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Filosofia

Filosofia do Judô

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Jigoro Kano formulou o Judô como um caminho de formação pessoal, apoiado em dois princípios que atravessam praticamente tudo o que ele escreveu sobre o assunto.

Seiryoku Zen’yō: o melhor uso da energia

Kano observava que a maior parte da força gasta em uma disputa física é desperdiçada: resistir força com força, teimar num movimento que não está funcionando, insistir onde não há abertura. Seiryoku zen’yō propõe usar a menor energia possível para o maior efeito. Na prática, significa ler o movimento do outro e aproveitá-lo, em vez de se opor a ele diretamente.

Jita Kyōei: prosperidade e benefício mútuos

O segundo princípio desloca o foco do indivíduo para a relação entre as pessoas: o treino de Judô só existe porque alguém aceita ser seu parceiro (não seu inimigo) durante a prática. Kano estendeu essa ideia para além do tatame: o mesmo espírito de cooperação que faz o randori funcionar é o que ele esperava ver na vida em sociedade.

A imagem da bola, de Mifune

Kyūzō Mifune, um dos nomes mais lembrados da história do Kodokan, descreveu esses princípios de um jeito bem prático em seu livro The Canon of Judo: comparou o corpo do judoca a uma bola. Uma bola não resiste a quem a empurra: cede, gira, absorve o impulso e devolve o movimento na direção que lhe é mais favorável. Um corpo rígido opõe força contra força, e por isso é mais fácil de derrubar.

Essa “redondeza” (às vezes chamada de princípio do círculo) é o mesmo seiryoku zen’yō aplicado ao movimento: em vez de gastar energia competindo contra a força do outro, redirecioná-la.

Por que isso importa fora do tatame

É esse o sentido de Shōgai Jūdō, “Judô para toda a vida”. Os princípios de Kano e a “redondeza” de Mifune servem para qualquer fase da vida em que seja preciso ceder sem se anular, ou usar energia sem desperdiçá-la.