azul, ali escrito “Shitabaki” [1][14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Obi — 帯, おび

Faixa. Além de fechar o casaco, indica a graduação do praticante. As regras da IJF exigem que o combate comece com o judogi corretamente vestido e a faixa amarrada firmemente acima dos ossos do quadril [1]. A CBJ inclui o termo — grafado “Ôbi” — e a amarração correta da faixa no exame de 8º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 9.4; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Eri — 襟, えり

Gola e lapela do casaco. É uma das regiões de pegada previstas no kumi-kata normal descrito pelo regulamento, junto com a manga, a região do peito, o alto do ombro e as costas [1]. Cobrir a parte superior da lapela para impedir a pegada do adversário é punido com shido [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.2.

Sode — 袖, そで

Manga do casaco. É uma das pegadas clássicas descritas no regulamento: uma das mãos toma a manga, a gola, o peito, o ombro ou as costas do lado oposto do adversário [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.2.

Zori — 草履, ぞうり

Sandália usada para deslocar-se fora do tatami, preservando a higiene da área de treino. O glossário da IJF registra o termo com as formas zori e zōri [1]; a CBJ o inclui no vocabulário da faixa azul, grafado “Zoori” e traduzido como “chinelo” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Etiqueta

Rei — 礼, れい

Cortesia; o espírito com que se demonstra respeito ao outro. O Kodokan define rei como o sentimento de reconhecer o caráter da outra pessoa e demonstrar-lhe respeito, e sustenta que cultivar esse espírito está diretamente ligado ao desenvolvimento do jita-kyoei preconizado por Kano [4]. O regulamento da IJF traduz o termo como “courtesy” e o dicionário do Kodokan como “respeito, decoro” [1]. Como comando do árbitro — “Rei!” — significa “saudar” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [4] Kodokan, Judo and Rei.

Rei-ho — 礼法, れいほう

Conjunto dos procedimentos que expressam o espírito de rei. O Kodokan explica que reiho é a manifestação física do espírito de rei e que, no dojo, o ensino se concentra em duas formas — zarei e ritsurei —, mas que essas duas não esgotam o assunto: cumprir a forma sem o espírito que a sustenta é menos do que se espera [5]. O documento de referência é o Reiho nas competições de judô, promulgado pelo Kodokan em 1967 [5].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette.

Ritsu-rei — 立礼, りつれい

Saudação em pé. É uma das duas formas de reiho ensinadas no dojo, ao lado do zarei [5]. A CBJ exige a demonstração da saudação em pé (Ritsu rei) e ajoelhada (Za rei) já no exame de faixa branca/cinza, 11º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º kyû.

Za-rei — 坐礼, ざれい

Saudação ajoelhada, executada a partir de seiza. É a outra das duas formas de reiho ensinadas no dojo [5]. O glossário da IJF grafa o kanji como 坐礼; o site japonês do Kodokan usa a variante 座礼 no mesmo sentido [1][12]. A CBJ exige a demonstração no exame de 11º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [12] Kodokan, 柔道と礼、その作法; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º kyû.

Seiza — 正坐, せいざ

Posição formal de sentar-se sobre os joelhos, com as pernas dobradas sob o corpo. É a posição a partir da qual se executa o zarei. O regulamento traduz o termo como “sitting square/formal sitting” e o dicionário do Kodokan como “sentar formal” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

“Kiotsuke!” — 気をつけ, きをつけ

Comando que significa “atenção”. O glossário da IJF detalha o sentido: palavras de comando para que a pessoa se ponha de pé, ereta, com os calcanhares unidos [1]. A CBJ pede o termo no vocabulário da faixa cinza/azul, 9º kyû, grafado “Kiotsuke” e traduzido como “atenção ou posição de sentido” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

“Otagai-ni-rei!” — お互いに礼, おたがいにれい

Comando “saudar-se mutuamente”. Nas competições por equipes da IJF, o árbitro ordena “otagai-ni” com um gesto de antebraços erguidos e palmas voltadas uma para a outra, para que as duas equipes fiquem frente a frente, e em seguida anuncia “Rei!” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 9.1.

“Shomen-ni-rei!” — 正面に礼, しょうめんにれい

Comando “saudar em direção ao shomen”. Na cerimônia de saudação das competições por equipes, o árbitro ordena que as equipes se voltem para a mesa técnica, estendendo os braços paralelos à frente com as palmas abertas, e anuncia “Rei!”; o próprio árbitro não se curva [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 9.1.

Sistema de graduação

Dan — 段位, だんい

Grau de graduação a partir da faixa preta. O Kodokan certifica os dan e explica que a progressão é gradual, do shodan (1º dan) para o 2º, o 3º e assim por diante [8]. As normas internas do Kodokan fixam idade mínima para cada grau — 14 anos para shodan, 20 para 5º dan, 27 para 6º, 33 para 7º e 42 para 8º — e estabelecem, para cada grau, o kata a ser avaliado [10]. No Brasil, a outorga de faixas pretas do 1º ao 5º Dan é homologada pela CBJ [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [8] Kodokan, Dan Grading System; [10] Kodokan, 講道館昇段資格に関する内規; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas.

Kyu — 級位

Grau anterior à faixa preta. O Kodokan mantém um sistema próprio de kyu para jovens, cujo objetivo declarado é garantir a segurança no treino e nas competições infantis, tornar mais eficiente a orientação e estimular a prática [10]. No Brasil, a CBJ organiza onze kyu, numerados em ordem decrescente, do 11º ao 1º [14]. Não foi localizada indicação de leitura em kana em fonte institucional, e por isso o campo ficou vazio.

Fontes: [10] Kodokan, 講道館級位(少年)について; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, art. 6º.

Cores de faixa no sistema da CBJ

A CBJ estabelece a sequência: branca (iniciante), branca/cinza (11º kyû), cinza (10º), cinza/azul (9º), azul (8º), azul/amarela (7º), amarela (6º), amarela/laranja (5º), laranja (4º), verde (3º), roxa (2º) e marrom (1º kyû) [14]. Acima delas vêm a faixa preta do 1º ao 5º Dan (yudansha), a faixa vermelha e branca do 6º ao 8º Dan e a faixa vermelha do 9º e 10º Dan [14]. Saber essa ordem é exigência do exame de 7º kyû [14]. Os grupos das faixas coloridas são chamados pela CBJ de “básicas” (da branca à amarela/laranja) e “intermediárias” (laranja, verde, roxa e marrom) [14].

Fontes: [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, art. 6º, I a XI, e Capítulo III.

Shodan

Primeiro grau de faixa preta. Nas normas do Kodokan, a idade mínima é 14 anos e o kata avaliado é a parte do Nage-no-kata correspondente a te-waza, koshi-waza e ashi-waza [10]. No Brasil, a CBJ exige 16 anos completos e carência mínima de dois anos na faixa marrom [14]; a FPJUDÔ acrescenta módulos obrigatórios de História, Filosofia, Ética e Terminologia do Judô, exame teórico e exame prático com ukemi, tai-sabaki, Nage-no-kata completo e fundamentos técnicos [16]. Não foi confirmado o kanji do termo isolado nas fontes consultadas.

Fontes: [10] Kodokan, 講道館昇段資格に関する内規; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, art. 6º, XII; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026.

Batsugun

Sistema de promoção por desempenho em competição. O Kodokan explica que, nos Torneios Vermelho e Branco realizados duas vezes por ano na sede e no Centro Internacional de Judô de Osaka, o competidor que obtiver a sequência de vitórias exigida sobe de grau no mesmo dia [8]. Não foi confirmado o kanji do termo em fonte institucional.

Fontes: [8] Kodokan, Dan Grading System.

Formatos de prática

Keiko — 稽古, けいこ

Treino, prática. Termo genérico que nomeia a sessão de trabalho no dojo; entra na composição de nomes de formatos específicos, como kakari-geiko e yakusoku-geiko [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Randori — 乱取, らんどり

Prática livre, em que os dois praticantes atacam e defendem sem combinação prévia. O glossário traduz como “free sparring” e “free practice” [1]. A CBJ define randori, kata e shiai como as três formas fundamentais da prática do judô, conhecimento exigido no exame de 3º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º e 3º kyû.

Kata — 形, かた

Forma; sequência pré-estabelecida em que princípios e técnicas são estudados com papéis e ordem definidos. O Kodokan publica textos oficiais de sete kata: Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata [13]. As normas de graduação do Kodokan associam um kata a cada grau: Nage-no-kata (parcial) no shodan, Nage-no-kata no 2º dan, Katame-no-kata no 3º, Ju-no-kata no 4º, Kime-no-kata no 5º, Kodokan Goshin-jutsu no 6º, Itsutsu-no-kata no 7º e Koshiki-no-kata no 8º [10].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [10] Kodokan, 講道館昇段資格に関する内規; [13] Kodokan, Kodokan KATA Textbook.

Uchikomi — 打ち込み, うちこみ

Treino de repetição da entrada da técnica, sem concluir a projeção. O glossário traduz como “repetition training” [1]. A CBJ traduz como “treinamento de entrada das técnicas” e o cobra no exame de 7º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Nagekomi — 投げ込み, なげこみ

Treino de repetição da projeção completa, com o parceiro caindo a cada execução. O glossário traduz como “repetitive throwing practice” [1]. Difere do uchikomi porque a técnica é levada até a queda, o que exige ukemi seguro e espaço adequado.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kakari-geiko — かかり稽古, かかりげいこ

Formato de treino em que um dos praticantes ataca continuamente enquanto o outro apenas se defende. O glossário da IJF o registra como sinônimo de uchikomi [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Yakusoku-renshu — 約束練習, やくそくれんしゅう

Prática combinada, em que os papéis e a sequência são acordados de antemão entre os parceiros. O dicionário do Kodokan a descreve como prática controlada ou “combinada” [1]. É o formato adequado para estudar encadeamentos e contragolpes antes de levá-los ao randori.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Sotai-renshu — 相対練習, そうたいれんしゅう

Prática realizada com parceiro, em oposição ao treino individual. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Tandoku-renshu — 単独練習, たんどくれんしゅう

Prática realizada sozinho, sem parceiro — deslocamentos, tai-sabaki, entradas de técnica no vazio. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shiai — 試合, しあい

Competição, combate disputado sob regras de arbitragem. O glossário registra “contest” e o dicionário do Kodokan “match; bout” [1]. A CBJ o cobra no vocabulário da faixa azul/amarela, traduzido como “competição”, e o inclui entre as três formas fundamentais da prática, ao lado de randori e kata [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º e 3º kyû.

Tachi-waza — 立技, たちわざ

Trabalho em pé. O regulamento define que a situação é de tachi-waza quando os dois atletas estão de pé e não se encontram em nenhuma das posições de ne-waza previstas [1]. A CBJ pede a demonstração de defesas de técnicas em pé (Tachi waza) no exame de 5º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 10; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 5º kyû.

Ne-waza — 寝技, ねわざ

Trabalho no solo. A transição de tachi-waza para ne-waza só é considerada válida se tori ou uke fizerem um ataque ou contra-ataque real e em seguida buscarem osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza [1]. Puxar o adversário para o solo sem que ele aproveite a situação para prosseguir é punido com shido [1]. A posição correspondente do corpo chama-se ne-shisei (寝姿勢, ねしせい) [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 10 e 18.1.1.

Arbitragem, pontuação e resultado

“Hajime!” — 始め, はじめ

Comando “começar”. O combate sempre começa com os atletas em pé, com o judogi corretamente vestido e a faixa firme acima dos ossos do quadril; só então o árbitro anuncia “Hajime!” [1]. É também o comando que reinicia o combate após um “Mate!” [1]. A CBJ cobra o termo no vocabulário de 9º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 9.4 e 11; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

“Mate!” — 待て, まて

Comando “esperar”, que interrompe temporariamente o combate. O regulamento lista as situações em que o árbitro deve anunciá-lo: quando os dois atletas saem completamente da área sem ação contínua iniciada dentro; quando ocorre ato proibido; em caso de lesão ou doença; para ajuste de judogi ou cabelo; quando não há progresso evidente em ne-waza; e quando um atleta se levanta erguendo do tatami o adversário que está de costas com uma ou ambas as pernas em volta dele [1]. O gesto correspondente é o braço erguido à altura do ombro com a palma da mão aberta voltada para os oficiais de mesa [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 11; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

“Sore-made!” — それまで

Anúncio que encerra o combate. O regulamento o prevê quando um atleta marca ippon ou waza-ari-awasete-ippon, em caso de hansoku-make, em caso de kiken-gachi, quando o tempo se esgota e quando há pontuação em golden score [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado; a grafia em kana é 「それまで!」 [1]. A CBJ o cobra no vocabulário de 9º kyû, grafado “Soremade” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

“Osaekomi!” — 抑え込み, おさえこみ

Anúncio de que a imobilização está valendo e a contagem começou. O árbitro só o anuncia quando o atleta imobilizado é controlado pelo lado, por trás ou por cima e tem as costas inteiras ou a região escapular completa em contato com o tatami, e quando quem aplica não tem o corpo nem as pernas controlados pelas pernas do adversário [1]. O gesto é o braço apontado para os atletas com a palma voltada para baixo, mantido até confirmar que o cronômetro foi iniciado [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 17.

“Toketa!” — 解けた, とけた

Anúncio de que a imobilização foi desfeita. O gesto é o braço erguido à frente, com os dedos estendidos e o polegar para cima, movido rapidamente da direita para a esquerda duas ou três vezes, verificando-se em seguida que o cronômetro foi parado [1]. Se quem imobiliza troca de osaekomi-waza sem perder o controle, o tempo continua correndo — não há toketa [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 17.

“Sono-mama!” — そのまま

Comando “não se mexa”, que congela a posição. Só pode ser aplicado quando os atletas estão trabalhando em ne-waza; o árbitro se inclina e toca os dois com as palmas das mãos, assegurando-se de que nem a posição nem as pegadas mudem [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado [1]. A CBJ o cobra no vocabulário de 9º kyû, grafado “Sonomama” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 12; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

“Yoshi!” — よし

Comando que retoma o combate depois de “Sono-mama!”. O árbitro toca firmemente os dois atletas com as palmas das mãos, exercendo pressão sobre eles [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 12.

“Maitta!” — 参った, まいった

Declaração de desistência: “eu desisto”. O regulamento a coloca ao lado do gesto de bater duas ou mais vezes com a mão ou com o pé como forma de desistir, geralmente por efeito de osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza, e a desistência vale ippon para o adversário [1]. No treino, é o sinal que obriga a soltura imediata.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 14.

Ippon — 一本, いっぽん

Pontuação máxima, que encerra o combate. Os quatro critérios são velocidade, força, queda de costas e controle habilidoso até o fim do pouso; a ação deve ser continuação ininterrupta de uma técnica da classificação do Kodokan ou de suas variações reconhecidas [1]. Em ne-waza, vale ippon a imobilização mantida por 20 segundos, a desistência por batida ou “Maitta!” e a perda de consciência por osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza [1]. A introdução das regras de arbitragem afirma que o único objetivo é o ippon, e que os demais valores só contam se houver vontade de pontuá-lo [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, D1.1, Artigos 7 e 14.

Waza-ari — 技あり, わざあり

Pontuação imediatamente inferior ao ippon — literalmente, “existe técnica”. Em pé, é atribuída quando a queda passa de 90 graus do eixo dos ombros sem chegar às costas, ou quando os quatro critérios do ippon não se completam [1]. No solo, corresponde à imobilização mantida de 10 a 19 segundos [1]. O gesto é o braço estendido lateralmente à altura do ombro, com a palma voltada para baixo, iniciado com o braço cruzado sobre o peito [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4, 7 e 15.

Waza-ari-awasete-ippon — 技あり,合せて一本, わざあり,あわせていっぽん

Anúncio feito quando um atleta obtém o segundo waza-ari no combate: os dois somam ippon e o combate termina [1]. O gesto é o de waza-ari seguido imediatamente do de ippon [1]. O termo genérico para essa soma é awase-waza (合せ技, あわせわざ) [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4 e 16.

Yuko — 有効, ゆうこう

Pontuação imediatamente inferior ao waza-ari, vigente na versão atual do SOR da IJF [1]. Em pé, é atribuída à queda lateral de 90 graus ou mais em direção à frente, à queda sobre a parte alta das costas, à queda sobre o eixo dos ombros com um cotovelo ou uma mão, à queda sobre uma ou ambas as nádegas e à queda sobre o pescoço; não é atribuída se a frente do abdômen, a frente dos dois quadris ou os dois joelhos tocarem o tatami antes da queda lateral, ou ao mesmo tempo que ela [1]. No solo, corresponde à imobilização de 5 a 9 segundos [1]. Os yuko são contados individualmente e não se somam para formar waza-ari [1]. No Brasil, o RNC 2026 da CBJ adota os mesmos tempos de osaekomi e determina que, em golden score, o combate termina no yuko em caso de imobilização [15].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 4, 7, 13 e 15; [15] CBJ, RNC 2026.

Shido — 指導, しどう

Penalidade leve — literalmente, “orientação”. Pode ser aplicada por falta de combatividade, por movimento ilegal não considerado perigoso ou por vestimenta e cabelo em desalinho [1]. Dois shido funcionam como advertência e o terceiro converte-se em hansoku-make; o atleta é desclassificado do combate mas pode prosseguir na competição, quando aplicável [1]. Shido não geram pontos para o adversário — só as pontuações técnicas aparecem no placar — e um combate não pode ser decidido por acúmulo de shido antes de se chegar ao hansoku-make [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 18 e 18.1.

Hansoku-make — 反則負け, はんそくまけ

Derrota por infração. Pode ser indireta, por acúmulo de shido, ou direta, por infração grave; em ambos os casos o adversário vence por ippon [1]. Conforme a infração, o atleta pode ou não continuar na competição [1]. O grupo das infrações graves reúne as técnicas perigosas e os atos contrários ao espírito do judô [1]. O termo simples hansoku (反則, はんそく) significa “falta, infração” [1]. No Brasil, o RNC 2026 registra que o hansoku-make disciplinar elimina o atleta da competição [15].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigos 18, 18.2, 18.2.1 e 18.2.2; [15] CBJ, RNC 2026.

Kinshi-waza — 禁止技, きんしわざ

Técnicas proibidas. O regulamento distingue três situações: técnicas da classificação do Kodokan permitidas em todas as faixas etárias; técnicas permitidas em sênior e júnior mas penalizadas em cadete; e técnicas da classificação do Kodokan que não são permitidas em eventos da IJF — kawazu-gake, kani-basami, do-jime e ashi-garami [1]. Reconhecimento técnico e permissão competitiva são coisas distintas: as regras de arbitragem afirmam explicitamente que todas as técnicas da classificação do Kodokan fazem parte do patrimônio do judô e devem sempre ser ensinadas [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, D1.1, Artigos 9.7 e 18.

Hantei — 判定, はんてい

Julgamento, decisão. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1]. Nas regras vigentes, os combates individuais empatados no tempo regulamentar prosseguem em golden score sem limite de tempo, de modo que a decisão por hantei não é o mecanismo de desempate previsto [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13.

Encho-sen — 延長戦, えんちょうせん

Combate prolongado. Nas regras vigentes da IJF, o prolongamento chama-se golden score: não tem limite de tempo, as pontuações e os shido do tempo regulamentar são transportados para ele, e o combate termina com a primeira pontuação técnica, hansoku-make ou kiken-gachi [1]. Se a imobilização começar no golden score, tori recebe yuko aos 5 segundos e o combate se encerra [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13.4.

Hikiwake — 引き分け, ひきわけ

Empate. O termo consta do glossário oficial [1], mas nas regras vigentes da IJF o combate individual empatado no tempo regulamentar não termina empatado: prossegue em golden score [1]. O empate continua a ter função concreta no sistema de graduação do Kodokan, cujas normas atribuem pontuação diferenciada aos empates conforme a diferença de grau entre os oponentes [10].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13; [10] Kodokan, 講道館昇段資格に関する内規, item 8.

Fusen-gachi — 不戦勝ち, ふせんがち

Vitória por não comparecimento do adversário. O regulamento prevê a regra dos 30 segundos: feita a última chamada, o placar conta 30 segundos e, se o adversário não se apresentar ao tatami, o atleta presente é declarado vencedor por fusen-gachi [1]. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene e cobertura de cabelo antes do início do combate [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 19.

Kiken-gachi — 棄権勝ち, きけんがち

Vitória por desistência do adversário durante o combate, qualquer que seja o motivo [1]. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene após o combate já ter começado, e quando um atleta perde uma lente de contato e informa ao árbitro que não pode continuar sem ela [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 19.

Yusei-gachi — 優勢勝ち, ゆうせいがち

Vitória por superioridade de desempenho. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ikioi — 勢い, いきおい

Ímpeto que combina força e velocidade. O termo é usado no Artigo 14 das regras de arbitragem para explicar o que se avalia numa projeção com eficácia máxima, ao lado de hazumi [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 14.

Hazumi — はずみ

Habilidade com impulso, nitidez ou ritmo. O glossário da IJF registra expressamente que o termo não tem kanji associado [1]. Junto com ikioi, compõe o par de qualidades citadas no Artigo 14 para caracterizar a execução que merece ippon [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 14.

Princípios técnicos gerais

Judo — 柔道, じゅうどう

O glossário oficial define judô como o caminho de usar as forças mental e física da maneira mais eficiente possível [1]. O Kodokan relata que Kano substituiu o sufixo jutsu (técnica) por do (caminho) para nomear o que criara, marcando que se tratava de mais do que técnica: um conjunto de princípios para o aperfeiçoamento pessoal [6]. A CBJ decompõe a palavra: “ju” significa suavidade, não resistência, e “do” significa meio, caminho, doutrina [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 5º kyû.

Kodokan — 講道館

Instituição fundada por Kano Jigoro em 1882, origem do judô, hoje fundação de interesse público cujos objetivos declarados são estudar, ensinar, desenvolver e difundir o judô Kodokan [7]. O Kodokan explica que “kodo” significa aprender, comprovar e praticar o princípio, e que “kan” designa o lugar — daí “lugar onde se ensina o caminho” [6][11]. A CBJ exige o conhecimento do nome da primeira escola de judô no exame de 9º kyû e a data de fundação, maio de 1882, no de 8º kyû [14].

Fontes: [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [7] Kodokan, Activities; [11] Kodokan, 柔道の目的・技の理念; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º e 8º kyû.

Jujutsu — 柔術

Arte de combate que deu origem ao judô. As regras de arbitragem da IJF definem jujutsu como o termo genérico que reúne os métodos de combate desarmado praticados pelos guerreiros do Japão medieval [1]. O Kodokan registra que Kano estudou as escolas Tenjin Shinyo-ryu e Kito-ryu, integrou o que considerou positivo nelas às suas próprias ideias e transformou o princípio tradicional de “vencer a força pela flexibilidade” no princípio do uso mais eficiente da energia física e mental [6]. A CBJ o inclui no exame de 8º kyû como “arte que deu origem ao Judô” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, IJF Refereeing Rules, D1.1; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [11] Kodokan, 柔道の目的・技の理念; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º kyû.

Seiryoku-zenyo — 精力善用, せいりょくぜんよう

Máxima eficiência no uso da energia. É o princípio fundamental sobre o qual, segundo o Kodokan, todas as técnicas se assentam, e que Kano considerava aplicável muito além do dojo [11][6]. O glossário da IJF registra a forma seiryouku-zen'yo com a tradução “maximum efficiency” [1]. A CBJ o cobra no exame de 5º kyû, junto com jita-kyoei, como resumo do que é o judô [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 5º kyû.

Jita-kyoei — 自他共栄, じたきょうえい

Prosperidade e benefício mútuos. O Kodokan o identifica como o objetivo próprio do treino e o liga diretamente ao cultivo do espírito de rei: respeitar o outro é a prática cotidiana do jita-kyoei [4][6]. O glossário da IJF traduz como “mutual welfare and benefit” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [4] Kodokan, Judo and Rei; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 5º kyû.

Kuzushi — 崩し, くずし

Quebra do equilíbrio. O Kodokan define kuzushi como destruir a postura ou o equilíbrio do adversário, e o apresenta como um dos componentes do tsukuri [11]. O glossário da IJF traduz como “balance breaking” [1]. A CBJ o cobra no exame de 8º kyû como “formas de desequilíbrio” e, no de 4º kyû, pede as três fases de aplicação de uma técnica — desequilíbrio (kuzushi), preparação (tsukuri) e execução (kake) —, mencionando oito direções de desequilíbrio [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º e 4º kyû.

Tsukuri — 作り, つくり

Preparação da técnica. O Kodokan descreve tsukuri como sendo composto do kuzushi — a quebra da postura do adversário — e do ato de colocar-se em condição de tornar o próprio ataque mais fácil [11]. O glossário da IJF traduz como “set-up to execute technique” e o dicionário do Kodokan como “posicionamento” [1]. Tsukuri e kake são chamados pelo Kodokan de princípios técnicos do judô [11].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 4º kyû.

Kake — 掛け, かけ

Execução da técnica. O Kodokan define kake como aplicar efetivamente a técnica pretendida quando a postura do adversário já foi quebrada pelo tsukuri [11]. O glossário da IJF traduz como “execution of throwing techniques” e “application; execution” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 4º kyû.

Kime — 極め, きめ

Execução completa, aplicação levada até o fim. O glossário da IJF traduz como “complete execution” e o dicionário do Kodokan como “complete application” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Tai-sabaki — 体捌き, たいさばき

Deslocamento e controle do corpo — a maneira de girar, esquivar e reposicionar o tronco e os quadris para criar o ângulo da técnica. O glossário da IJF traduz como “body shifting/body control” [1]. A CBJ o cobra no exame de 5º kyû como “formas de movimentos rotatórios do corpo (esquiva)” [14], e a FPJUDÔ exige a apresentação dos tai-sabaki nos exames práticos de todas as graduações de dan [16].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 5º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026.

Ma’ai — 間合い, まあい

Distância entre os dois praticantes. O glossário da IJF a define como a distância entre dois atletas e o dicionário do Kodokan como “intervalo de combate” — isto é, não uma medida fixa, mas a relação de distância que torna possível atacar ou defender [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Riai — 理合い, りあい

Teoria e princípio; a lógica interna que explica por que uma técnica funciona. O glossário da IJF traduz como “theory and principle” e o dicionário do Kodokan como “princípio; teoria” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ukemi — 受身, うけみ

Amortecimento da queda. É a base da segurança na prática: as regras da IJF exigem que o tatami de competição tenha a propriedade de absorver o impacto durante o ukemi [1]. A CBJ o introduz já no exame de 11º kyû, com o ukemi para trás e o lateral executados deitado, e vai ampliando a exigência a cada grau [14]. A FPJUDÔ mantém a apresentação dos ukemi no exame prático de todas as graduações de dan [16].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e SOR 8.x (Field of Play); [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º a 9º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026.

Mae-ukemi — 前受身, まえうけみ

Amortecimento de queda para a frente, sem rolamento. Termo registrado no glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ushiro-ukemi — 後ろ受身, うしろうけみ

Amortecimento de queda para trás. É o primeiro ukemi exigido pela CBJ, no exame de 11º kyû, executado a partir da posição deitada [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º kyû.

Yoko-ukemi — 横受身, よこうけみ

Amortecimento de queda lateral. A CBJ o introduz no exame de 11º kyû na posição deitada e, no de 10º kyû, exige sua execução a partir da posição agachada e em pé [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 11º e 10º kyû.

Mae-mawari-ukemi — 前回り受身, まえまわりうけみ

Amortecimento de queda para a frente com rolamento. O glossário da IJF o traduz como “forward rolling breakfall” [1]. A CBJ o cobra no exame de 10º kyû, grafando-o “Maemawari ukemi” e associando-o à forma “Zempôkaiten ukemi” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 10º kyû.

Kappo — 活法, かっぽう

Métodos de reanimação e mobilização articular. As regras de arbitragem da IJF registram que essas técnicas, praticadas há cerca de quarenta anos por professores e árbitros, hoje são proibidas em alguns países e não são permitidas aos árbitros nas competições do World Judo Tour, mas que seu conhecimento faz parte do patrimônio do judô e não deve, em hipótese alguma, ser esquecido [1]. O termo katsu (活, かつ) designa as técnicas do kappo [1]. Este glossário registra o conceito; nada aqui autoriza sua aplicação, que exige formação específica.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, D1.1.

Kyu-sho — 急所, きゅうしょ

Pontos vitais. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1]; é a noção sobre a qual se organiza o atemi-waza, ausente do randori e da competição e estudado nos kata.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Bushi-do — 武士道, ぶしどう

Conjunto de normas da classe guerreira (bushi, samurai). Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1], que integra o contexto histórico do qual o judô emergiu, descrito na introdução cultural das regras de arbitragem [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, D1.1.

Postura, deslocamento e pegada

Shisei — 姿勢, しせい

Postura. A CBJ exige a demonstração dos tipos de postura no exame de 7º kyû: shizen-hontai, migi-shizentai, hidari-shizentai, jigo-hontai, migi-jigotai e hidari-jigotai [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Shizen-tai — 自然体, しぜんたい

Postura natural. Desdobra-se em shizen-hon-tai (自然本体, しぜんほんたい), a postura natural frontal; migi-shizen-tai (右自然体, みぎしぜんたい), com o pé direito à frente; e hidari-shizen-tai (左自然体, ひだりしぜんたい), com o pé esquerdo à frente [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Jigo-tai — 自護体, じごたい

Postura defensiva, mais baixa que a natural, com joelhos flexionados e base ampliada. Desdobra-se em jigo-hon-tai (自護本体, じごほんたい), frontal; migi-jigo-tai (右自護体, みぎじごたい); e hidari-jigo-tai (左自護体, ひだりじごたい) [1]. Adotar em pé, depois de estabelecido o kumikata, uma postura excessivamente defensiva sem buscar o ataque é punido com shido [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º kyû.

Ayumi-ashi — 歩み足, あゆみあし

Deslocamento em passos naturais, alternando os pés como na caminhada. A CBJ o cobra no exame de 6º kyû, junto com tsugi-ashi, como um dos dois tipos de deslocamento sobre o tatami [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 6º kyû.

Tsugi-ashi — 継ぎ足, つぎあし

Deslocamento em que um pé avança e o outro o acompanha sem ultrapassá-lo, mantendo sempre a mesma relação entre os apoios. A CBJ o descreve como “passadas sucessivas” e o cobra no exame de 6º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 6º kyû.

Suri-ashi — すり足, すりあし

Deslocamento deslizante, em que as solas dos pés mantêm contato com o tatami em vez de se levantarem. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kumi-kata — 組み方, くみかた

Método de pegada. O regulamento descreve o kumikata normal: uma das mãos toma a manga, a gola, a região do peito, o alto do ombro ou as costas de um lado do judogi do adversário, e a outra mão faz o mesmo do lado oposto, sempre acima da faixa [1]. Pegadas não clássicas — gola e lapela do mesmo lado, pegada cruzada, pegada na faixa, pegadas “pocket” e “pistol” — são permitidas quando a atitude do atleta é positiva e busca o ataque [1]. Evitar intencionalmente a pegada para impedir a ação é punido com shido [1]. A CBJ cobra “formas de pegar no judô (Kumi kata)” no exame de 9º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.2; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 9º kyû.

Kumi-te — 組み手, くみて

A pegada em si — a preensão estabelecida sobre o judogi do adversário. O dicionário do Kodokan traduz como “tomar as pegadas” [1]. Após estabelecido o kumikata, o regulamento concede 45 segundos para que haja ataque, desde que haja progressão positiva [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 18.1.1.

Tsuri-te — 釣り手, つりて

Mão que “pesca” — a que segura a gola ou a lapela e ergue. O glossário da IJF a traduz como “lifting hand” e o dicionário do Kodokan como “mão da gola; mão que agarra” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Hiki-te — 引き手, ひきて

Mão que puxa — em geral a que segura a manga. O glossário a traduz como “pulling hand” e o dicionário do Kodokan como “mão da manga; mão que puxa” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Jiku-ashi — 軸足, じくあし

Perna-eixo, a perna sobre a qual se gira e que sustenta o peso durante a entrada da técnica. O dicionário do Kodokan traz também “perna de apoio” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kogeki — 攻撃, こうげき

Ataque, ofensiva. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Bogyo — 防御, ぼうぎょ

Defesa. O glossário registra fusegi (防ぎ, ふせぎ) como sinônimo [1]. A CBJ usa a forma “Fusegi” ao pedir a execução de defesas com as pernas em katame-waza (6º kyû) e de defesas de técnicas em pé (5º kyû) [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 6º e 5º kyû.

Tokui-waza — 得意技, とくいわざ

Técnica preferida, aquela que o praticante domina melhor e em torno da qual costuma organizar seu jogo. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Classificação técnica

Waza — 技, わざ

Técnica. O Kodokan ensina que a waza se assenta no princípio fundamental do uso mais eficiente da mente e do corpo, e que as teorias de tsukuri e kake exprimem esse princípio do ponto de vista da técnica [11]. É o elemento comum a todos os nomes de grupos técnicos deste glossário.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo.

Nage-waza — 投技, なげわざ

Técnicas de projeção. Na classificação do Kodokan reúnem 68 técnicas, distribuídas em te-waza, koshi-waza, ashi-waza, ma-sutemi-waza e yoko-sutemi-waza [9]. A mesma divisão é apresentada no portal de classificação técnica da IJF [17].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [17] IJF, Judo technique classification.

Katame-waza — 固技, かためわざ

Técnicas de controle e domínio no solo. Na classificação do Kodokan reúnem 32 técnicas, divididas em osaekomi-waza, shime-waza e kansetsu-waza [9]. A CBJ traduz o grupo como “técnica de controle e domínio no solo” e cobra a classificação no exame de 2º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû; [17] IJF, Judo technique classification.

Atemi-waza — 当身技, あてみわざ

Técnicas de golpe, dirigidas aos pontos vitais. Não fazem parte do randori nem da competição; são estudadas nos kata. A CBJ as inclui na classificação técnica cobrada no exame de 2º kyû, como “ataque aos pontos vitais” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Te-waza — 手技, てわざ

Projeções de braço. Subgrupo do nage-waza com 16 técnicas na classificação do Kodokan [9]. A CBJ traduz como “braço” na classificação cobrada no exame de 2º kyû [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Koshi-waza — 腰技, こしわざ

Projeções de quadril. Subgrupo do nage-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Ashi-waza — 足技, あしわざ

Projeções de pé e perna. Subgrupo do nage-waza com 21 técnicas na classificação do Kodokan [9]. O glossário da IJF registra a tradução “foot or leg throw” e o dicionário do Kodokan “foot and leg techniques” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Sutemi-waza — 捨身技, すてみわざ

Projeções de sacrifício, em que tori abandona a própria posição em pé para projetar. Dividem-se em ma-sutemi-waza (真捨身技, ますてみわざ), com 5 técnicas, em que tori cai de costas na linha do próprio corpo, e yoko-sutemi-waza (横捨身技, よこすてみわざ), com 16 técnicas, em que tori cai de lado [1][9]. A CBJ descreve o grupo como “mudança da posição do corpo em pé para deitado” [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Osaekomi-waza — 抑込技, おさえこみわざ

Técnicas de imobilização. Subgrupo do katame-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9]. O regulamento exige que quem imobiliza tenha o corpo sobre e por cima do corpo do adversário, cobrindo-o, aplicando pressão do próprio tronco superior sobre o tronco superior dele nas posições kesa, shiho ou ura [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 17; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Shime-waza — 絞技, しめわざ

Técnicas de estrangulamento. Subgrupo do katame-waza com 12 técnicas na classificação do Kodokan [9]. Levam a ippon por desistência ou por perda de consciência [1]. A prática exige supervisão qualificada, pressão progressiva e soltura imediata ao primeiro sinal de desistência.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 14; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Kansetsu-waza — 関節技, かんせつわざ

Técnicas de chave articular. Subgrupo do katame-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9]. As regras de arbitragem registram que, salvo na articulação do cotovelo — onde é preciso deixar ao adversário a possibilidade de desistir —, todas as técnicas são executadas no sentido da articulação e nunca em hiperextensão [1]. A CBJ as descreve como “técnica de chave de braço” e restringe a exigência às chaves na articulação do cotovelo [14].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, D1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 2º kyû.

Renraku-waza — 連絡技, れんらくわざ

Combinação de técnicas diferentes encadeadas. O glossário da IJF traduz como “combination of several techniques” e o dicionário do Kodokan como “combination techniques” [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Renzoku-waza — 連続技, れんぞくわざ

Repetição da mesma técnica em sequência contínua. O glossário da IJF a distingue expressamente do renraku-waza: aqui a técnica é a mesma, repetida [1].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Henka-waza — 変化技, へんかわざ

Técnicas aplicadas contra o ataque do adversário; o dicionário do Kodokan traz também “técnica de mudança” [1]. Descreve a transformação do próprio ataque diante da reação recebida.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Renraku-henka-waza

Designação usada no Brasil para o conjunto dos encadeamentos: tori inicia uma técnica, uke reage, e tori transforma ou dá continuidade ao ataque aproveitando essa reação. A FPJUDÔ exige a apresentação de renraku-henka-waza no exame prático de todas as graduações do 1º ao 5º Dan [16], e a CBJ cobra sequências de golpes com essa designação a partir do 8º kyû, em número crescente a cada faixa — uma no 8º kyû, oito no 1º kyû [14]. O glossário da IJF registra separadamente renraku-waza e henka-waza, mas não a forma composta; por isso o kanji não foi preenchido.

Fontes: [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º ao 1º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026; [18] FPJUDÔ, Regulamento de Graduação 1º a 5º Dan 2025, v3.1.

Kaeshi-waza — 返し技, かえしわざ

Contragolpes: um judoca inicia uma técnica, o adversário neutraliza a conclusão e aproveita a posição, a força ou o desequilíbrio resultantes para aplicar a segunda técnica. As regras de arbitragem tratam especificamente da situação de kaeshi-waza: quem recebe o ataque e inicia o contragolpe não pode usar o impacto da própria queda no tatami para concluir a ação e tê-la avaliada; se os dois caem juntos sem controle claro de nenhum, não há pontuação [1]. A CBJ cobra contragolpes a partir do 7º kyû e a FPJUDÔ os exige nos exames práticos do 1º ao 5º Dan [14][16].

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e IJF Refereeing Rules, Artigo 13.5; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 7º ao 1º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026; [18] FPJUDÔ, Regulamento de Graduação 1º a 5º Dan 2025, v3.1.

Go-kyo-no-waza

Agrupamento didático das técnicas de projeção em cinco grupos de dificuldade crescente. O Kodokan publica duas versões: o Kyu (Former) Go Kyo no waza, estipulado em 1895, com 42 técnicas, e o Go Kyo no waza, revisado em 1920, com 40 técnicas [9]. Os programas da CBJ organizam as exigências de nage-waza por kyô: técnicas do 1º kyô até a faixa amarela/laranja, do 2º kyô na laranja, do 3º kyô na verde, do 4º kyô na roxa e do 5º kyô na marrom [14]. Não foi confirmado o kanji do termo nas fontes institucionais consultadas.

Fontes: [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, Regulamento de Outorga de Faixas, 8º ao 1º kyû.

Terminologia do Judô — tabela para impressão
Termo Kanji Kana Categoria Descrição
Tori とり Papéis e pessoas Judoca que executa a técnica. O glossário da IJF define tori como o atleta que aplica a técnica; o dicionário do Kodokan acrescenta a leitura “aquele que faz”, “aquele que projeta” [1]. A CBJ traduz o termo como “judoca ativo” no programa da faixa amarela [14]. Nas descrições deste site, toda indicação lateral é sempre atribuída explicitamente a tori ou a uke.
Uke うけ Papéis e pessoas Judoca que recebe a técnica do parceiro ou do adversário. O glossário da IJF o define como o atleta que recebe o ataque; o dicionário do Kodokan usa “receptor, aquele que é projetado” [1]. A CBJ traduz como “judoca passivo” [14]. O papel de uke não é passivo no sentido de inerte: cabe a ele receber a técnica com ukemi seguro e, no treino combinado, oferecer a reação prevista.
Judoka 柔道家 じゅうどうか Papéis e pessoas Praticante de judô. O regulamento da IJF traduz simplesmente como “judo player”; o dicionário do Kodokan traz a leitura mais ampla de “pessoa que vive segundo o judô” [1]. Em português corrente usa-se também “judoca”.
Sensei 先生 せんせい Papéis e pessoas Professor, instrutor. É o primeiro item de vocabulário exigido pela CBJ, já na faixa branca/cinza (11º kyû) [14]. O glossário da IJF registra o termo com a tradução “teacher/instructor” [1].
Shihan 師範 Papéis e pessoas Título de mestre. O Kodokan usa a forma “Kano Jigoro Shihan” de modo sistemático ao se referir ao fundador, e sua versão em inglês glosa o termo como “professor” [6][7]. A seção 師範の言葉 (“palavras do Shihan”) do site japonês do Kodokan confirma o kanji [10]. Não foi localizada, nas fontes institucionais consultadas, uma definição formal do termo nem indicação de leitura em kana; por isso o campo de kana ficou vazio.
Shimpan 審判 しんぱん Papéis e pessoas Arbitragem. O glossário da IJF registra a forma shimpan do regulamento e shinpan do dicionário do Kodokan, ambas com o sentido de arbitrar [1]. A forma derivada shimpan-in (審判員, しんぱんいん) designa as pessoas que arbitram — árbitros e juízes.
Shu-shin 主審 しゅしん Papéis e pessoas Árbitro principal, o árbitro que atua sobre o tatami e conduz o combate. É ele quem anuncia os comandos e as pontuações e faz os gestos previstos no Artigo 4 das regras de arbitragem da IJF [1].
Fuku-shin 副審 ふくしん Papéis e pessoas Árbitro auxiliar ou juiz de mesa. Nas competições do World Judo Tour da IJF a supervisão passou a ser feita pelo sistema de vídeo CARE, sob responsabilidade dos supervisores e diretores de arbitragem; em eventos sem CARE, o regulamento prevê o uso de dois juízes laterais com decisão por maioria de três [1].
Shosha 勝者 しょうしゃ Papéis e pessoas Vencedor do combate. Termo do glossário oficial; o dicionário do Kodokan registra “winner; victor” [1]. O gesto do árbitro que indica o vencedor é chamado kachi (勝ち, かち, “vitória”) [1].
Haisha 敗者 はいしゃ Papéis e pessoas Perdedor do combate. Termo registrado no glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Yudansha Papéis e pessoas Conjunto dos graduados em faixa preta. A CBJ define Yudansha como as faixas pretas do 1º ao 5º Dan, cuja outorga é homologada pela própria Confederação após exame teórico e prático realizado pelas Comissões Estaduais de Graduação [14]. Não foi confirmado o kanji do termo nas fontes institucionais consultadas.
Kodansha Papéis e pessoas Segundo a CBJ, “título de alta graduação, específico do Judô, criado pelo Instituto Kodokan”, outorgado a quem se empenhou no aprendizado, na prática contínua, na demonstração de eficiência técnica e na dedicação ao ensino, ao estudo e à pesquisa do judô; corresponde às faixas vermelha e branca, do 6º ao 7º Dan [14]. O conhecimento do conceito é exigido pela CBJ já no exame de faixa marrom (1º kyû) [14]. O termo japonês 高段者 (“graduado de alto grau”) aparece no nome dos torneios do Kodokan reservados a essas graduações [10], mas não foi possível confirmar que corresponda exatamente à grafia do termo usado pela CBJ; por isso o campo de kanji ficou vazio.
Dangai Papéis e pessoas Termo usado pela CBJ para o conjunto dos graduados abaixo da faixa preta — da faixa branca à marrom. Essas graduações são homologadas pelas Federações estaduais a partir dos exames realizados pelas associações, sob responsabilidade de professor faixa preta maior de 18 anos inscrito no Registro Geral de Graduação da CBJ [14]. Não foi confirmado o kanji do termo.
Dojo 道場 どうじょう Ambiente, área de competição e vestuário Local de treino; literalmente, “lugar do caminho”. O glossário da IJF traduz como “training hall” [1]. O Kodokan trata o dojo como o espaço onde se aprendem os dois princípios fundamentais — seiryoku-zenyo e jita-kyoei — e onde a etiqueta é ensinada e praticada [5]. A CBJ exige o termo no vocabulário da faixa azul/amarela (7º kyû), traduzido como “academia” [14].
Tatami たたみ Ambiente, área de competição e vestuário Esteira sobre a qual se pratica; o glossário traduz como “straw mat”, em referência à origem do material [1]. Para eventos da IJF, cada peça deve medir 1 m × 2 m × 5 cm, ser de espuma prensada, firme sob os pés, capaz de absorver o impacto do ukemi, não escorregadia nem áspera demais, e assentada sobre piso resiliente ao nível do chão [1]. A CBJ exige o termo já na faixa cinza (10º kyû), como “local de treinamento ou competição” [14].
Shiai-jo 試合場 しあいじょう Ambiente, área de competição e vestuário Área de competição. Nos eventos da IJF, cada tatami de competição divide-se em duas zonas de cores contrastantes: a área de combate, com no mínimo 8 m × 8 m e no máximo 10 m × 10 m, e a área de segurança, com no mínimo 3 m [1]. A CBJ pede o termo no vocabulário da faixa azul/amarela, como “local de competição” [14].
Jo-nai 場内 じょうない Ambiente, área de competição e vestuário Dentro da área de combate. Em tachi-waza, considera-se que os atletas estão dentro enquanto pelo menos um pé de um deles permanecer na área de combate; em ne-waza, enquanto qualquer parte do corpo de um deles estiver dentro [1].
Jo-gai 場外 じょうがい Ambiente, área de competição e vestuário Fora da área de combate. Sair intencionalmente da área sem ataque engajado é punido com shido; há exceções para ações iniciadas dentro da área que prosseguem sem interrupção nas proximidades do limite, até dois metros dentro da área de segurança [1].
Jo-seki 上席 じょうせき Ambiente, área de competição e vestuário Lugar de honra do dojo; o glossário do regulamento traduz como “upper seats” e o dicionário do Kodokan como “assento superior ou assento de honra” [1]. É o ponto de referência para as saudações dirigidas ao local, e não a uma pessoa específica.
Shomen 正面 しょうめん Ambiente, área de competição e vestuário Frente do dojo. O glossário do regulamento traduz como “dojo front/upper seats” e o dicionário do Kodokan como “frente do dojo” [1]. É a direção para a qual se dirige a saudação formal anunciada como “Shomen-ni-rei!”.
Judogi 柔道衣 じゅうどうぎ Ambiente, área de competição e vestuário Uniforme do judô, composto de casaco, calça e faixa. Nas competições da IJF, é branco ou azul e deve estar em conformidade com as regras específicas do Apêndice C, verificadas no controle de judogi antes das lutas [1]. Alterar as características técnicas do judogi definidas no regulamento é enquadrado como ato contrário ao espírito do judô [1]. A CBJ exige o termo no vocabulário da faixa azul (8º kyû) [14].
Jo-i 上衣 じょうい Ambiente, área de competição e vestuário Casaco do judogi. O glossário da IJF registra o termo como jo-i [1]; a CBJ, no programa da faixa azul, usa a forma uwagi para a mesma peça [14]. As duas designações circulam na prática; a divergência é de nomenclatura, não de peça.
Shita-baki 下穿き したばき Ambiente, área de competição e vestuário Calça do judogi. O termo aparece com a mesma grafia no glossário da IJF e no vocabulário exigido pela CBJ na faixa azul, ali escrito “Shitabaki” [1][14].
Obi おび Ambiente, área de competição e vestuário Faixa. Além de fechar o casaco, indica a graduação do praticante. As regras da IJF exigem que o combate comece com o judogi corretamente vestido e a faixa amarrada firmemente acima dos ossos do quadril [1]. A CBJ inclui o termo — grafado “Ôbi” — e a amarração correta da faixa no exame de 8º kyû [14].
Eri えり Ambiente, área de competição e vestuário Gola e lapela do casaco. É uma das regiões de pegada previstas no kumi-kata normal descrito pelo regulamento, junto com a manga, a região do peito, o alto do ombro e as costas [1]. Cobrir a parte superior da lapela para impedir a pegada do adversário é punido com shido [1].
Sode そで Ambiente, área de competição e vestuário Manga do casaco. É uma das pegadas clássicas descritas no regulamento: uma das mãos toma a manga, a gola, o peito, o ombro ou as costas do lado oposto do adversário [1].
Zori 草履 ぞうり Ambiente, área de competição e vestuário Sandália usada para deslocar-se fora do tatami, preservando a higiene da área de treino. O glossário da IJF registra o termo com as formas zori e zōri [1]; a CBJ o inclui no vocabulário da faixa azul, grafado “Zoori” e traduzido como “chinelo” [14].
Rei れい Etiqueta Cortesia; o espírito com que se demonstra respeito ao outro. O Kodokan define rei como o sentimento de reconhecer o caráter da outra pessoa e demonstrar-lhe respeito, e sustenta que cultivar esse espírito está diretamente ligado ao desenvolvimento do jita-kyoei preconizado por Kano [4]. O regulamento da IJF traduz o termo como “courtesy” e o dicionário do Kodokan como “respeito, decoro” [1]. Como comando do árbitro — “Rei!” — significa “saudar” [1].
Rei-ho 礼法 れいほう Etiqueta Conjunto dos procedimentos que expressam o espírito de rei. O Kodokan explica que reiho é a manifestação física do espírito de rei e que, no dojo, o ensino se concentra em duas formas — zarei e ritsurei —, mas que essas duas não esgotam o assunto: cumprir a forma sem o espírito que a sustenta é menos do que se espera [5]. O documento de referência é o Reiho nas competições de judô, promulgado pelo Kodokan em 1967 [5].
Ritsu-rei 立礼 りつれい Etiqueta Saudação em pé. É uma das duas formas de reiho ensinadas no dojo, ao lado do zarei [5]. A CBJ exige a demonstração da saudação em pé (Ritsu rei) e ajoelhada (Za rei) já no exame de faixa branca/cinza, 11º kyû [14].
Za-rei 坐礼 ざれい Etiqueta Saudação ajoelhada, executada a partir de seiza. É a outra das duas formas de reiho ensinadas no dojo [5]. O glossário da IJF grafa o kanji como 坐礼; o site japonês do Kodokan usa a variante 座礼 no mesmo sentido [1][12]. A CBJ exige a demonstração no exame de 11º kyû [14].
Seiza 正坐 せいざ Etiqueta Posição formal de sentar-se sobre os joelhos, com as pernas dobradas sob o corpo. É a posição a partir da qual se executa o zarei. O regulamento traduz o termo como “sitting square/formal sitting” e o dicionário do Kodokan como “sentar formal” [1].
“Kiotsuke!” 気をつけ きをつけ Etiqueta Comando que significa “atenção”. O glossário da IJF detalha o sentido: palavras de comando para que a pessoa se ponha de pé, ereta, com os calcanhares unidos [1]. A CBJ pede o termo no vocabulário da faixa cinza/azul, 9º kyû, grafado “Kiotsuke” e traduzido como “atenção ou posição de sentido” [14].
“Otagai-ni-rei!” お互いに礼 おたがいにれい Etiqueta Comando “saudar-se mutuamente”. Nas competições por equipes da IJF, o árbitro ordena “otagai-ni” com um gesto de antebraços erguidos e palmas voltadas uma para a outra, para que as duas equipes fiquem frente a frente, e em seguida anuncia “Rei!” [1].
“Shomen-ni-rei!” 正面に礼 しょうめんにれい Etiqueta Comando “saudar em direção ao shomen”. Na cerimônia de saudação das competições por equipes, o árbitro ordena que as equipes se voltem para a mesa técnica, estendendo os braços paralelos à frente com as palmas abertas, e anuncia “Rei!”; o próprio árbitro não se curva [1].
Dan 段位 だんい Sistema de graduação Grau de graduação a partir da faixa preta. O Kodokan certifica os dan e explica que a progressão é gradual, do shodan (1º dan) para o 2º, o 3º e assim por diante [8]. As normas internas do Kodokan fixam idade mínima para cada grau — 14 anos para shodan, 20 para 5º dan, 27 para 6º, 33 para 7º e 42 para 8º — e estabelecem, para cada grau, o kata a ser avaliado [10]. No Brasil, a outorga de faixas pretas do 1º ao 5º Dan é homologada pela CBJ [14].
Kyu 級位 Sistema de graduação Grau anterior à faixa preta. O Kodokan mantém um sistema próprio de kyu para jovens, cujo objetivo declarado é garantir a segurança no treino e nas competições infantis, tornar mais eficiente a orientação e estimular a prática [10]. No Brasil, a CBJ organiza onze kyu, numerados em ordem decrescente, do 11º ao 1º [14]. Não foi localizada indicação de leitura em kana em fonte institucional, e por isso o campo ficou vazio.
Cores de faixa no sistema da CBJ Sistema de graduação A CBJ estabelece a sequência: branca (iniciante), branca/cinza (11º kyû), cinza (10º), cinza/azul (9º), azul (8º), azul/amarela (7º), amarela (6º), amarela/laranja (5º), laranja (4º), verde (3º), roxa (2º) e marrom (1º kyû) [14]. Acima delas vêm a faixa preta do 1º ao 5º Dan (yudansha), a faixa vermelha e branca do 6º ao 8º Dan e a faixa vermelha do 9º e 10º Dan [14]. Saber essa ordem é exigência do exame de 7º kyû [14]. Os grupos das faixas coloridas são chamados pela CBJ de “básicas” (da branca à amarela/laranja) e “intermediárias” (laranja, verde, roxa e marrom) [14].
Shodan Sistema de graduação Primeiro grau de faixa preta. Nas normas do Kodokan, a idade mínima é 14 anos e o kata avaliado é a parte do Nage-no-kata correspondente a te-waza, koshi-waza e ashi-waza [10]. No Brasil, a CBJ exige 16 anos completos e carência mínima de dois anos na faixa marrom [14]; a FPJUDÔ acrescenta módulos obrigatórios de História, Filosofia, Ética e Terminologia do Judô, exame teórico e exame prático com ukemi, tai-sabaki, Nage-no-kata completo e fundamentos técnicos [16]. Não foi confirmado o kanji do termo isolado nas fontes consultadas.
Batsugun Sistema de graduação Sistema de promoção por desempenho em competição. O Kodokan explica que, nos Torneios Vermelho e Branco realizados duas vezes por ano na sede e no Centro Internacional de Judô de Osaka, o competidor que obtiver a sequência de vitórias exigida sobe de grau no mesmo dia [8]. Não foi confirmado o kanji do termo em fonte institucional.
Keiko 稽古 けいこ Formatos de prática Treino, prática. Termo genérico que nomeia a sessão de trabalho no dojo; entra na composição de nomes de formatos específicos, como kakari-geiko e yakusoku-geiko [1].
Randori 乱取 らんどり Formatos de prática Prática livre, em que os dois praticantes atacam e defendem sem combinação prévia. O glossário traduz como “free sparring” e “free practice” [1]. A CBJ define randori, kata e shiai como as três formas fundamentais da prática do judô, conhecimento exigido no exame de 3º kyû [14].
Kata かた Formatos de prática Forma; sequência pré-estabelecida em que princípios e técnicas são estudados com papéis e ordem definidos. O Kodokan publica textos oficiais de sete kata: Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata [13]. As normas de graduação do Kodokan associam um kata a cada grau: Nage-no-kata (parcial) no shodan, Nage-no-kata no 2º dan, Katame-no-kata no 3º, Ju-no-kata no 4º, Kime-no-kata no 5º, Kodokan Goshin-jutsu no 6º, Itsutsu-no-kata no 7º e Koshiki-no-kata no 8º [10].
Uchikomi 打ち込み うちこみ Formatos de prática Treino de repetição da entrada da técnica, sem concluir a projeção. O glossário traduz como “repetition training” [1]. A CBJ traduz como “treinamento de entrada das técnicas” e o cobra no exame de 7º kyû [14].
Nagekomi 投げ込み なげこみ Formatos de prática Treino de repetição da projeção completa, com o parceiro caindo a cada execução. O glossário traduz como “repetitive throwing practice” [1]. Difere do uchikomi porque a técnica é levada até a queda, o que exige ukemi seguro e espaço adequado.
Kakari-geiko かかり稽古 かかりげいこ Formatos de prática Formato de treino em que um dos praticantes ataca continuamente enquanto o outro apenas se defende. O glossário da IJF o registra como sinônimo de uchikomi [1].
Yakusoku-renshu 約束練習 やくそくれんしゅう Formatos de prática Prática combinada, em que os papéis e a sequência são acordados de antemão entre os parceiros. O dicionário do Kodokan a descreve como prática controlada ou “combinada” [1]. É o formato adequado para estudar encadeamentos e contragolpes antes de levá-los ao randori.
Sotai-renshu 相対練習 そうたいれんしゅう Formatos de prática Prática realizada com parceiro, em oposição ao treino individual. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Tandoku-renshu 単独練習 たんどくれんしゅう Formatos de prática Prática realizada sozinho, sem parceiro — deslocamentos, tai-sabaki, entradas de técnica no vazio. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Shiai 試合 しあい Formatos de prática Competição, combate disputado sob regras de arbitragem. O glossário registra “contest” e o dicionário do Kodokan “match; bout” [1]. A CBJ o cobra no vocabulário da faixa azul/amarela, traduzido como “competição”, e o inclui entre as três formas fundamentais da prática, ao lado de randori e kata [14].
Tachi-waza 立技 たちわざ Formatos de prática Trabalho em pé. O regulamento define que a situação é de tachi-waza quando os dois atletas estão de pé e não se encontram em nenhuma das posições de ne-waza previstas [1]. A CBJ pede a demonstração de defesas de técnicas em pé (Tachi waza) no exame de 5º kyû [14].
Ne-waza 寝技 ねわざ Formatos de prática Trabalho no solo. A transição de tachi-waza para ne-waza só é considerada válida se tori ou uke fizerem um ataque ou contra-ataque real e em seguida buscarem osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza [1]. Puxar o adversário para o solo sem que ele aproveite a situação para prosseguir é punido com shido [1]. A posição correspondente do corpo chama-se ne-shisei (寝姿勢, ねしせい) [1].
“Hajime!” 始め はじめ Arbitragem, pontuação e resultado Comando “começar”. O combate sempre começa com os atletas em pé, com o judogi corretamente vestido e a faixa firme acima dos ossos do quadril; só então o árbitro anuncia “Hajime!” [1]. É também o comando que reinicia o combate após um “Mate!” [1]. A CBJ cobra o termo no vocabulário de 9º kyû [14].
“Mate!” 待て まて Arbitragem, pontuação e resultado Comando “esperar”, que interrompe temporariamente o combate. O regulamento lista as situações em que o árbitro deve anunciá-lo: quando os dois atletas saem completamente da área sem ação contínua iniciada dentro; quando ocorre ato proibido; em caso de lesão ou doença; para ajuste de judogi ou cabelo; quando não há progresso evidente em ne-waza; e quando um atleta se levanta erguendo do tatami o adversário que está de costas com uma ou ambas as pernas em volta dele [1]. O gesto correspondente é o braço erguido à altura do ombro com a palma da mão aberta voltada para os oficiais de mesa [1].
“Sore-made!” それまで Arbitragem, pontuação e resultado Anúncio que encerra o combate. O regulamento o prevê quando um atleta marca ippon ou waza-ari-awasete-ippon, em caso de hansoku-make, em caso de kiken-gachi, quando o tempo se esgota e quando há pontuação em golden score [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado; a grafia em kana é 「それまで!」 [1]. A CBJ o cobra no vocabulário de 9º kyû, grafado “Soremade” [14].
“Osaekomi!” 抑え込み おさえこみ Arbitragem, pontuação e resultado Anúncio de que a imobilização está valendo e a contagem começou. O árbitro só o anuncia quando o atleta imobilizado é controlado pelo lado, por trás ou por cima e tem as costas inteiras ou a região escapular completa em contato com o tatami, e quando quem aplica não tem o corpo nem as pernas controlados pelas pernas do adversário [1]. O gesto é o braço apontado para os atletas com a palma voltada para baixo, mantido até confirmar que o cronômetro foi iniciado [1].
“Toketa!” 解けた とけた Arbitragem, pontuação e resultado Anúncio de que a imobilização foi desfeita. O gesto é o braço erguido à frente, com os dedos estendidos e o polegar para cima, movido rapidamente da direita para a esquerda duas ou três vezes, verificando-se em seguida que o cronômetro foi parado [1]. Se quem imobiliza troca de osaekomi-waza sem perder o controle, o tempo continua correndo — não há toketa [1].
“Sono-mama!” そのまま Arbitragem, pontuação e resultado Comando “não se mexa”, que congela a posição. Só pode ser aplicado quando os atletas estão trabalhando em ne-waza; o árbitro se inclina e toca os dois com as palmas das mãos, assegurando-se de que nem a posição nem as pegadas mudem [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado [1]. A CBJ o cobra no vocabulário de 9º kyû, grafado “Sonomama” [14].
“Yoshi!” よし Arbitragem, pontuação e resultado Comando que retoma o combate depois de “Sono-mama!”. O árbitro toca firmemente os dois atletas com as palmas das mãos, exercendo pressão sobre eles [1]. O glossário registra que o termo não tem kanji associado [1].
“Maitta!” 参った まいった Arbitragem, pontuação e resultado Declaração de desistência: “eu desisto”. O regulamento a coloca ao lado do gesto de bater duas ou mais vezes com a mão ou com o pé como forma de desistir, geralmente por efeito de osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza, e a desistência vale ippon para o adversário [1]. No treino, é o sinal que obriga a soltura imediata.
Ippon 一本 いっぽん Arbitragem, pontuação e resultado Pontuação máxima, que encerra o combate. Os quatro critérios são velocidade, força, queda de costas e controle habilidoso até o fim do pouso; a ação deve ser continuação ininterrupta de uma técnica da classificação do Kodokan ou de suas variações reconhecidas [1]. Em ne-waza, vale ippon a imobilização mantida por 20 segundos, a desistência por batida ou “Maitta!” e a perda de consciência por osaekomi-waza, shime-waza ou kansetsu-waza [1]. A introdução das regras de arbitragem afirma que o único objetivo é o ippon, e que os demais valores só contam se houver vontade de pontuá-lo [1].
Waza-ari 技あり わざあり Arbitragem, pontuação e resultado Pontuação imediatamente inferior ao ippon — literalmente, “existe técnica”. Em pé, é atribuída quando a queda passa de 90 graus do eixo dos ombros sem chegar às costas, ou quando os quatro critérios do ippon não se completam [1]. No solo, corresponde à imobilização mantida de 10 a 19 segundos [1]. O gesto é o braço estendido lateralmente à altura do ombro, com a palma voltada para baixo, iniciado com o braço cruzado sobre o peito [1].
Waza-ari-awasete-ippon 技あり,合せて一本 わざあり,あわせていっぽん Arbitragem, pontuação e resultado Anúncio feito quando um atleta obtém o segundo waza-ari no combate: os dois somam ippon e o combate termina [1]. O gesto é o de waza-ari seguido imediatamente do de ippon [1]. O termo genérico para essa soma é awase-waza (合せ技, あわせわざ) [1].
Yuko 有効 ゆうこう Arbitragem, pontuação e resultado Pontuação imediatamente inferior ao waza-ari, vigente na versão atual do SOR da IJF [1]. Em pé, é atribuída à queda lateral de 90 graus ou mais em direção à frente, à queda sobre a parte alta das costas, à queda sobre o eixo dos ombros com um cotovelo ou uma mão, à queda sobre uma ou ambas as nádegas e à queda sobre o pescoço; não é atribuída se a frente do abdômen, a frente dos dois quadris ou os dois joelhos tocarem o tatami antes da queda lateral, ou ao mesmo tempo que ela [1]. No solo, corresponde à imobilização de 5 a 9 segundos [1]. Os yuko são contados individualmente e não se somam para formar waza-ari [1]. No Brasil, o RNC 2026 da CBJ adota os mesmos tempos de osaekomi e determina que, em golden score, o combate termina no yuko em caso de imobilização [15].
Shido 指導 しどう Arbitragem, pontuação e resultado Penalidade leve — literalmente, “orientação”. Pode ser aplicada por falta de combatividade, por movimento ilegal não considerado perigoso ou por vestimenta e cabelo em desalinho [1]. Dois shido funcionam como advertência e o terceiro converte-se em hansoku-make; o atleta é desclassificado do combate mas pode prosseguir na competição, quando aplicável [1]. Shido não geram pontos para o adversário — só as pontuações técnicas aparecem no placar — e um combate não pode ser decidido por acúmulo de shido antes de se chegar ao hansoku-make [1].
Hansoku-make 反則負け はんそくまけ Arbitragem, pontuação e resultado Derrota por infração. Pode ser indireta, por acúmulo de shido, ou direta, por infração grave; em ambos os casos o adversário vence por ippon [1]. Conforme a infração, o atleta pode ou não continuar na competição [1]. O grupo das infrações graves reúne as técnicas perigosas e os atos contrários ao espírito do judô [1]. O termo simples hansoku (反則, はんそく) significa “falta, infração” [1]. No Brasil, o RNC 2026 registra que o hansoku-make disciplinar elimina o atleta da competição [15].
Kinshi-waza 禁止技 きんしわざ Arbitragem, pontuação e resultado Técnicas proibidas. O regulamento distingue três situações: técnicas da classificação do Kodokan permitidas em todas as faixas etárias; técnicas permitidas em sênior e júnior mas penalizadas em cadete; e técnicas da classificação do Kodokan que não são permitidas em eventos da IJF — kawazu-gake, kani-basami, do-jime e ashi-garami [1]. Reconhecimento técnico e permissão competitiva são coisas distintas: as regras de arbitragem afirmam explicitamente que todas as técnicas da classificação do Kodokan fazem parte do patrimônio do judô e devem sempre ser ensinadas [1].
Hantei 判定 はんてい Arbitragem, pontuação e resultado Julgamento, decisão. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1]. Nas regras vigentes, os combates individuais empatados no tempo regulamentar prosseguem em golden score sem limite de tempo, de modo que a decisão por hantei não é o mecanismo de desempate previsto [1].
Encho-sen 延長戦 えんちょうせん Arbitragem, pontuação e resultado Combate prolongado. Nas regras vigentes da IJF, o prolongamento chama-se golden score: não tem limite de tempo, as pontuações e os shido do tempo regulamentar são transportados para ele, e o combate termina com a primeira pontuação técnica, hansoku-make ou kiken-gachi [1]. Se a imobilização começar no golden score, tori recebe yuko aos 5 segundos e o combate se encerra [1].
Hikiwake 引き分け ひきわけ Arbitragem, pontuação e resultado Empate. O termo consta do glossário oficial [1], mas nas regras vigentes da IJF o combate individual empatado no tempo regulamentar não termina empatado: prossegue em golden score [1]. O empate continua a ter função concreta no sistema de graduação do Kodokan, cujas normas atribuem pontuação diferenciada aos empates conforme a diferença de grau entre os oponentes [10].
Fusen-gachi 不戦勝ち ふせんがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória por não comparecimento do adversário. O regulamento prevê a regra dos 30 segundos: feita a última chamada, o placar conta 30 segundos e, se o adversário não se apresentar ao tatami, o atleta presente é declarado vencedor por fusen-gachi [1]. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene e cobertura de cabelo antes do início do combate [1].
Kiken-gachi 棄権勝ち きけんがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória por desistência do adversário durante o combate, qualquer que seja o motivo [1]. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene após o combate já ter começado, e quando um atleta perde uma lente de contato e informa ao árbitro que não pode continuar sem ela [1].
Yusei-gachi 優勢勝ち ゆうせいがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória por superioridade de desempenho. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Ikioi 勢い いきおい Arbitragem, pontuação e resultado Ímpeto que combina força e velocidade. O termo é usado no Artigo 14 das regras de arbitragem para explicar o que se avalia numa projeção com eficácia máxima, ao lado de hazumi [1].
Hazumi はずみ Arbitragem, pontuação e resultado Habilidade com impulso, nitidez ou ritmo. O glossário da IJF registra expressamente que o termo não tem kanji associado [1]. Junto com ikioi, compõe o par de qualidades citadas no Artigo 14 para caracterizar a execução que merece ippon [1].
Judo 柔道 じゅうどう Princípios técnicos gerais O glossário oficial define judô como o caminho de usar as forças mental e física da maneira mais eficiente possível [1]. O Kodokan relata que Kano substituiu o sufixo jutsu (técnica) por do (caminho) para nomear o que criara, marcando que se tratava de mais do que técnica: um conjunto de princípios para o aperfeiçoamento pessoal [6]. A CBJ decompõe a palavra: “ju” significa suavidade, não resistência, e “do” significa meio, caminho, doutrina [14].
Kodokan 講道館 Princípios técnicos gerais Instituição fundada por Kano Jigoro em 1882, origem do judô, hoje fundação de interesse público cujos objetivos declarados são estudar, ensinar, desenvolver e difundir o judô Kodokan [7]. O Kodokan explica que “kodo” significa aprender, comprovar e praticar o princípio, e que “kan” designa o lugar — daí “lugar onde se ensina o caminho” [6][11]. A CBJ exige o conhecimento do nome da primeira escola de judô no exame de 9º kyû e a data de fundação, maio de 1882, no de 8º kyû [14].
Jujutsu 柔術 Princípios técnicos gerais Arte de combate que deu origem ao judô. As regras de arbitragem da IJF definem jujutsu como o termo genérico que reúne os métodos de combate desarmado praticados pelos guerreiros do Japão medieval [1]. O Kodokan registra que Kano estudou as escolas Tenjin Shinyo-ryu e Kito-ryu, integrou o que considerou positivo nelas às suas próprias ideias e transformou o princípio tradicional de “vencer a força pela flexibilidade” no princípio do uso mais eficiente da energia física e mental [6]. A CBJ o inclui no exame de 8º kyû como “arte que deu origem ao Judô” [14].
Seiryoku-zenyo 精力善用 せいりょくぜんよう Princípios técnicos gerais Máxima eficiência no uso da energia. É o princípio fundamental sobre o qual, segundo o Kodokan, todas as técnicas se assentam, e que Kano considerava aplicável muito além do dojo [11][6]. O glossário da IJF registra a forma seiryouku-zen'yo com a tradução “maximum efficiency” [1]. A CBJ o cobra no exame de 5º kyû, junto com jita-kyoei, como resumo do que é o judô [14].
Jita-kyoei 自他共栄 じたきょうえい Princípios técnicos gerais Prosperidade e benefício mútuos. O Kodokan o identifica como o objetivo próprio do treino e o liga diretamente ao cultivo do espírito de rei: respeitar o outro é a prática cotidiana do jita-kyoei [4][6]. O glossário da IJF traduz como “mutual welfare and benefit” [1].
Kuzushi 崩し くずし Princípios técnicos gerais Quebra do equilíbrio. O Kodokan define kuzushi como destruir a postura ou o equilíbrio do adversário, e o apresenta como um dos componentes do tsukuri [11]. O glossário da IJF traduz como “balance breaking” [1]. A CBJ o cobra no exame de 8º kyû como “formas de desequilíbrio” e, no de 4º kyû, pede as três fases de aplicação de uma técnica — desequilíbrio (kuzushi), preparação (tsukuri) e execução (kake) —, mencionando oito direções de desequilíbrio [14].
Tsukuri 作り つくり Princípios técnicos gerais Preparação da técnica. O Kodokan descreve tsukuri como sendo composto do kuzushi — a quebra da postura do adversário — e do ato de colocar-se em condição de tornar o próprio ataque mais fácil [11]. O glossário da IJF traduz como “set-up to execute technique” e o dicionário do Kodokan como “posicionamento” [1]. Tsukuri e kake são chamados pelo Kodokan de princípios técnicos do judô [11].
Kake 掛け かけ Princípios técnicos gerais Execução da técnica. O Kodokan define kake como aplicar efetivamente a técnica pretendida quando a postura do adversário já foi quebrada pelo tsukuri [11]. O glossário da IJF traduz como “execution of throwing techniques” e “application; execution” [1].
Kime 極め きめ Princípios técnicos gerais Execução completa, aplicação levada até o fim. O glossário da IJF traduz como “complete execution” e o dicionário do Kodokan como “complete application” [1].
Tai-sabaki 体捌き たいさばき Princípios técnicos gerais Deslocamento e controle do corpo — a maneira de girar, esquivar e reposicionar o tronco e os quadris para criar o ângulo da técnica. O glossário da IJF traduz como “body shifting/body control” [1]. A CBJ o cobra no exame de 5º kyû como “formas de movimentos rotatórios do corpo (esquiva)” [14], e a FPJUDÔ exige a apresentação dos tai-sabaki nos exames práticos de todas as graduações de dan [16].
Ma’ai 間合い まあい Princípios técnicos gerais Distância entre os dois praticantes. O glossário da IJF a define como a distância entre dois atletas e o dicionário do Kodokan como “intervalo de combate” — isto é, não uma medida fixa, mas a relação de distância que torna possível atacar ou defender [1].
Riai 理合い りあい Princípios técnicos gerais Teoria e princípio; a lógica interna que explica por que uma técnica funciona. O glossário da IJF traduz como “theory and principle” e o dicionário do Kodokan como “princípio; teoria” [1].
Ukemi 受身 うけみ Princípios técnicos gerais Amortecimento da queda. É a base da segurança na prática: as regras da IJF exigem que o tatami de competição tenha a propriedade de absorver o impacto durante o ukemi [1]. A CBJ o introduz já no exame de 11º kyû, com o ukemi para trás e o lateral executados deitado, e vai ampliando a exigência a cada grau [14]. A FPJUDÔ mantém a apresentação dos ukemi no exame prático de todas as graduações de dan [16].
Mae-ukemi 前受身 まえうけみ Princípios técnicos gerais Amortecimento de queda para a frente, sem rolamento. Termo registrado no glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Ushiro-ukemi 後ろ受身 うしろうけみ Princípios técnicos gerais Amortecimento de queda para trás. É o primeiro ukemi exigido pela CBJ, no exame de 11º kyû, executado a partir da posição deitada [14].
Yoko-ukemi 横受身 よこうけみ Princípios técnicos gerais Amortecimento de queda lateral. A CBJ o introduz no exame de 11º kyû na posição deitada e, no de 10º kyû, exige sua execução a partir da posição agachada e em pé [14].
Mae-mawari-ukemi 前回り受身 まえまわりうけみ Princípios técnicos gerais Amortecimento de queda para a frente com rolamento. O glossário da IJF o traduz como “forward rolling breakfall” [1]. A CBJ o cobra no exame de 10º kyû, grafando-o “Maemawari ukemi” e associando-o à forma “Zempôkaiten ukemi” [14].
Kappo 活法 かっぽう Princípios técnicos gerais Métodos de reanimação e mobilização articular. As regras de arbitragem da IJF registram que essas técnicas, praticadas há cerca de quarenta anos por professores e árbitros, hoje são proibidas em alguns países e não são permitidas aos árbitros nas competições do World Judo Tour, mas que seu conhecimento faz parte do patrimônio do judô e não deve, em hipótese alguma, ser esquecido [1]. O termo katsu (活, かつ) designa as técnicas do kappo [1]. Este glossário registra o conceito; nada aqui autoriza sua aplicação, que exige formação específica.
Kyu-sho 急所 きゅうしょ Princípios técnicos gerais Pontos vitais. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1]; é a noção sobre a qual se organiza o atemi-waza, ausente do randori e da competição e estudado nos kata.
Bushi-do 武士道 ぶしどう Princípios técnicos gerais Conjunto de normas da classe guerreira (bushi, samurai). Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1], que integra o contexto histórico do qual o judô emergiu, descrito na introdução cultural das regras de arbitragem [1].
Shisei 姿勢 しせい Postura, deslocamento e pegada Postura. A CBJ exige a demonstração dos tipos de postura no exame de 7º kyû: shizen-hontai, migi-shizentai, hidari-shizentai, jigo-hontai, migi-jigotai e hidari-jigotai [14].
Shizen-tai 自然体 しぜんたい Postura, deslocamento e pegada Postura natural. Desdobra-se em shizen-hon-tai (自然本体, しぜんほんたい), a postura natural frontal; migi-shizen-tai (右自然体, みぎしぜんたい), com o pé direito à frente; e hidari-shizen-tai (左自然体, ひだりしぜんたい), com o pé esquerdo à frente [1].
Jigo-tai 自護体 じごたい Postura, deslocamento e pegada Postura defensiva, mais baixa que a natural, com joelhos flexionados e base ampliada. Desdobra-se em jigo-hon-tai (自護本体, じごほんたい), frontal; migi-jigo-tai (右自護体, みぎじごたい); e hidari-jigo-tai (左自護体, ひだりじごたい) [1]. Adotar em pé, depois de estabelecido o kumikata, uma postura excessivamente defensiva sem buscar o ataque é punido com shido [1].
Ayumi-ashi 歩み足 あゆみあし Postura, deslocamento e pegada Deslocamento em passos naturais, alternando os pés como na caminhada. A CBJ o cobra no exame de 6º kyû, junto com tsugi-ashi, como um dos dois tipos de deslocamento sobre o tatami [14].
Tsugi-ashi 継ぎ足 つぎあし Postura, deslocamento e pegada Deslocamento em que um pé avança e o outro o acompanha sem ultrapassá-lo, mantendo sempre a mesma relação entre os apoios. A CBJ o descreve como “passadas sucessivas” e o cobra no exame de 6º kyû [14].
Suri-ashi すり足 すりあし Postura, deslocamento e pegada Deslocamento deslizante, em que as solas dos pés mantêm contato com o tatami em vez de se levantarem. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Kumi-kata 組み方 くみかた Postura, deslocamento e pegada Método de pegada. O regulamento descreve o kumikata normal: uma das mãos toma a manga, a gola, a região do peito, o alto do ombro ou as costas de um lado do judogi do adversário, e a outra mão faz o mesmo do lado oposto, sempre acima da faixa [1]. Pegadas não clássicas — gola e lapela do mesmo lado, pegada cruzada, pegada na faixa, pegadas “pocket” e “pistol” — são permitidas quando a atitude do atleta é positiva e busca o ataque [1]. Evitar intencionalmente a pegada para impedir a ação é punido com shido [1]. A CBJ cobra “formas de pegar no judô (Kumi kata)” no exame de 9º kyû [14].
Kumi-te 組み手 くみて Postura, deslocamento e pegada A pegada em si — a preensão estabelecida sobre o judogi do adversário. O dicionário do Kodokan traduz como “tomar as pegadas” [1]. Após estabelecido o kumikata, o regulamento concede 45 segundos para que haja ataque, desde que haja progressão positiva [1].
Tsuri-te 釣り手 つりて Postura, deslocamento e pegada Mão que “pesca” — a que segura a gola ou a lapela e ergue. O glossário da IJF a traduz como “lifting hand” e o dicionário do Kodokan como “mão da gola; mão que agarra” [1].
Hiki-te 引き手 ひきて Postura, deslocamento e pegada Mão que puxa — em geral a que segura a manga. O glossário a traduz como “pulling hand” e o dicionário do Kodokan como “mão da manga; mão que puxa” [1].
Jiku-ashi 軸足 じくあし Postura, deslocamento e pegada Perna-eixo, a perna sobre a qual se gira e que sustenta o peso durante a entrada da técnica. O dicionário do Kodokan traz também “perna de apoio” [1].
Kogeki 攻撃 こうげき Postura, deslocamento e pegada Ataque, ofensiva. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Bogyo 防御 ぼうぎょ Postura, deslocamento e pegada Defesa. O glossário registra fusegi (防ぎ, ふせぎ) como sinônimo [1]. A CBJ usa a forma “Fusegi” ao pedir a execução de defesas com as pernas em katame-waza (6º kyû) e de defesas de técnicas em pé (5º kyû) [14].
Tokui-waza 得意技 とくいわざ Postura, deslocamento e pegada Técnica preferida, aquela que o praticante domina melhor e em torno da qual costuma organizar seu jogo. Termo do glossário oficial da IJF aprovado pelo Kodokan [1].
Waza わざ Classificação técnica Técnica. O Kodokan ensina que a waza se assenta no princípio fundamental do uso mais eficiente da mente e do corpo, e que as teorias de tsukuri e kake exprimem esse princípio do ponto de vista da técnica [11]. É o elemento comum a todos os nomes de grupos técnicos deste glossário.
Nage-waza 投技 なげわざ Classificação técnica Técnicas de projeção. Na classificação do Kodokan reúnem 68 técnicas, distribuídas em te-waza, koshi-waza, ashi-waza, ma-sutemi-waza e yoko-sutemi-waza [9]. A mesma divisão é apresentada no portal de classificação técnica da IJF [17].
Katame-waza 固技 かためわざ Classificação técnica Técnicas de controle e domínio no solo. Na classificação do Kodokan reúnem 32 técnicas, divididas em osaekomi-waza, shime-waza e kansetsu-waza [9]. A CBJ traduz o grupo como “técnica de controle e domínio no solo” e cobra a classificação no exame de 2º kyû [14].
Atemi-waza 当身技 あてみわざ Classificação técnica Técnicas de golpe, dirigidas aos pontos vitais. Não fazem parte do randori nem da competição; são estudadas nos kata. A CBJ as inclui na classificação técnica cobrada no exame de 2º kyû, como “ataque aos pontos vitais” [14].
Te-waza 手技 てわざ Classificação técnica Projeções de braço. Subgrupo do nage-waza com 16 técnicas na classificação do Kodokan [9]. A CBJ traduz como “braço” na classificação cobrada no exame de 2º kyû [14].
Koshi-waza 腰技 こしわざ Classificação técnica Projeções de quadril. Subgrupo do nage-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9].
Ashi-waza 足技 あしわざ Classificação técnica Projeções de pé e perna. Subgrupo do nage-waza com 21 técnicas na classificação do Kodokan [9]. O glossário da IJF registra a tradução “foot or leg throw” e o dicionário do Kodokan “foot and leg techniques” [1].
Sutemi-waza 捨身技 すてみわざ Classificação técnica Projeções de sacrifício, em que tori abandona a própria posição em pé para projetar. Dividem-se em ma-sutemi-waza (真捨身技, ますてみわざ), com 5 técnicas, em que tori cai de costas na linha do próprio corpo, e yoko-sutemi-waza (横捨身技, よこすてみわざ), com 16 técnicas, em que tori cai de lado [1][9]. A CBJ descreve o grupo como “mudança da posição do corpo em pé para deitado” [14].
Osaekomi-waza 抑込技 おさえこみわざ Classificação técnica Técnicas de imobilização. Subgrupo do katame-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9]. O regulamento exige que quem imobiliza tenha o corpo sobre e por cima do corpo do adversário, cobrindo-o, aplicando pressão do próprio tronco superior sobre o tronco superior dele nas posições kesa, shiho ou ura [1].
Shime-waza 絞技 しめわざ Classificação técnica Técnicas de estrangulamento. Subgrupo do katame-waza com 12 técnicas na classificação do Kodokan [9]. Levam a ippon por desistência ou por perda de consciência [1]. A prática exige supervisão qualificada, pressão progressiva e soltura imediata ao primeiro sinal de desistência.
Kansetsu-waza 関節技 かんせつわざ Classificação técnica Técnicas de chave articular. Subgrupo do katame-waza com 10 técnicas na classificação do Kodokan [9]. As regras de arbitragem registram que, salvo na articulação do cotovelo — onde é preciso deixar ao adversário a possibilidade de desistir —, todas as técnicas são executadas no sentido da articulação e nunca em hiperextensão [1]. A CBJ as descreve como “técnica de chave de braço” e restringe a exigência às chaves na articulação do cotovelo [14].
Renraku-waza 連絡技 れんらくわざ Classificação técnica Combinação de técnicas diferentes encadeadas. O glossário da IJF traduz como “combination of several techniques” e o dicionário do Kodokan como “combination techniques” [1].
Renzoku-waza 連続技 れんぞくわざ Classificação técnica Repetição da mesma técnica em sequência contínua. O glossário da IJF a distingue expressamente do renraku-waza: aqui a técnica é a mesma, repetida [1].
Henka-waza 変化技 へんかわざ Classificação técnica Técnicas aplicadas contra o ataque do adversário; o dicionário do Kodokan traz também “técnica de mudança” [1]. Descreve a transformação do próprio ataque diante da reação recebida.
Renraku-henka-waza Classificação técnica Designação usada no Brasil para o conjunto dos encadeamentos: tori inicia uma técnica, uke reage, e tori transforma ou dá continuidade ao ataque aproveitando essa reação. A FPJUDÔ exige a apresentação de renraku-henka-waza no exame prático de todas as graduações do 1º ao 5º Dan [16], e a CBJ cobra sequências de golpes com essa designação a partir do 8º kyû, em número crescente a cada faixa — uma no 8º kyû, oito no 1º kyû [14]. O glossário da IJF registra separadamente renraku-waza e henka-waza, mas não a forma composta; por isso o kanji não foi preenchido.
Kaeshi-waza 返し技 かえしわざ Classificação técnica Contragolpes: um judoca inicia uma técnica, o adversário neutraliza a conclusão e aproveita a posição, a força ou o desequilíbrio resultantes para aplicar a segunda técnica. As regras de arbitragem tratam especificamente da situação de kaeshi-waza: quem recebe o ataque e inicia o contragolpe não pode usar o impacto da própria queda no tatami para concluir a ação e tê-la avaliada; se os dois caem juntos sem controle claro de nenhum, não há pontuação [1]. A CBJ cobra contragolpes a partir do 7º kyû e a FPJUDÔ os exige nos exames práticos do 1º ao 5º Dan [14][16].
Go-kyo-no-waza Classificação técnica Agrupamento didático das técnicas de projeção em cinco grupos de dificuldade crescente. O Kodokan publica duas versões: o Kyu (Former) Go Kyo no waza, estipulado em 1895, com 42 técnicas, e o Go Kyo no waza, revisado em 1920, com 40 técnicas [9]. Os programas da CBJ organizam as exigências de nage-waza por kyô: técnicas do 1º kyô até a faixa amarela/laranja, do 2º kyô na laranja, do 3º kyô na verde, do 4º kyô na roxa e do 5º kyô na marrom [14]. Não foi confirmado o kanji do termo nas fontes institucionais consultadas.

Referências bibliográficas

  1. INTERNATIONAL JUDO FEDERATION. Sport and Organisation Rules of the International Judo Federation. Versão de 14 ago. 2026. Seção G1.1, “Glossary of Japanese Terms” (aprovada pelo Kodokan e cotejada com o Kōdōkan New Japanese-English Dictionary of Judo, 2000), p. 243–249; seção “IJF Refereeing Rules”, D1.1 e Artigos 4 a 19, p. 132–200; Apêndice C, “IJF Judogi Rules”. Disponível em https://www.ijf.org/ijf/documents/1 (acesso em 18 ago. 2026).
  2. INTERNATIONAL JUDO FEDERATION. Sport and Organisation Rules of the International Judo Federation. Versão de 21 jan. 2026. Consultada apenas para verificar se houve alteração no glossário e nos artigos de pontuação entre janeiro e agosto de 2026; o glossário G1.1 é idêntico nas duas versões. Disponível em https://www.ijf.org/ijf/documents/1 (acesso em 18 ago. 2026).
  3. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Kodokan Definitions of Judo Techniques. Versão de 1 out. 2022. Documento que apresenta, com kanji e definição, os grupos 投技 Nage-waza, 手技 Te-waza, 腰技 Koshi-waza, 足技 Ashi-waza, 真捨身技 Ma-sutemi-waza, 横捨身技 Yoko-sutemi-waza, 固技 Katame-waza, 抑込技 Osaekomi-waza, 絞技 Shime-waza e 関節技 Kansetsu-waza. Disponível em https://kdkjudo.org/wp-content/uploads/2024/07/Kodokan-Definitions-of-Judo-Techniques-01.10.2022.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
  4. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Judo and Rei. Disponível em https://kdkjd.org/柔道と礼/ (acesso em 18 ago. 2026).
  5. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Judo and Rei – Etiquette. Disponível em https://kdkjd.org/柔道と礼、その作法/ (acesso em 18 ago. 2026).
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  8. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Dan Grading System. Disponível em https://kdkjd.org/昇段資格について/ (acesso em 18 ago. 2026).
  9. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Names of Judo Techniques. Disponível em https://kdkjd.org/技/柔道-技名称一覧/ (acesso em 18 ago. 2026).
  10. KODOKAN JUDO INSTITUTE. 「昇段資格について」— 講道館昇段資格に関する内規 e 講道館級位(少年)について. Normas internas de 1 ago. 1957, com última revisão em 1 abr. 2015. Disponível em https://kdkjudo.org/昇段資格について/ (acesso em 18 ago. 2026).
  11. KODOKAN JUDO INSTITUTE. The Purpose of Judo / 「柔道の目的・技の理念」. Disponível em https://kdkjd.org/柔道の目的・技の理念/ e https://kdkjudo.org/purpose/ (acesso em 18 ago. 2026).
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  13. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Kodokan KATA Textbook. Textos oficiais de Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata. Disponível em https://kdkjd.org/kodokan-kata-textbook/ (acesso em 18 ago. 2026).
  14. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE JUDÔ. Regulamento para Exame e Outorga de Faixas e Graus. Versão de 31 jan. 2023. Capítulos III a V, art. 4º a 6º. Disponível em https://cbj.com.br/public/uploads/regulamentos_esportivos/arquivo_cbj_180223310123.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
  15. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE JUDÔ. Regulamento Nacional de Competições 2026 (RNC-CBJ). Seções “Tempo de luta por classe”, “Tempo de osaekomi” e “Arbitragem”. Disponível em https://cbj.com.br/public/uploads/regulamentos_esportivos/20260223101358-rnc_2026final.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
  16. FEDERAÇÃO PAULISTA DE JUDÔ. Regulamento Exame de Graduação 2026, v3.1. Seção “Regulamento específico das graduações”, shodan a godan. Disponível em https://fpj.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Regulamento-Exame-de-Graduacao-2026-V3-1.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
  17. INTERNATIONAL JUDO FEDERATION. Judo technique classification. Disponível em https://judo.ijf.org/classification (acesso em 18 ago. 2026).
  18. FEDERAÇÃO PAULISTA DE JUDÔ. Regulamento de Exame e Outorga de Faixas e Graus — Graduação do 1º ao 5º Dan, versão 3.1, 2025. Versão consultada no acervo do projeto e usada no catálogo de técnicas; substituída pelo regulamento de 2026 [16] quanto ao exame vigente. Disponível em https://fpj.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Regulamento-Graduacao-1o-a-5o-Dan-2025-v3.1.pdf (acesso em 18 ago. 2026).