Terminologia do Judô

Vocabulário geral do Judô: papéis, dojô e uniforme, etiqueta, números, graduação, formatos de treino, arbitragem, princípios, famílias de técnicas e as palavras que soam iguais. Os nomes das técnicas ficam no catálogo, cada uma em sua página.

Cada verbete traz o kanji, o kana e o significado; campo vazio quer dizer escrita não confirmada em fonte oficial. As fontes vêm no rodapé de cada verbete e na lista ao fim da página. Nos números e nas palavras que se confundem, a fonte é a própria língua japonesa.

As regras de competição seguem o regulamento da IJF de 14 de agosto de 2026 [1] e o RNC 2026 da CBJ [15], nos quais o yuko voltou a valer como pontuação, ao contrário do que dizem apostilas de 2017 a 2024.

Papéis e pessoas

Tori (取, とり)

Quem aplica a técnica. O ideograma 取 quer dizer “pegar”, “tomar”: tori é quem toma a iniciativa e projeta. No treino, os papéis se revezam: quem é tori agora será uke na repetição seguinte.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 6º kyû.

Uke (受, うけ)

Quem recebe a técnica. O ideograma 受 quer dizer “receber”. Cabe a uke cair com ukemi seguro e, no treino combinado, oferecer a reação prevista.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 6º kyû.

Judoka (柔道家, じゅうどうか)

Quem pratica Judô. O sufixo 家 designa a pessoa que faz de algo o seu ofício, o mesmo 家 de 専門家 (especialista) e 芸術家 (artista). Judoka nomeia, portanto, quem toma o Judô como modo de viver. Em português dizemos também “judoca”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Sensei (先生, せんせい)

Professor. Os dois ideogramas dizem “antes” (先) e “viver” (生): sensei é quem viveu antes, quem já andou o caminho e volta para acompanhar quem está começando agora. O tratamento carrega um compromisso com quem vem depois. É a primeira palavra japonesa que o judoca aprende, ainda na faixa branca.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 11º kyû.

Shihan (師範)

Mestre. Une 師, “mestre”, a 範, “modelo”: o shihan sabe ensinar e serve de exemplo. É o tratamento com que o Kodokan sempre se refere ao fundador, Kano Jigoro Shihan.

Fontes: [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [10] Kodokan, 師範の言葉.

Shimpan (審判, しんぱん)

Arbitragem. Os ideogramas somam “examinar” (審) e “julgar” (判): antes de decidir, olha-se com cuidado. Quem exerce a função é o shimpan-in (審判員, しんぱんいん). A palavra também aparece escrita shinpan.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shu-shin (主審, しゅしん)

Árbitro principal. É quem está no tatame com os dois atletas, conduz o combate, anuncia os comandos e as pontuações e faz os gestos correspondentes.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 4.

Fuku-shin (副審, ふくしん)

Árbitro auxiliar. Nas competições grandes da IJF a conferência passou a ser feita pelo vídeo do sistema CARE; onde não há vídeo, o regulamento mantém dois juízes laterais, e a decisão sai por maioria entre os três.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13.5.

Shosha (勝者, しょうしゃ)

Vencedor: 勝 é “vencer” e 者 é “a pessoa”. O gesto com que o árbitro aponta o vencedor chama-se kachi (勝ち, かち), “vitória”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1 e Regras de Arbitragem, art. 4.

Haisha (敗者, はいしゃ)

Quem perdeu o combate: 敗 é “ser derrotado” e 者, “a pessoa”. No Judô, os dois se cumprimentam no fim do mesmo jeito que no começo. A saudação não muda conforme o resultado.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Yudansha

Quem já tem faixa preta. A palavra quer dizer “aquele que tem dan”: yu é “ter”, dan é o grau, sha é a pessoa. No Brasil, a CBJ chama de yudansha as faixas pretas do 1º ao 5º Dan, cuja graduação é homologada pela Confederação depois de exame teórico e prático.

Fontes: [14] CBJ, cap. III, art. 4º, II.

Kodansha

Quem chegou às altas graduações: faixa vermelha e branca, do 6º ao 8º Dan, e faixa vermelha, no 9º e no 10º. A CBJ define o título como reconhecimento de quem se dedicou por décadas ao aprendizado, à prática contínua, ao ensino e à pesquisa do Judô. O kodansha é também depositário e responsável pela difusão dos princípios filosóficos e educacionais do Judô. Saber o que a palavra significa é exigido já na faixa marrom.

Fontes: [14] CBJ, cap. III, art. 4º, III, e art. 6º, XI; [10] Kodokan, 昇段資格について.

Dangai

Nome que a CBJ dá ao conjunto dos praticantes abaixo da faixa preta, da branca à marrom. Essas graduações são dadas pela associação, em exame conduzido por um professor faixa preta, maior de 18 anos, inscrito no Registro Geral de Graduação, e homologadas pela federação do estado.

Fontes: [14] CBJ, cap. III, art. 4º, I.

Ambiente, área de competição e vestuário

Dojo (道場, どうじょう)

O lugar onde se treina. Literalmente, “lugar do caminho”: 道 é o caminho (o mesmo do de Judô) e 場 é o lugar. O nome já diz que ali não se aprende só a projetar. É onde se aprendem os dois princípios do Judô, seiryoku-zenyo e jita-kyoei, e onde a etiqueta se pratica todo dia. A CBJ traduz por “academia”. Em português escreve-se dojô.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [14] CBJ, 7º kyû.

Tatami (畳, たたみ)

A esteira sobre a qual se pratica. O nome vem do verbo 畳む, “dobrar, empilhar”, porque as esteiras antigas de palha eram guardadas assim. Hoje são de espuma prensada. Para competições da IJF, cada peça mede 1 m × 2 m × 5 cm e precisa ser firme sob os pés, absorver o impacto do ukemi e não escorregar. Em português dizemos tatame.

Fontes: [1] IJF, SOR, área de competição; [14] CBJ, 10º kyû.

Shiai-jo (試合場, しあいじょう)

A área de competição, o “lugar (場) do combate (試合)”. Divide-se em duas zonas de cores diferentes: a área de combate, de 8 m × 8 m a 10 m × 10 m, e a área de segurança em volta, de no mínimo 3 m.

Fontes: [1] IJF, SOR, área de competição; [14] CBJ, 7º kyû.

Jo-nai (場内, じょうない)

Dentro da área. 内 é “dentro”. Em pé, os atletas continuam dentro enquanto pelo menos um pé de um deles estiver na área de combate; no solo, enquanto qualquer parte do corpo de um deles estiver dentro.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.1.

Jo-gai (場外, じょうがい)

Fora da área. 外 é “fora”. Sair de propósito, sem ataque em andamento, é punido com shido. Um ataque que começou dentro pode terminar até dois metros para dentro da área de segurança, sem interrupção.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 5 e 18.1.1.

Jo-seki (上席, じょうせき)

O lugar de honra do dojô, o “assento (席) de cima (上)”. É onde se sentam os professores e os convidados de graduação mais alta. A saudação dirigida a ele honra o lugar e o que ele representa, não uma pessoa.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shomen (正面, しょうめん)

A frente do dojô, “a face (面) principal (正)”. É a direção da saudação anunciada como “Shomen-ni-rei!”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Judogi (柔道衣, じゅうどうぎ)

O uniforme: casaco, calça e faixa. O 衣 final quer dizer simplesmente “roupa”, e judogi é “a roupa do Judô”. Nas competições da IJF, é branco ou azul e passa por conferência de medidas antes da luta; alterar o judogi para dificultar a pegada do adversário é tratado como falta contra o espírito do Judô.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem e Apêndice C; [14] CBJ, 8º kyû.

Jo-i (上衣, じょうい)

O casaco, a “roupa (衣) de cima (上)”. A CBJ chama a mesma peça de uwagi. As duas formas circulam no tatame, e mudam só de nome.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 8º kyû.

Shita-baki (下穿き, したばき)

A calça, literalmente “o que se veste (穿き) embaixo (下)”. Também aparece escrita “shitabaki”, sem hífen.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 8º kyû.

Obi (帯, おび)

A faixa. Faz duas coisas: fecha o casaco e mostra a graduação. O combate só começa com a faixa amarrada firme acima dos ossos do quadril. Amarrar a própria faixa corretamente é exigência de exame já no 8º kyû.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 9.4; [14] CBJ, 8º kyû.

Eri (襟, えり)

A gola e a lapela do casaco. É uma das regiões onde a pegada é permitida, ao lado da manga, do peito, do ombro e das costas. Cobrir a parte alta da lapela para o adversário não conseguir pegá-la é punido com shido.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.2.

Sode (袖, そで)

A manga do casaco. É a pegada mais comum da mão que puxa (hiki-te). A pegada mais habitual põe uma mão na manga e a outra na gola do lado oposto.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.2.

Zori (草履, ぞうり)

A sandália usada para andar fora do tatame. 草 é “erva” e 履 é “calçado”, porque as antigas eram trançadas de palha de arroz. Calçar o zori ao sair do tatame é o que mantém a área de treino limpa. A CBJ registra o termo como “chinelo”, grafado “Zoori”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 8º kyû.

Etiqueta

Rei (礼, れい)

Respeito, cortesia. Para o Kodokan, rei é reconhecer o valor da outra pessoa e demonstrar isso, e esse hábito faz crescer o jita-kyoei, a prosperidade de todos. Vem daí a frase que se ouve em todo dojô: o Judô começa com rei e termina com rei. Como comando do árbitro, “Rei!” significa “saudar”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [4] Kodokan, Judo and Rei.

Rei-ho (礼法, れいほう)

A maneira de demonstrar rei. 法 é “método”. São os gestos: como entrar no tatame, como se posicionar, como saudar. No dojô ensinam-se duas formas: o ritsu-rei, em pé, e o za-rei, ajoelhado. Mas o Kodokan adverte que elas não esgotam o assunto. Cumprir a forma sem o espírito que a sustenta é menos do que se espera de um judoca.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette.

Ritsu-rei (立礼, りつれい)

A saudação em pé. O tronco se inclina cerca de 30 graus e as mãos deslizam pela frente das coxas. A CBJ pede a demonstração já no exame de faixa branca/cinza.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [14] CBJ, 11º kyû.

Za-rei (坐礼, ざれい)

A saudação ajoelhada, feita a partir de seiza. 坐 é “sentar”. As mãos descem ao tatame e formam um triângulo à frente dos joelhos. É a saudação de abertura e de encerramento da aula. O kanji aparece também na variante 座礼, com o mesmo sentido.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [5] Kodokan, Judo and Rei – Etiquette; [12] Kodokan, 柔道と礼、その作法; [14] CBJ, 11º kyû.

Seiza (正坐, せいざ)

Sentar-se sobre os joelhos, com as pernas dobradas sob o corpo e as costas eretas. Literalmente, “sentar (坐) direito (正)”. É a posição de onde se faz o za-rei e de onde se escuta o professor.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

“Kiotsuke!” (気をつけ, きをつけ)

“Atenção!” A expressão diz, ao pé da letra, “ponha o seu ki”: junte a atenção que estava espalhada. À voz de kiotsuke, a turma fica de pé, ereta, com os calcanhares unidos.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 9º kyû.

“Otagai-ni-rei!” (お互いに礼, おたがいにれい)

“Saudem-se uns aos outros”. 互い é “mútuo”. É a saudação entre companheiros, sem ninguém acima de ninguém. Nas competições por equipes, o árbitro ergue os antebraços com as palmas voltadas uma para a outra, põe as equipes frente a frente e anuncia “Rei!”.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 9.1.

“Shomen-ni-rei!” (正面に礼, しょうめんにれい)

“Saudem a frente do dojô”. Volta-se para o shomen e cumprimenta-se o lugar e, com ele, todos os que treinaram ali antes. Na cerimônia das competições por equipes, o árbitro estende os braços à frente indicando a mesa e anuncia “Rei!”; ele próprio não se curva.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 9.1.

Números e contagem

Ichi (一, いち)

Um. Pronuncia-se “ítchi”. É por onde começa toda contagem de aula: de repetições de uchikomi, de ukemi, de técnicas.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Ni (二, に)

Dois. Pronuncia-se “ni”, curto e seco, como em “nível”.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

San (三, さん)

Três. Pronuncia-se “san”, com o n final nasal, mais perto de “sã” do que de “sane”.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Shi / Yon (四, し, よん)

Quatro, o primeiro número em que a leitura muda conforme o lugar em que ele aparece. Shi (“xi”) é a de quando se conta em voz alta, em sequência, e é assim que se conta em aula. Yon (“ión”, numa sílaba só, com o io de “iogurte”) é a usada quando o número aparece sozinho ou dentro de outro: quarenta é yonjû, nunca shijû. A troca tem origem em superstição: 死, que também se lê shi, quer dizer “morte”.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Go (五, ご)

Cinco. Pronuncia-se “gô”. É o mesmo go de go-kyo-no-waza, os cinco grupos de técnicas.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Roku (六, ろく)

Seis. Pronuncia-se “róku”, com o r brando de “caro”; o r japonês nunca tem o som forte de “rato”. É o roku de roku-dan, o 6º Dan.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Shichi / Nana (七, しち, なな)

Sete, o segundo dos três números com leitura dupla. Shichi (“xítchi”) é a de quando se conta em sequência; nana é a preferida quando há risco de confusão com ichi, e é a que aparece nas dezenas: setenta é nanajû.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Hachi (八, はち)

Oito. Pronuncia-se “hátchi”, com o h soprado do inglês house: em japonês o h nunca tem som de r.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Ku / Kyu (九, く, きゅう)

Nove, o terceiro e último deles. Ku é a usada quando se conta em sequência; kyû (“kiú”, numa sílaba só, com o u esticado) é a mais comum fora dela. Não confunda com o kyû das graduações, que se escreve 級 e é outra palavra.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Ju (十, じゅう)

Dez. Pronuncia-se “djú”, com o j de jeans e o u esticado, que dura o dobro. Fecha a contagem de aula e é a peça com que se montam todos os números até noventa e nove.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

Contagem de aula, de um a dez

Seguidos, os dez ficam assim: ichi, ni, san, shi, go, roku, shichi, hachi, ku, jû. Quatro, sete e nove entram aqui como shi, shichi e ku, que é como se bate o ritmo de uma série. A CBJ cobra essa contagem no exame de faixa cinza, 10º kyû, a partir dos cinco anos de idade, e a grafa “iti, ni, san, shi, go, roku, shiti, hati, kyû, jû”: é romanização antiga, em que ti soa “tchi”, de modo que iti é ichi, shiti é shichi e hati é hachi. Onde o exame escreve kyû, a contagem em voz alta costuma dizer ku.

Fontes: Língua japonesa; [14] CBJ, 10º kyû.

De onze a dezenove (十一 – 十九, じゅういち – じゅうきゅう)

Basta somar: dez mais a unidade, nesta ordem. Jûichi (11), jûni (12), jûsan (13), jûshi ou jûyon (14), jûgo (15), jûroku (16), jûshichi ou jûnana (17), jûhachi (18), jûku ou jûkyû (19). Não há nada irregular aqui, nenhum equivalente ao nosso “onze” ou “doze”.

Fontes: Língua japonesa.

Dezenas, de vinte a noventa (二十 – 九十, にじゅう – きゅうじゅう)

Agora a ordem se inverte: a unidade vem antes do dez. Nijû (20), sanjû (30), yonjû (40), gojû (50), rokujû (60), nanajû (70), hachijû (80), kyûjû (90). Quarenta, setenta e noventa usam yon, nana e kyû, nunca shi, shichi ou ku. Para os números do meio, encaixa-se a unidade no fim: 21 é nijûichi, 48 é yonjûhachi, 99 é kyûjûkyû.

Fontes: Língua japonesa.

Centenas, de cem a novecentos (百, ひゃく)

Cem é hyaku. Daí em diante: nihyaku (200), sanbyaku (300), yonhyaku (400), gohyaku (500), roppyaku (600), nanahyaku (700), happyaku (800), kyûhyaku (900). Três, seis e oito deformam o som quando se juntam a hyaku, em sanbyaku, roppyaku e happyaku, e essas três são as exceções das centenas. Para montar um número, leia da esquerda para a direita: 365 é sanbyaku rokujûgo.

Fontes: Língua japonesa.

Sen (千, せん)

Mil. Diz-se sen, sem o “um” na frente: 1000 é apenas sen, e não ichisen. Escrevendo por extenso, 999 é kyûhyaku kyûjûkyû; o passo seguinte é sen. Nos milhares reaparecem duas deformações: 3000 é sanzen e 8000 é hassen. De dez mil em diante o “um” volta: 10 000 é ichiman (一万).

Fontes: Língua japonesa.

Rei (zero) (零, れい)

Zero. A forma tradicional é rei, outra palavra e outro kanji, sem parentesco com o 礼 da saudação. No dia a dia e nos placares usa-se muito mais zero (ゼロ), tomado do inglês.

Fontes: Língua japonesa.

Hon, contador de pontos (本, ほん)

Em japonês, o número não vem sozinho: junta-se a ele um contador, que muda conforme o que se conta. O contador dos pontos do Judô é 本, e é por isso que a pontuação máxima se chama ippon, “um ponto”. Dois seriam nihon e três, sanbon; o som muda conforme a unidade, como nas centenas. No combate isso não aparece, porque o ippon encerra a luta.

Fontes: Língua japonesa; [1] IJF, SOR, G1.1.

Palavras que se confundem

Kata (forma, ombro, um lado, modo) (形 / 肩 / 片 / 方, かた)

Quatro palavras diferentes com o mesmo som, e todas aparecem no Judô. 形 é a forma, a sequência estudada, o kata do Nage-no-kata. 肩 é o ombro: é esse que está em kata-guruma (肩車, “roda sobre os ombros”) e em kata-gatame (肩固). 片 quer dizer “um só dos dois”, e é esse que nomeia kata-te-jime (片手絞), o estrangulamento com uma única mão. 方 é o modo de fazer, como em kumi-kata (組み方), e também a maneira respeitosa de dizer “pessoa”. Ao ouvir “kata”, o que decide o sentido é a palavra ao lado.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Ju (suave e dez) (柔 / 十, じゅう)

柔 é a suavidade, a flexibilidade, o ju de Judô e de jujutsu. 十 é o número dez. Soam igual e não têm parentesco nenhum. O mesmo 十 aparece em juji-gatame (十字固): 十字 (jûji) é “em forma de cruz”, porque 十 é o dez e 字 é “caractere”, e o caractere do dez é desenhado como uma cruz.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Kyu (grau, nove e urgente) (級 / 九 / 急, きゅう)

級 é o grau anterior à faixa preta. 九 é o número nove. 急 quer dizer “urgente” e é o que está em kyu-sho (急所), os pontos vitais. No 9º kyû (九級) dois deles ficam lado a lado: 九 é o número nove e 級 é o grau. Soam igual, mas continuam sendo caracteres diferentes.

Fontes: Língua japonesa.

Shi (quatro, morte, mestre e prova) (四 / 死 / 師 / 試, し)

四 é quatro. 死 é morte, e é por causa dessa coincidência que os japoneses preferem dizer yon no lugar de shi em muitas situações. 師 é o mestre, o de shihan (師範). 試 é “provar, pôr à prova”, o de shiai (試合).

Fontes: Língua japonesa.

Sen (antes, mil e combate) (先 / 千 / 戦, せん)

先 é “antes”, o de sensei (先生). 千 é mil. 戦 é combate, o de encho-sen (延長戦), o combate prolongado.

Fontes: Língua japonesa.

Rei (saudação e zero) (礼 / 零, れい)

礼 é a saudação, a cortesia, a palavra com que a aula começa e termina. 零 é o zero. Mesmo som, caracteres e origens sem nenhuma relação.

Fontes: Língua japonesa.

Jo (lugar e cima) (場 / 上, じょう)

場 é o lugar: dojo (道場), shiai-jo (試合場), jo-gai (場外). 上 é “em cima”: jo-i (上衣), o casaco, e jo-seki (上席), o lugar de honra. O jo de quem sai da área e o jo do casaco não têm nada em comum além do som.

Fontes: Língua japonesa.

Ma (intervalo e verdadeiro) (間 / 真, ま)

間 é o intervalo, o espaço entre, o de ma’ai (間合い), a distância entre os dois. 真 é “verdadeiro, direto”, o de ma-sutemi-waza (真捨身技), o sacrifício em que tori cai direto para trás, na linha do próprio corpo.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Uchi (dentro e bater) (内 / 打, うち)

内 é “dentro”: uchi-mata (内股) é a coxa atacada por dentro, e o-uchi e ko-uchi são os golpes que entram por dentro da base do adversário. 打 é “bater, cravar”: é o de uchikomi (打ち込み), a repetição da entrada. Ouvir “uchi” não diz de qual dos dois se trata; quem diz é o resto do nome.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Shime (apertar e estrangular) (絞 / 締, しめ)

No mesmo treino a criança ouve as duas. 絞 é o estrangulamento, o de shime-waza (絞技). 締 é apertar, prender, o verbo de amarrar a faixa, 帯を締める. Um aperta o judogi, o outro aperta o pescoço.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Uke e uki (受 / 浮, うけ, うき)

Não são a mesma palavra, mas o ouvido brasileiro troca uma pela outra. 受 é “receber”: uke, ukemi. 浮 é “flutuar”: uki-goshi (浮腰), uki-waza (浮技), uki-otoshi (浮落). Quando o nome de uma técnica começa com uki, ele fala de leveza, de tirar o peso do chão, sem nenhuma relação com quem recebe.

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Hon (ponto e base) (本, ほん)

Aqui o caractere é um só, com dois empregos que confundem. Como contador, 本 conta os pontos, e é o de ippon. Como palavra, 本 quer dizer “base, principal”, e é esse o sentido em shizen-hon-tai (自然本体) e jigo-hon-tai (自護本体), as posturas frontais, que são a forma-base de onde saem as variantes à direita e à esquerda.

Fontes: Língua japonesa; [1] IJF, SOR, G1.1.

Por que o som muda no meio do nome

É a mesma palavra, mas a consoante inicial amolece quando ela entra na segunda metade de um nome composto. Katame (固, prender) vira -gatame em kesa-gatame. Koshi (腰, quadril) vira -goshi em harai-goshi. Kuruma (車, roda) vira -guruma em hiza-guruma. Shime (絞, apertar) vira -jime em juji-jime. Kaeshi (返, devolver) vira -gaeshi em hikikomi-gaeshi. E harai (払, varrer) vira -barai em de-ashi-barai, e por isso a mesma técnica aparece escrita das duas formas. É regra da língua, e reconhecê-la ajuda a enxergar as palavras que se repetem de um nome de técnica para outro. Com hon (本, o contador dos pontos) acontece outra coisa: em ichi + hon o número encolhe e o h vira p, dando ippon. É o mesmo que já apareceu nas centenas, em roppyaku (600) e happyaku (800).

Fontes: Língua japonesa; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Sistema de graduação

Dan (段位, だんい)

O grau de quem já é faixa preta. O ideograma 段 é o “degrau” de uma escada: sobe-se um de cada vez, do shodan (1º dan) ao 2º, ao 3º, e assim por diante. Não há atalho. O Kodokan fixa uma idade mínima para cada grau (14 anos para o shodan, 20 para o 5º, 27 para o 6º, 33 para o 7º e 42 para o 8º) e um kata a ser apresentado em cada um. No Brasil, as faixas pretas do 1º ao 5º Dan são homologadas pela CBJ.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [8] Kodokan, Dan Grading System; [10] Kodokan, normas internas de graduação; [14] CBJ, art. 3º e cap. III.

Kyu (級位)

O grau de quem ainda não é faixa preta. Conta-se ao contrário do dan: começa-se no 11º kyû e sobe-se até o 1º, a faixa marrom, que fica logo abaixo da preta. O Kodokan mantém um sistema próprio de kyû para crianças, criado para garantir segurança no treino e nas competições infantis. No Brasil, a CBJ organiza onze kyû.

Fontes: [10] Kodokan, sistema de kyû infantil; [14] CBJ, art. 6º.

Cores de faixa no sistema da CBJ

A ordem no Brasil é esta: branca (iniciante), branca/cinza (11º kyû), cinza (10º), cinza/azul (9º), azul (8º), azul/amarela (7º), amarela (6º), amarela/laranja (5º), laranja (4º), verde (3º), roxa (2º) e marrom (1º kyû). Depois vêm a faixa preta, do 1º ao 5º Dan; a vermelha e branca, do 6º ao 8º; e a vermelha, no 9º e no 10º. A CBJ chama de “básicas” as faixas da branca à amarela/laranja e de “intermediárias” a laranja, a verde, a roxa e a marrom. Saber essa ordem é exigência de exame no 7º kyû.

Fontes: [14] CBJ, art. 6º, I a XI, e cap. III.

Shodan

O primeiro grau de faixa preta. Sho é “início”, e o shodan marca o começo do estudo sério. No Kodokan, a idade mínima é 14 anos e apresenta-se a parte do Nage-no-kata correspondente a te-waza, koshi-waza e ashi-waza. No Brasil, a CBJ pede 16 anos completos e ao menos dois anos de faixa marrom; a FPJUDÔ acrescenta módulos de História, Filosofia, Ética e Terminologia, exame teórico e exame prático com ukemi, tai-sabaki, Nage-no-kata completo e fundamentos.

Fontes: [10] Kodokan, normas internas de graduação; [14] CBJ, art. 6º, XII; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026.

Batsugun

Promoção conquistada dentro da competição. Nos Torneios Vermelho e Branco, realizados duas vezes por ano na sede do Kodokan e no Centro Internacional de Judô de Osaka, quem obtém a sequência de vitórias exigida sobe de grau no mesmo dia, ali mesmo.

Fontes: [8] Kodokan, Dan Grading System.

Formatos de prática

Keiko (稽古, けいこ)

Treino. 稽 é “refletir, consultar” e 古 é “o antigo”: treinar é consultar o que veio antes, repetir aquilo que outros lapidaram para chegar até aqui. Aparece dentro do nome de vários formatos, como kakari-geiko e yakusoku-geiko.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Randori (乱取, らんどり)

Treino livre: os dois atacam e defendem sem nada combinado. Os ideogramas dizem “tomar (取) na desordem (乱)”, que é aprender a achar a técnica no meio do movimento imprevisível, onde ela realmente existe. Junto com o kata e o shiai, é uma das três formas fundamentais da prática do Judô.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 7º e 3º kyû.

Kata (形, かた)

Forma. É a sequência fixa em que a técnica é estudada com papéis, ordem e detalhes definidos: no randori se descobre, no kata se apura. O Kodokan mantém sete kata oficiais: Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata. Cada grau de faixa preta tem o seu: Nage-no-kata (parcial) no shodan, Nage-no-kata no 2º dan, Katame-no-kata no 3º, Ju-no-kata no 4º, Kime-no-kata no 5º, Goshin-jutsu no 6º, Itsutsu-no-kata no 7º e Koshiki-no-kata no 8º.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [10] Kodokan, normas internas de graduação; [13] Kodokan, Kodokan KATA Textbook.

Uchikomi (打ち込み, うちこみ)

Repetir a entrada da técnica sem derrubar o companheiro. 打ち込む é “entrar batendo, cravar”: entra-se de novo e de novo até que o corpo aprenda o caminho e não precise mais pensar nele. A CBJ traduz por “treinamento de entrada das técnicas”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 7º kyû.

Nagekomi (投げ込み, なげこみ)

Repetir a projeção inteira, com o companheiro caindo a cada vez. 投げる é “arremessar”. É o passo seguinte ao uchikomi: aqui a técnica vai até o fim, o que exige ukemi seguro do parceiro e espaço suficiente no tatame.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kakari-geiko (かかり稽古, かかりげいこ)

Treino em que um ataca sem parar e o outro só se defende. Serve para aprender a atacar cansado, que é quando a técnica precisa aparecer sozinha.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Yakusoku-renshu (約束練習, やくそくれんしゅう)

Treino combinado. 約束 é “promessa, combinado”. Os dois acertam antes quem ataca, o que o outro faz e em que ordem. É o formato certo para estudar encadeamentos e contragolpes antes de levá-los ao randori.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Sotai-renshu (相対練習, そうたいれんしゅう)

Treino com parceiro, um diante do outro. 相対 é “frente a frente”. É o oposto do tandoku-renshu.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Tandoku-renshu (単独練習, たんどくれんしゅう)

Treino sozinho. 単独 é “sozinho, isolado”. Deslocamentos, tai-sabaki, entradas de técnica no vazio, ukemi. É o treino que se pode fazer em qualquer lugar.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Shiai (試合, しあい)

Competição. Os ideogramas dizem “provar (試) um com o outro (合)”: é o dia de pôr à prova, sob regras e diante de um árbitro, aquilo que se treinou. Junto com o randori e o kata, é uma das três formas fundamentais da prática.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 7º e 3º kyû.

Tachi-waza (立技, たちわざ)

Trabalho em pé. Em competição, a situação é de tachi-waza enquanto os dois estão em pé e nenhum deles caiu para uma das posições de solo.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 10; [14] CBJ, 5º kyû.

Ne-waza (寝技, ねわざ)

Trabalho no solo. 寝 é “deitar”. A passagem do trabalho em pé para o solo só vale se houver um ataque ou contra-ataque de verdade seguido da busca de imobilização, estrangulamento ou chave; puxar o adversário para baixo sem continuidade é punido com shido. A postura correspondente chama-se ne-shisei (寝姿勢, ねしせい).

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 10 e 18.1.1.

Arbitragem, pontuação e resultado

“Hajime!” (始め, はじめ)

“Comecem!” O combate sempre começa com os dois em pé, judogi em ordem e faixa firme acima do quadril; só então o árbitro anuncia. É também a palavra que reinicia a luta depois de um “Mate!”.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 9.4 e 11; [14] CBJ, 9º kyû.

“Mate!” (待て, まて)

“Esperem!” Interrompe o combate por um instante. O árbitro anuncia quando os dois saem da área sem ação em andamento, quando há falta, em caso de lesão e para ajustar judogi ou cabelo. Também quando o trabalho no solo não avança mais, ou quando um atleta se levanta erguendo do tatame o adversário que está de costas, agarrado a ele com as pernas. O gesto é o braço erguido à altura do ombro, palma aberta para a mesa.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 11; [14] CBJ, 9º kyû.

“Sore-made!” (それまで)

“Até aqui”, o fim do combate. O árbitro anuncia quando há ippon ou dois waza-ari; quando há hansoku-make, seja por falta grave, seja pelo terceiro shido; quando um atleta desiste; quando o tempo acaba; e quando sai a pontuação no golden score. A expressão se escreve só em kana, sem kanji.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13; [14] CBJ, 9º kyû.

“Osaekomi!” (抑え込み, おさえこみ)

“Imobilizado!” 抑え込む é “prender contra o chão”. Anuncia que a imobilização está valendo e o relógio começou a contar. Só vale sob três condições: quem está por baixo tem as costas ou toda a região das escápulas no tatame; é controlado por cima, pelo lado ou por trás; e quem imobiliza não tem o corpo nem as pernas presos pelas pernas do adversário. O gesto é o braço apontado para os dois, palma para baixo.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 17.

“Toketa!” (解けた, とけた)

“Soltou!” Anuncia que a imobilização foi desfeita e o relógio para. Trocar de imobilização sem perder o controle não é toketa: o tempo continua correndo. O gesto é o braço à frente, dedos estendidos e polegar para cima, balançado de um lado para o outro duas ou três vezes.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 17.

“Sono-mama!” (そのまま)

“Assim como está!” Congela a posição: ninguém se mexe, ninguém troca a pegada. Só pode ser usado com os dois no solo. O árbitro se inclina e toca ambos com as palmas das mãos para garantir que nada mude enquanto resolve o que precisa ser resolvido. Escreve-se só em kana.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 12; [14] CBJ, 9º kyû.

“Yoshi!” (よし)

“Pode seguir!” É a palavra que solta o combate depois de um “Sono-mama!”. O árbitro toca com firmeza os dois atletas, e a luta recomeça exatamente da posição em que parou.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 12.

“Maitta!” (参った, まいった)

“Eu desisto”. Vale o mesmo que bater duas ou mais vezes com a mão ou com o pé, e costuma acontecer sob imobilização, estrangulamento ou chave: a desistência dá ippon ao adversário. No treino, é o sinal que obriga a soltar na hora.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 14.

Ippon (一本, いっぽん)

O ponto que encerra o combate. 一 é o um e 本 é o contador dos pontos: “um ponto”, o ponto inteiro. É a projeção completa: velocidade, força, o adversário caindo de costas e tori controlando a queda até o fim. No solo, vale ippon a imobilização de 20 segundos, a desistência e a perda de consciência. As regras da IJF são explícitas: o objetivo do Judô é o ippon, e as pontuações menores só contam para quem estava tentando alcançá-lo.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 7 e 14.

Waza-ari (技あり, わざあり)

“Há técnica”. É o que o árbitro reconhece quando a projeção foi boa, mas faltou algo para o ippon. Em pé, é a queda que passa de 90 graus do eixo dos ombros sem chegar às costas inteiras. No solo, é a imobilização mantida de 10 a 19 segundos. Dois waza-ari somam ippon e acabam a luta. O gesto começa com o braço cruzado sobre o peito e termina com ele estendido para o lado, palma para baixo.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4, 7 e 15.

Waza-ari-awasete-ippon (技あり,合せて一本, わざあり,あわせていっぽん)

“Waza-ari, somando ippon”: o anúncio do segundo waza-ari, que fecha o combate. O árbitro faz o gesto de waza-ari e emenda o de ippon. A soma de pontuações chama-se awase-waza (合せ技, あわせわざ).

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4 e 16.

Yuko (有効, ゆうこう)

“Que teve efeito”. É a pontuação abaixo do waza-ari, de volta às regras na versão atual do regulamento da IJF. Em pé, vale yuko quando uke cai de lado, a 90 graus ou mais em direção à frente; sobre a parte alta das costas; sobre o eixo dos ombros, apoiando cotovelo ou mão; sobre uma ou as duas nádegas; ou sobre o pescoço. Não vale se a barriga, a frente dos dois quadris ou os dois joelhos tocarem o tatame antes da queda de lado, ou junto com ela. No solo, é a imobilização de 5 a 9 segundos. Yuko não se soma: dez yuko continuam valendo menos que um waza-ari. No golden score, porém, o primeiro yuko encerra a luta. No Brasil, o RNC 2026 da CBJ adota os mesmos tempos de imobilização.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 4, 7, 13 e 15; [15] CBJ, RNC 2026.

Shido (指導, しどう)

A penalidade leve, e a palavra diz “orientação”: 指 é “apontar” e 導 é “guiar”. A ideia é corrigir, não castigar. Cabe shido por falta de combatividade, por movimento irregular sem perigo e por judogi ou cabelo em desalinho. Os dois primeiros são avisos; o terceiro vira hansoku-make e encerra o combate. Shido não dá ponto ao adversário: o placar só registra pontuação técnica.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 18 e 18.1.

Hansoku-make (反則負け, はんそくまけ)

Derrota por falta. 反則 é “infração” (ir contra a regra) e 負け é “derrota”. Pode vir pelo acúmulo de três shido ou direto, por infração grave: técnica perigosa ou ato contrário ao espírito do Judô. Nos dois casos o adversário vence por ippon; conforme a gravidade, o atleta pode ou não seguir na competição. A falta em si chama-se hansoku (反則, はんそく). No Brasil, o RNC 2026 registra que o hansoku-make disciplinar elimina o atleta da competição.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 18, 18.2, 18.2.1 e 18.2.2; [15] CBJ, RNC 2026.

Kinshi-waza (禁止技, きんしわざ)

Técnicas proibidas em competição. A proibição tem camadas: há técnicas permitidas em todas as idades; há técnicas permitidas para adultos e juniores, mas proibidas para cadetes; e há quatro técnicas do repertório do Kodokan que a IJF não permite em nenhum de seus eventos: kawazu-gake, kani-basami, do-jime e ashi-garami. Proibido em competição não quer dizer apagado do Judô: as próprias regras dizem que todas as técnicas do Kodokan são patrimônio do Judô e devem continuar sendo ensinadas.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, arts. 9.7 e 18.

Hantei (判定, はんてい)

Decisão dos árbitros. 判 é “julgar” e 定 é “definir”. Era assim que se decidia o combate empatado, pelo julgamento de quem arbitrava. Nas regras atuais isso não acontece mais no combate individual: o empate segue no golden score, que não tem tempo limite.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13.

Encho-sen (延長戦, えんちょうせん)

Combate prolongado. Nas regras atuais da IJF chama-se golden score: não tem tempo limite, as pontuações e os shido do tempo normal continuam valendo, e termina na primeira pontuação técnica, no hansoku-make ou na desistência. Se a imobilização começar aí, o yuko aos 5 segundos já encerra a luta.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13.4.

Hikiwake (引き分け, ひきわけ)

Empate, literalmente “puxar (引き) e separar (分け)”, como quem separa dois que estão presos um ao outro. Nas competições individuais da IJF ele não existe mais: o combate empatado segue no golden score. Mas continua contando no sistema de graduação do Kodokan, que dá pontuação ao empate conforme a diferença de grau entre os dois.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13; [10] Kodokan, normas internas de graduação, item 8.

Fusen-gachi (不戦勝ち, ふせんがち)

Vitória sem combate. 不 é “não”, 戦 é “combate”, 勝ち é “vitória”. Depois da última chamada, o placar conta 30 segundos; se o adversário não aparecer no tatame, quem está lá vence. Vale também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene antes do início.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 19.

Kiken-gachi (棄権勝ち, きけんがち)

Vitória por desistência do adversário durante o combate, seja qual for o motivo. 棄権 é “abrir mão do direito de disputar”. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene depois de a luta ter começado, ou quando perde uma lente de contato e avisa ao árbitro que não tem como continuar.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 19.

Yusei-gachi (優勢勝ち, ゆうせいがち)

Vitória por superioridade. 優勢 é “estar em vantagem”. Era a vitória de quem terminava o combate à frente. Nas regras atuais da IJF o desempate não se faz assim: o combate empatado segue no golden score.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ikioi (勢い, いきおい)

Ímpeto: força e velocidade na mesma ação. É uma das duas qualidades que o árbitro procura numa projeção para reconhecer o ippon.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 14.

Hazumi (はずみ)

O impulso vivo do movimento: o quique, o ritmo, a nitidez com que a técnica sai. É a outra qualidade que, junto com o ikioi, caracteriza a projeção digna de ippon. Escreve-se só em kana.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 14.

Princípios técnicos gerais

Judo (柔道, じゅうどう)

O caminho da suavidade: 柔 é “flexível, brando” e 道 é “caminho”. Kano Jigoro trocou de propósito o sufixo jutsu (técnica) por do (caminho) ao nomear o que havia criado. Quis dizer que ali havia um jeito de formar a pessoa, e não só um jeito de vencer alguém. Suavidade, aqui, é não bater de frente com a força do outro e sim aproveitá-la.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [14] CBJ, 5º kyû.

Kodokan (講道館)

A escola fundada por Kano Jigoro em maio de 1882, berço do Judô e ainda hoje sua referência. O nome está inteiro nos três ideogramas: 講 é “expor, estudar”, 道 é “o caminho” e 館 é “a casa”, a casa onde se estuda o caminho. Saber que foi a primeira escola de Judô é exigência de exame no 9º kyû, e a data de fundação, no 8º.

Fontes: [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [7] Kodokan, Activities; [14] CBJ, 9º e 8º kyû.

Jujutsu (柔術)

A arte de combate que deu origem ao Judô, com o mesmo 柔 do Judô, mas com 術, “técnica”, no lugar de “caminho”. Reúne os métodos de luta sem armas dos guerreiros do Japão antigo. Kano estudou as escolas Tenjin Shinyo-ryu e Kito-ryu, ficou com o que julgou bom, descartou o que julgou perigoso ou inútil e transformou o velho princípio de “vencer a força pela flexibilidade” no princípio do uso mais eficiente da energia.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [6] Kodokan, History of Kodokan Judo; [14] CBJ, 8º kyû.

Seiryoku-zenyo (精力善用, せいりょくぜんよう)

“Usar bem a energia”: 精力 é a energia do corpo e da mente, 善 é “bem” e 用 é “usar”. É o primeiro dos dois princípios do Judô. Nenhuma técnica funciona gastando força à toa, e a menor criança do dojô pode projetar um adulto se aplicar sua energia no ponto e no instante certos. Kano insistia que o princípio vale igual fora do tatame: no estudo, no trabalho, na vida.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, 5º kyû.

Jita-kyoei (自他共栄, じたきょうえい)

“Eu e o outro prosperamos juntos”: 自 é “eu”, 他 é “o outro”, 共 é “junto” e 栄 é “prosperar”. É o segundo princípio do Judô e a razão de o parceiro não ser um obstáculo: sem alguém que se disponha a cair, ninguém aprende a projetar. Para o Kodokan, respeitar o companheiro no dia a dia é a prática concreta do jita-kyoei.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [4] Kodokan, Judo and Rei; [14] CBJ, 5º kyû.

Kuzushi (崩し, くずし)

A quebra do equilíbrio. 崩す é “desmoronar”, como um muro que cede. É a primeira das três fases da técnica e a mais importante: sem tirar o adversário do prumo, o resto vira empurrão. Estudam-se oito direções de desequilíbrio: para a frente, para trás, para cada lado e para as quatro diagonais.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, 8º e 4º kyû.

Tsukuri (作り, つくり)

A preparação. 作る é “fazer, construir”. É a fase em que tori quebra o equilíbrio do adversário e, ao mesmo tempo, coloca o próprio corpo na posição de onde a técnica sai fácil. Boa parte do que parece força, em quem projeta bem, é tsukuri feito direito.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, 4º kyû.

Kake (掛け, かけ)

A execução. 掛ける é “aplicar, engatar”. É a terceira fase: com o equilíbrio já quebrado e o corpo já posicionado, a técnica vai até o fim. Chegar ao kake sem ter feito o kuzushi é o erro mais comum de quem está aprendendo.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo; [14] CBJ, 4º kyû.

Kime (極め, きめ)

A conclusão. 極める é “levar ao ponto máximo”. É a técnica terminada sem sobra: nada de soltar antes do fim nem de deixar a ação pela metade.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Tai-sabaki (体捌き, たいさばき)

O manejo do próprio corpo. 体 é “corpo” e 捌く é “manejar, dar conta de”. É girar, esquivar e reposicionar tronco e quadris para criar o ângulo da técnica. Quem entende tai-sabaki deixa de puxar o adversário para a técnica e passa a levar a técnica até ele.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 5º kyû; [16] FPJUDÔ, exames de dan.

Ma’ai (間合い, まあい)

A distância entre os dois. 間 é “intervalo” e 合い é “relação”. É a distância certa para atacar ou defender, e ela muda conforme o tamanho, a técnica e o momento de cada um, sem medida fixa em centímetros.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Riai (理合い, りあい)

A razão de ser da técnica. 理 é “princípio, lógica”. É a resposta à pergunta “por que isto funciona?”. Duas técnicas parecidas podem ter riai diferente, e é o riai que se estuda no kata.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ukemi (受身, うけみ)

A arte de cair sem se machucar, “o corpo (身) que recebe (受)”. É a primeira coisa que se aprende no Judô e a que se continua treinando a vida inteira: quem sabe cair perde o medo de ser projetado e, por isso, aprende mais rápido. As regras da IJF exigem que o tatame de competição absorva o impacto do ukemi, e a FPJUDÔ mantém os ukemi no exame prático de todas as graduações de dan.

Fontes: [1] IJF, SOR, área de competição; [14] CBJ, 11º a 9º kyû; [16] FPJUDÔ, exames de dan.

Mae-ukemi (前受身, まえうけみ)

A queda para a frente (前, “frente”), sem rolar. Recebe-se o chão com os antebraços e as palmas, cabeça virada de lado, corpo firme como uma tábua.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Ushiro-ukemi (後ろ受身, うしろうけみ)

A queda para trás (後ろ, “atrás”). Queixo colado no peito para a cabeça não bater, os dois braços batendo no tatame ao mesmo tempo para espalhar o impacto. É o primeiro ukemi cobrado pela CBJ, no exame de 11º kyû, feito a partir da posição deitada.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 11º kyû.

Yoko-ukemi (横受身, よこうけみ)

A queda de lado (横, “lado”). Bate-se com o braço do lado que cai, a perna de baixo estendida e a de cima flexionada. A CBJ o pede deitado no 11º kyû e, no 10º, agachado e em pé.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 11º e 10º kyû.

Mae-mawari-ukemi (前回り受身, まえまわりうけみ)

A queda para a frente com rolamento (回り, “girar”). O corpo desenha um círculo do ombro ao quadril oposto e a pessoa se levanta seguindo o movimento. A CBJ o cobra no 10º kyû, e o chama também de “Zempôkaiten ukemi”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 10º kyû.

Kappo (活法, かっぽう)

Os métodos tradicionais de reanimação. 活 é “vida” e 法 é “método”, o “método de trazer de volta”. Por décadas foram ensinados a professores e árbitros. Hoje são proibidos em vários países e não são permitidos aos árbitros nas competições internacionais, ainda que as próprias regras da IJF digam que esse conhecimento é patrimônio do Judô e não deve ser esquecido. As técnicas em si chamam-se katsu (活, かつ). Este glossário registra o conceito; nada aqui autoriza a aplicação, que exige formação específica.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, D1.1.

Kyu-sho (急所, きゅうしょ)

Os pontos vitais do corpo. 急 é “urgente” e 所 é “lugar”. É a noção que organiza o atemi-waza, que não entra no randori nem na competição e só é estudado nos kata.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Bushi-do (武士道, ぶしどう)

“O caminho (道) do guerreiro (武士)”: o código de conduta da classe samurai, feito de coragem, lealdade, autodomínio e palavra cumprida. O Judô nasceu dentro dessa herança cultural e guardou dela a exigência de conduta, não a violência.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, D1.1.

Postura, deslocamento e pegada

Shisei (姿勢, しせい)

A postura. Uma postura errada entrega o equilíbrio antes mesmo de o adversário atacar. Estudam-se seis formas, três naturais e três defensivas, cobradas no exame de 7º kyû.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 7º kyû.

Shizen-tai (自然体, しぜんたい)

A postura natural, “corpo (体) natural (自然)”. De pé, relaxado, joelhos soltos, peso dividido: é a postura de quem pode atacar e defender a qualquer instante, e por isso é a postura básica do Judô. Desdobra-se em shizen-hon-tai (自然本体, しぜんほんたい), frontal; migi-shizen-tai (右自然体, みぎしぜんたい), pé direito à frente; e hidari-shizen-tai (左自然体, ひだりしぜんたい), pé esquerdo à frente.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 7º kyû.

Jigo-tai (自護体, じごたい)

A postura defensiva, “corpo (体) que se protege (自護)”. Mais baixa que a natural, joelhos flexionados, pernas abertas. Protege, mas custa mobilidade: em competição, exagerar nela depois de feita a pegada, sem procurar o ataque, é punido com shido. Desdobra-se em jigo-hon-tai (自護本体, じごほんたい), migi-jigo-tai (右自護体, みぎじごたい) e hidari-jigo-tai (左自護体, ひだりじごたい).

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.1; [14] CBJ, 7º kyû.

Ayumi-ashi (歩み足, あゆみあし)

Andar normal sobre o tatame, um pé passando o outro. Cobre distância depressa, mas há um instante em que as pernas se cruzam: é ali que o adversário procura o golpe de pé.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 6º kyû.

Tsugi-ashi (継ぎ足, つぎあし)

Deslocamento em que um pé avança e o outro o acompanha sem ultrapassá-lo. 継ぐ é “emendar”. A base nunca se cruza e a postura fica sempre pronta. A CBJ o descreve como “passadas sucessivas”.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 6º kyû.

Suri-ashi (すり足, すりあし)

Deslizar os pés sem levantá-los do tatame. 擦る (suru) é “roçar, esfregar”. Quem anda pisando forte oferece, a cada passo, um pé no ar para ser varrido.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kumi-kata (組み方, くみかた)

A maneira de pegar. 組む é “entrelaçar” e 方 é “modo”. Na pegada clássica, uma mão toma a manga, a gola, o peito, o ombro ou as costas de um lado, e a outra faz o mesmo do lado oposto, sempre acima da faixa. Pegadas diferentes (gola e lapela do mesmo lado, cruzada, na faixa) são permitidas enquanto o atleta procura o ataque. Evitar a pegada de propósito é punido com shido.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.2; [14] CBJ, 9º kyû.

Kumi-te (組み手, くみて)

A pegada em si, as mãos (手) presas ao judogi do adversário. Estabelecida a pegada, o regulamento dá 45 segundos para que venha o ataque, desde que haja progressão real.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 18.1.1.

Tsuri-te (釣り手, つりて)

A “mão que pesca”. 釣り é “pescar”. É a mão da gola, a que ergue o adversário como quem levanta a vara. Junto com a hiki-te, forma o par que produz o desequilíbrio.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Hiki-te (引き手, ひきて)

A mão que puxa. Em geral é a que segura a manga. É ela que conduz o adversário para dentro da técnica, e soltá-la cedo demais é a razão de muita projeção que morre pela metade.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Jiku-ashi (軸足, じくあし)

A perna-eixo. É a perna que sustenta o peso e sobre a qual o corpo gira durante a entrada da técnica.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Kogeki (攻撃, こうげき)

Ataque, iniciativa ofensiva. No Judô de competição, atacar não é opcional: a falta de combatividade é punida.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Bogyo (防御, ぼうぎょ)

Defesa. 防 e 御 querem dizer, os dois, “conter, proteger”. O regulamento registra fusegi (防ぎ, ふせぎ) com o mesmo sentido, e é essa a forma que a CBJ usa ao pedir defesas com as pernas no solo (6º kyû) e defesas de técnicas em pé (5º kyû).

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 6º e 5º kyû.

Tokui-waza (得意技, とくいわざ)

A técnica preferida. 得意 é “aquilo em que se é bom”. É o golpe que o judoca domina melhor e em torno do qual organiza seu jogo. Cada um acaba encontrando o seu.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Classificação técnica

Waza (技, わざ)

Técnica, habilidade. É a palavra que aparece no fim do nome de todas as famílias de golpes. Para o Kodokan, toda waza se apoia no mesmo princípio, o uso mais eficiente da energia do corpo e da mente, e são o tsukuri e o kake que traduzem esse princípio em movimento.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [11] Kodokan, The Purpose of Judo.

Nage-waza (投技, なげわざ)

As técnicas de projeção. São 68 na classificação do Kodokan, repartidas em cinco famílias conforme o que faz o trabalho principal: te-waza (braços), koshi-waza (quadril), ashi-waza (pernas e pés), ma-sutemi-waza e yoko-sutemi-waza (sacrifício).

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [17] IJF, Judo technique classification.

Katame-waza (固技, かためわざ)

As técnicas de controle no solo. 固める é “firmar, fixar”. São 32 na classificação do Kodokan, em três famílias: osaekomi-waza (imobilizações), shime-waza (estrangulamentos) e kansetsu-waza (chaves articulares).

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Atemi-waza (当身技, あてみわざ)

Os golpes dirigidos aos pontos vitais. 当てる é “acertar” e 身 é “corpo”. Fazem parte do Judô como conhecimento, mas não entram no randori nem na competição: são estudados apenas nos kata.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [14] CBJ, 2º kyû.

Te-waza (手技, てわざ)

As projeções em que o trabalho principal é dos braços e das mãos (手). São 16 na classificação do Kodokan.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Koshi-waza (腰技, こしわざ)

As projeções de quadril (腰), em que tori carrega o adversário sobre a própria cintura. São 10 na classificação do Kodokan.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Ashi-waza (足技, あしわざ)

As projeções de perna e pé (足): varreduras, ganchos e roçados. São 21 na classificação do Kodokan, a maior família do nage-waza.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Sutemi-waza (捨身技, すてみわざ)

As técnicas de sacrifício. 捨てる é “abandonar” e 身 é “o próprio corpo”: tori abre mão da própria posição em pé e se joga para levar o adversário junto. Dividem-se em ma-sutemi-waza (真捨身技, ますてみわざ), 5 técnicas, em que tori cai de costas na linha do próprio corpo, e yoko-sutemi-waza (横捨身技, よこすてみわざ), 16 técnicas, em que tori cai de lado.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Osaekomi-waza (抑込技, おさえこみわざ)

As imobilizações. São 10 na classificação do Kodokan. Para valer, quem imobiliza precisa estar sobre o adversário, cobrindo-o e aplicando pressão do próprio tronco, numa das posições kesa, shiho ou ura.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 17; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques.

Shime-waza (絞技, しめわざ)

Os estrangulamentos. 絞める é “apertar, comprimir”. São 12 na classificação do Kodokan e levam a ippon por desistência ou por perda de consciência. A prática exige professor presente, pressão progressiva e soltura imediata ao primeiro sinal de desistência.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 14; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Kansetsu-waza (関節技, かんせつわざ)

As chaves articulares. 関節 é “articulação”. São 10 na classificação do Kodokan. Em competição, as regras da IJF permitem apenas as chaves no cotovelo. Fora do cotovelo, a chave se aplica no sentido da articulação e nunca em hiperextensão; no cotovelo, é preciso deixar ao adversário a chance de desistir a tempo.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, D1.1; [3] Kodokan, Kodokan Definitions of Judo Techniques; [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 2º kyû.

Renraku-waza (連絡技, れんらくわざ)

Combinação de técnicas diferentes, uma puxando a outra. 連絡 é “ligação”. O primeiro ataque não precisa acertar: ele existe para provocar a reação que abre a porta para o segundo.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Renzoku-waza (連続技, れんぞくわざ)

A mesma técnica repetida em sequência contínua. No renraku-waza as técnicas mudam; aqui a técnica é uma só, insistida.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Henka-waza (変化技, へんかわざ)

A técnica que muda de identidade no meio do caminho. 変化 é “mudança”. O ataque já começou e o adversário o bloqueia ou reage; em vez de recomeçar, tori aproveita o mesmo movimento e o converte em outra técnica. No renraku-waza há dois ataques encadeados; aqui há um só, que se transforma.

Fontes: [1] IJF, SOR, G1.1.

Renraku-henka-waza

Nome usado no Brasil para o conjunto dos encadeamentos: tori ataca, uke reage, e tori aproveita essa reação para continuar ou trocar de técnica. A CBJ pede sequências assim a partir do 8º kyû, em número crescente a cada faixa: uma no 8º kyû, oito no 1º. A FPJUDÔ as exige no exame prático de todas as graduações do 1º ao 5º Dan. O vocabulário oficial registra separadamente renraku-waza e henka-waza, mas não a forma composta.

Fontes: [14] CBJ, 8º ao 1º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026; [18] FPJUDÔ, Regulamento de Graduação 1º a 5º Dan 2025.

Kaeshi-waza (返し技, かえしわざ)

Os contragolpes. 返す é “devolver”. O adversário ataca, tori anula a conclusão e usa a força, a posição ou o desequilíbrio que ele mesmo criou para projetá-lo. Em competição, quem contra-ataca não pode se valer do impacto da própria queda para concluir a ação, e se os dois caem juntos sem controle claro, ninguém pontua. A CBJ cobra contragolpes a partir do 7º kyû e a FPJUDÔ os exige nos exames do 1º ao 5º Dan.

Fontes: [1] IJF, SOR, Regras de Arbitragem, art. 13.5; [14] CBJ, 7º ao 1º kyû; [16] FPJUDÔ, Regulamento Exame de Graduação 2026.

Go-kyo-no-waza

“As técnicas dos cinco ensinamentos”: o agrupamento didático que organiza as projeções em cinco grupos de dificuldade crescente, do primeiro kyô ao quinto. O Kodokan mantém duas versões: a antiga, de 1895, com 42 técnicas, e a revisada em 1920, com 40. A CBJ segue essa escada nos exames: técnicas do 1º kyô até a faixa amarela/laranja, do 2º kyô na laranja, do 3º na verde, do 4º na roxa e do 5º na marrom.

Fontes: [9] Kodokan, Names of Judo Techniques; [14] CBJ, 8º ao 1º kyû.

Terminologia do Judô: tabela para impressão
Termo Kanji Kana Categoria Descrição
Tori 取 とり Papéis e pessoas Quem aplica a técnica. O ideograma 取 quer dizer “pegar”, “tomar”: tori é quem toma a iniciativa e projeta. No treino, os papéis se revezam: quem é tori agora será uke na repetição seguinte.
Uke 受 うけ Papéis e pessoas Quem recebe a técnica. O ideograma 受 quer dizer “receber”. Cabe a uke cair com ukemi seguro e, no treino combinado, oferecer a reação prevista.
Judoka 柔道家 じゅうどうか Papéis e pessoas Quem pratica Judô. O sufixo 家 designa a pessoa que faz de algo o seu ofício, o mesmo 家 de 専門家 (especialista) e 芸術家 (artista). Judoka nomeia, portanto, quem toma o Judô como modo de viver. Em português dizemos também “judoca”.
Sensei 先生 せんせい Papéis e pessoas Professor. Os dois ideogramas dizem “antes” (先) e “viver” (生): sensei é quem viveu antes, quem já andou o caminho e volta para acompanhar quem está começando agora. O tratamento carrega um compromisso com quem vem depois. É a primeira palavra japonesa que o judoca aprende, ainda na faixa branca.
Shihan 師範 Papéis e pessoas Mestre. Une 師, “mestre”, a 範, “modelo”: o shihan sabe ensinar e serve de exemplo. É o tratamento com que o Kodokan sempre se refere ao fundador, Kano Jigoro Shihan.
Shimpan 審判 しんぱん Papéis e pessoas Arbitragem. Os ideogramas somam “examinar” (審) e “julgar” (判): antes de decidir, olha-se com cuidado. Quem exerce a função é o shimpan-in (審判員, しんぱんいん). A palavra também aparece escrita shinpan.
Shu-shin 主審 しゅしん Papéis e pessoas Árbitro principal. É quem está no tatame com os dois atletas, conduz o combate, anuncia os comandos e as pontuações e faz os gestos correspondentes.
Fuku-shin 副審 ふくしん Papéis e pessoas Árbitro auxiliar. Nas competições grandes da IJF a conferência passou a ser feita pelo vídeo do sistema CARE; onde não há vídeo, o regulamento mantém dois juízes laterais, e a decisão sai por maioria entre os três.
Shosha 勝者 しょうしゃ Papéis e pessoas Vencedor: 勝 é “vencer” e 者 é “a pessoa”. O gesto com que o árbitro aponta o vencedor chama-se kachi (勝ち, かち), “vitória”.
Haisha 敗者 はいしゃ Papéis e pessoas Quem perdeu o combate: 敗 é “ser derrotado” e 者, “a pessoa”. No Judô, os dois se cumprimentam no fim do mesmo jeito que no começo. A saudação não muda conforme o resultado.
Yudansha Papéis e pessoas Quem já tem faixa preta. A palavra quer dizer “aquele que tem dan”: yu é “ter”, dan é o grau, sha é a pessoa. No Brasil, a CBJ chama de yudansha as faixas pretas do 1º ao 5º Dan, cuja graduação é homologada pela Confederação depois de exame teórico e prático.
Kodansha Papéis e pessoas Quem chegou às altas graduações: faixa vermelha e branca, do 6º ao 8º Dan, e faixa vermelha, no 9º e no 10º. A CBJ define o título como reconhecimento de quem se dedicou por décadas ao aprendizado, à prática contínua, ao ensino e à pesquisa do Judô. O kodansha é também depositário e responsável pela difusão dos princípios filosóficos e educacionais do Judô. Saber o que a palavra significa é exigido já na faixa marrom.
Dangai Papéis e pessoas Nome que a CBJ dá ao conjunto dos praticantes abaixo da faixa preta, da branca à marrom. Essas graduações são dadas pela associação, em exame conduzido por um professor faixa preta, maior de 18 anos, inscrito no Registro Geral de Graduação, e homologadas pela federação do estado.
Dojo 道場 どうじょう Ambiente, área de competição e vestuário O lugar onde se treina. Literalmente, “lugar do caminho”: 道 é o caminho (o mesmo do de Judô) e 場 é o lugar. O nome já diz que ali não se aprende só a projetar. É onde se aprendem os dois princípios do Judô, seiryoku-zenyo e jita-kyoei, e onde a etiqueta se pratica todo dia. A CBJ traduz por “academia”. Em português escreve-se dojô.
Tatami 畳 たたみ Ambiente, área de competição e vestuário A esteira sobre a qual se pratica. O nome vem do verbo 畳む, “dobrar, empilhar”, porque as esteiras antigas de palha eram guardadas assim. Hoje são de espuma prensada. Para competições da IJF, cada peça mede 1 m × 2 m × 5 cm e precisa ser firme sob os pés, absorver o impacto do ukemi e não escorregar. Em português dizemos tatame.
Shiai-jo 試合場 しあいじょう Ambiente, área de competição e vestuário A área de competição, o “lugar (場) do combate (試合)”. Divide-se em duas zonas de cores diferentes: a área de combate, de 8 m × 8 m a 10 m × 10 m, e a área de segurança em volta, de no mínimo 3 m.
Jo-nai 場内 じょうない Ambiente, área de competição e vestuário Dentro da área. 内 é “dentro”. Em pé, os atletas continuam dentro enquanto pelo menos um pé de um deles estiver na área de combate; no solo, enquanto qualquer parte do corpo de um deles estiver dentro.
Jo-gai 場外 じょうがい Ambiente, área de competição e vestuário Fora da área. 外 é “fora”. Sair de propósito, sem ataque em andamento, é punido com shido. Um ataque que começou dentro pode terminar até dois metros para dentro da área de segurança, sem interrupção.
Jo-seki 上席 じょうせき Ambiente, área de competição e vestuário O lugar de honra do dojô, o “assento (席) de cima (上)”. É onde se sentam os professores e os convidados de graduação mais alta. A saudação dirigida a ele honra o lugar e o que ele representa, não uma pessoa.
Shomen 正面 しょうめん Ambiente, área de competição e vestuário A frente do dojô, “a face (面) principal (正)”. É a direção da saudação anunciada como “Shomen-ni-rei!”.
Judogi 柔道衣 じゅうどうぎ Ambiente, área de competição e vestuário O uniforme: casaco, calça e faixa. O 衣 final quer dizer simplesmente “roupa”, e judogi é “a roupa do Judô”. Nas competições da IJF, é branco ou azul e passa por conferência de medidas antes da luta; alterar o judogi para dificultar a pegada do adversário é tratado como falta contra o espírito do Judô.
Jo-i 上衣 じょうい Ambiente, área de competição e vestuário O casaco, a “roupa (衣) de cima (上)”. A CBJ chama a mesma peça de uwagi. As duas formas circulam no tatame, e mudam só de nome.
Shita-baki 下穿き したばき Ambiente, área de competição e vestuário A calça, literalmente “o que se veste (穿き) embaixo (下)”. Também aparece escrita “shitabaki”, sem hífen.
Obi 帯 おび Ambiente, área de competição e vestuário A faixa. Faz duas coisas: fecha o casaco e mostra a graduação. O combate só começa com a faixa amarrada firme acima dos ossos do quadril. Amarrar a própria faixa corretamente é exigência de exame já no 8º kyû.
Eri 襟 えり Ambiente, área de competição e vestuário A gola e a lapela do casaco. É uma das regiões onde a pegada é permitida, ao lado da manga, do peito, do ombro e das costas. Cobrir a parte alta da lapela para o adversário não conseguir pegá-la é punido com shido.
Sode 袖 そで Ambiente, área de competição e vestuário A manga do casaco. É a pegada mais comum da mão que puxa (hiki-te). A pegada mais habitual põe uma mão na manga e a outra na gola do lado oposto.
Zori 草履 ぞうり Ambiente, área de competição e vestuário A sandália usada para andar fora do tatame. 草 é “erva” e 履 é “calçado”, porque as antigas eram trançadas de palha de arroz. Calçar o zori ao sair do tatame é o que mantém a área de treino limpa. A CBJ registra o termo como “chinelo”, grafado “Zoori”.
Rei 礼 れい Etiqueta Respeito, cortesia. Para o Kodokan, rei é reconhecer o valor da outra pessoa e demonstrar isso, e esse hábito faz crescer o jita-kyoei, a prosperidade de todos. Vem daí a frase que se ouve em todo dojô: o Judô começa com rei e termina com rei. Como comando do árbitro, “Rei!” significa “saudar”.
Rei-ho 礼法 れいほう Etiqueta A maneira de demonstrar rei. 法 é “método”. São os gestos: como entrar no tatame, como se posicionar, como saudar. No dojô ensinam-se duas formas: o ritsu-rei, em pé, e o za-rei, ajoelhado. Mas o Kodokan adverte que elas não esgotam o assunto. Cumprir a forma sem o espírito que a sustenta é menos do que se espera de um judoca.
Ritsu-rei 立礼 りつれい Etiqueta A saudação em pé. O tronco se inclina cerca de 30 graus e as mãos deslizam pela frente das coxas. A CBJ pede a demonstração já no exame de faixa branca/cinza.
Za-rei 坐礼 ざれい Etiqueta A saudação ajoelhada, feita a partir de seiza. 坐 é “sentar”. As mãos descem ao tatame e formam um triângulo à frente dos joelhos. É a saudação de abertura e de encerramento da aula. O kanji aparece também na variante 座礼, com o mesmo sentido.
Seiza 正坐 せいざ Etiqueta Sentar-se sobre os joelhos, com as pernas dobradas sob o corpo e as costas eretas. Literalmente, “sentar (坐) direito (正)”. É a posição de onde se faz o za-rei e de onde se escuta o professor.
“Kiotsuke!” 気をつけ きをつけ Etiqueta “Atenção!” A expressão diz, ao pé da letra, “ponha o seu ki”: junte a atenção que estava espalhada. À voz de kiotsuke, a turma fica de pé, ereta, com os calcanhares unidos.
“Otagai-ni-rei!” お互いに礼 おたがいにれい Etiqueta “Saudem-se uns aos outros”. 互い é “mútuo”. É a saudação entre companheiros, sem ninguém acima de ninguém. Nas competições por equipes, o árbitro ergue os antebraços com as palmas voltadas uma para a outra, põe as equipes frente a frente e anuncia “Rei!”.
“Shomen-ni-rei!” 正面に礼 しょうめんにれい Etiqueta “Saudem a frente do dojô”. Volta-se para o shomen e cumprimenta-se o lugar e, com ele, todos os que treinaram ali antes. Na cerimônia das competições por equipes, o árbitro estende os braços à frente indicando a mesa e anuncia “Rei!”; ele próprio não se curva.
Ichi 一 いち Números e contagem Um. Pronuncia-se “ítchi”. É por onde começa toda contagem de aula: de repetições de uchikomi, de ukemi, de técnicas.
Ni 二 に Números e contagem Dois. Pronuncia-se “ni”, curto e seco, como em “nível”.
San 三 さん Números e contagem Três. Pronuncia-se “san”, com o n final nasal, mais perto de “sã” do que de “sane”.
Shi / Yon 四 し, よん Números e contagem Quatro, o primeiro número em que a leitura muda conforme o lugar em que ele aparece. Shi (“xi”) é a de quando se conta em voz alta, em sequência, e é assim que se conta em aula. Yon (“ión”, numa sílaba só, com o io de “iogurte”) é a usada quando o número aparece sozinho ou dentro de outro: quarenta é yonjû, nunca shijû. A troca tem origem em superstição: 死, que também se lê shi, quer dizer “morte”.
Go 五 ご Números e contagem Cinco. Pronuncia-se “gô”. É o mesmo go de go-kyo-no-waza, os cinco grupos de técnicas.
Roku 六 ろく Números e contagem Seis. Pronuncia-se “róku”, com o r brando de “caro”; o r japonês nunca tem o som forte de “rato”. É o roku de roku-dan, o 6º Dan.
Shichi / Nana 七 しち, なな Números e contagem Sete, o segundo dos três números com leitura dupla. Shichi (“xítchi”) é a de quando se conta em sequência; nana é a preferida quando há risco de confusão com ichi, e é a que aparece nas dezenas: setenta é nanajû.
Hachi 八 はち Números e contagem Oito. Pronuncia-se “hátchi”, com o h soprado do inglês house: em japonês o h nunca tem som de r.
Ku / Kyu 九 く, きゅう Números e contagem Nove, o terceiro e último deles. Ku é a usada quando se conta em sequência; kyû (“kiú”, numa sílaba só, com o u esticado) é a mais comum fora dela. Não confunda com o kyû das graduações, que se escreve 級 e é outra palavra.
Ju 十 じゅう Números e contagem Dez. Pronuncia-se “djú”, com o j de jeans e o u esticado, que dura o dobro. Fecha a contagem de aula e é a peça com que se montam todos os números até noventa e nove.
Contagem de aula, de um a dez Números e contagem Seguidos, os dez ficam assim: ichi, ni, san, shi, go, roku, shichi, hachi, ku, jû. Quatro, sete e nove entram aqui como shi, shichi e ku, que é como se bate o ritmo de uma série. A CBJ cobra essa contagem no exame de faixa cinza, 10º kyû, a partir dos cinco anos de idade, e a grafa “iti, ni, san, shi, go, roku, shiti, hati, kyû, jû”: é romanização antiga, em que ti soa “tchi”, de modo que iti é ichi, shiti é shichi e hati é hachi. Onde o exame escreve kyû, a contagem em voz alta costuma dizer ku.
De onze a dezenove 十一 – 十九 じゅういち – じゅうきゅう Números e contagem Basta somar: dez mais a unidade, nesta ordem. Jûichi (11), jûni (12), jûsan (13), jûshi ou jûyon (14), jûgo (15), jûroku (16), jûshichi ou jûnana (17), jûhachi (18), jûku ou jûkyû (19). Não há nada irregular aqui, nenhum equivalente ao nosso “onze” ou “doze”.
Dezenas, de vinte a noventa 二十 – 九十 にじゅう – きゅうじゅう Números e contagem Agora a ordem se inverte: a unidade vem antes do dez. Nijû (20), sanjû (30), yonjû (40), gojû (50), rokujû (60), nanajû (70), hachijû (80), kyûjû (90). Quarenta, setenta e noventa usam yon, nana e kyû, nunca shi, shichi ou ku. Para os números do meio, encaixa-se a unidade no fim: 21 é nijûichi, 48 é yonjûhachi, 99 é kyûjûkyû.
Centenas, de cem a novecentos 百 ひゃく Números e contagem Cem é hyaku. Daí em diante: nihyaku (200), sanbyaku (300), yonhyaku (400), gohyaku (500), roppyaku (600), nanahyaku (700), happyaku (800), kyûhyaku (900). Três, seis e oito deformam o som quando se juntam a hyaku, em sanbyaku, roppyaku e happyaku, e essas três são as exceções das centenas. Para montar um número, leia da esquerda para a direita: 365 é sanbyaku rokujûgo.
Sen 千 せん Números e contagem Mil. Diz-se sen, sem o “um” na frente: 1000 é apenas sen, e não ichisen. Escrevendo por extenso, 999 é kyûhyaku kyûjûkyû; o passo seguinte é sen. Nos milhares reaparecem duas deformações: 3000 é sanzen e 8000 é hassen. De dez mil em diante o “um” volta: 10 000 é ichiman (一万).
Rei (zero) 零 れい Números e contagem Zero. A forma tradicional é rei, outra palavra e outro kanji, sem parentesco com o 礼 da saudação. No dia a dia e nos placares usa-se muito mais zero (ゼロ), tomado do inglês.
Hon, contador de pontos 本 ほん Números e contagem Em japonês, o número não vem sozinho: junta-se a ele um contador, que muda conforme o que se conta. O contador dos pontos do Judô é 本, e é por isso que a pontuação máxima se chama ippon, “um ponto”. Dois seriam nihon e três, sanbon; o som muda conforme a unidade, como nas centenas. No combate isso não aparece, porque o ippon encerra a luta.
Kata (forma, ombro, um lado, modo) 形 / 肩 / 片 / 方 かた Palavras que se confundem Quatro palavras diferentes com o mesmo som, e todas aparecem no Judô. 形 é a forma, a sequência estudada, o kata do Nage-no-kata. 肩 é o ombro: é esse que está em kata-guruma (肩車, “roda sobre os ombros”) e em kata-gatame (肩固). 片 quer dizer “um só dos dois”, e é esse que nomeia kata-te-jime (片手絞), o estrangulamento com uma única mão. 方 é o modo de fazer, como em kumi-kata (組み方), e também a maneira respeitosa de dizer “pessoa”. Ao ouvir “kata”, o que decide o sentido é a palavra ao lado.
Ju (suave e dez) 柔 / 十 じゅう Palavras que se confundem 柔 é a suavidade, a flexibilidade, o ju de Judô e de jujutsu. 十 é o número dez. Soam igual e não têm parentesco nenhum. O mesmo 十 aparece em juji-gatame (十字固): 十字 (jûji) é “em forma de cruz”, porque 十 é o dez e 字 é “caractere”, e o caractere do dez é desenhado como uma cruz.
Kyu (grau, nove e urgente) 級 / 九 / 急 きゅう Palavras que se confundem 級 é o grau anterior à faixa preta. 九 é o número nove. 急 quer dizer “urgente” e é o que está em kyu-sho (急所), os pontos vitais. No 9º kyû (九級) dois deles ficam lado a lado: 九 é o número nove e 級 é o grau. Soam igual, mas continuam sendo caracteres diferentes.
Shi (quatro, morte, mestre e prova) 四 / 死 / 師 / 試 し Palavras que se confundem 四 é quatro. 死 é morte, e é por causa dessa coincidência que os japoneses preferem dizer yon no lugar de shi em muitas situações. 師 é o mestre, o de shihan (師範). 試 é “provar, pôr à prova”, o de shiai (試合).
Sen (antes, mil e combate) 先 / 千 / 戦 せん Palavras que se confundem 先 é “antes”, o de sensei (先生). 千 é mil. 戦 é combate, o de encho-sen (延長戦), o combate prolongado.
Rei (saudação e zero) 礼 / 零 れい Palavras que se confundem 礼 é a saudação, a cortesia, a palavra com que a aula começa e termina. 零 é o zero. Mesmo som, caracteres e origens sem nenhuma relação.
Jo (lugar e cima) 場 / 上 じょう Palavras que se confundem 場 é o lugar: dojo (道場), shiai-jo (試合場), jo-gai (場外). 上 é “em cima”: jo-i (上衣), o casaco, e jo-seki (上席), o lugar de honra. O jo de quem sai da área e o jo do casaco não têm nada em comum além do som.
Ma (intervalo e verdadeiro) 間 / 真 ま Palavras que se confundem 間 é o intervalo, o espaço entre, o de ma’ai (間合い), a distância entre os dois. 真 é “verdadeiro, direto”, o de ma-sutemi-waza (真捨身技), o sacrifício em que tori cai direto para trás, na linha do próprio corpo.
Uchi (dentro e bater) 内 / 打 うち Palavras que se confundem 内 é “dentro”: uchi-mata (内股) é a coxa atacada por dentro, e o-uchi e ko-uchi são os golpes que entram por dentro da base do adversário. 打 é “bater, cravar”: é o de uchikomi (打ち込み), a repetição da entrada. Ouvir “uchi” não diz de qual dos dois se trata; quem diz é o resto do nome.
Shime (apertar e estrangular) 絞 / 締 しめ Palavras que se confundem No mesmo treino a criança ouve as duas. 絞 é o estrangulamento, o de shime-waza (絞技). 締 é apertar, prender, o verbo de amarrar a faixa, 帯を締める. Um aperta o judogi, o outro aperta o pescoço.
Uke e uki 受 / 浮 うけ, うき Palavras que se confundem Não são a mesma palavra, mas o ouvido brasileiro troca uma pela outra. 受 é “receber”: uke, ukemi. 浮 é “flutuar”: uki-goshi (浮腰), uki-waza (浮技), uki-otoshi (浮落). Quando o nome de uma técnica começa com uki, ele fala de leveza, de tirar o peso do chão, sem nenhuma relação com quem recebe.
Hon (ponto e base) 本 ほん Palavras que se confundem Aqui o caractere é um só, com dois empregos que confundem. Como contador, 本 conta os pontos, e é o de ippon. Como palavra, 本 quer dizer “base, principal”, e é esse o sentido em shizen-hon-tai (自然本体) e jigo-hon-tai (自護本体), as posturas frontais, que são a forma-base de onde saem as variantes à direita e à esquerda.
Por que o som muda no meio do nome Palavras que se confundem É a mesma palavra, mas a consoante inicial amolece quando ela entra na segunda metade de um nome composto. Katame (固, prender) vira -gatame em kesa-gatame. Koshi (腰, quadril) vira -goshi em harai-goshi. Kuruma (車, roda) vira -guruma em hiza-guruma. Shime (絞, apertar) vira -jime em juji-jime. Kaeshi (返, devolver) vira -gaeshi em hikikomi-gaeshi. E harai (払, varrer) vira -barai em de-ashi-barai, e por isso a mesma técnica aparece escrita das duas formas. É regra da língua, e reconhecê-la ajuda a enxergar as palavras que se repetem de um nome de técnica para outro. Com hon (本, o contador dos pontos) acontece outra coisa: em ichi + hon o número encolhe e o h vira p, dando ippon. É o mesmo que já apareceu nas centenas, em roppyaku (600) e happyaku (800).
Dan 段位 だんい Sistema de graduação O grau de quem já é faixa preta. O ideograma 段 é o “degrau” de uma escada: sobe-se um de cada vez, do shodan (1º dan) ao 2º, ao 3º, e assim por diante. Não há atalho. O Kodokan fixa uma idade mínima para cada grau (14 anos para o shodan, 20 para o 5º, 27 para o 6º, 33 para o 7º e 42 para o 8º) e um kata a ser apresentado em cada um. No Brasil, as faixas pretas do 1º ao 5º Dan são homologadas pela CBJ.
Kyu 級位 Sistema de graduação O grau de quem ainda não é faixa preta. Conta-se ao contrário do dan: começa-se no 11º kyû e sobe-se até o 1º, a faixa marrom, que fica logo abaixo da preta. O Kodokan mantém um sistema próprio de kyû para crianças, criado para garantir segurança no treino e nas competições infantis. No Brasil, a CBJ organiza onze kyû.
Cores de faixa no sistema da CBJ Sistema de graduação A ordem no Brasil é esta: branca (iniciante), branca/cinza (11º kyû), cinza (10º), cinza/azul (9º), azul (8º), azul/amarela (7º), amarela (6º), amarela/laranja (5º), laranja (4º), verde (3º), roxa (2º) e marrom (1º kyû). Depois vêm a faixa preta, do 1º ao 5º Dan; a vermelha e branca, do 6º ao 8º; e a vermelha, no 9º e no 10º. A CBJ chama de “básicas” as faixas da branca à amarela/laranja e de “intermediárias” a laranja, a verde, a roxa e a marrom. Saber essa ordem é exigência de exame no 7º kyû.
Shodan Sistema de graduação O primeiro grau de faixa preta. Sho é “início”, e o shodan marca o começo do estudo sério. No Kodokan, a idade mínima é 14 anos e apresenta-se a parte do Nage-no-kata correspondente a te-waza, koshi-waza e ashi-waza. No Brasil, a CBJ pede 16 anos completos e ao menos dois anos de faixa marrom; a FPJUDÔ acrescenta módulos de História, Filosofia, Ética e Terminologia, exame teórico e exame prático com ukemi, tai-sabaki, Nage-no-kata completo e fundamentos.
Batsugun Sistema de graduação Promoção conquistada dentro da competição. Nos Torneios Vermelho e Branco, realizados duas vezes por ano na sede do Kodokan e no Centro Internacional de Judô de Osaka, quem obtém a sequência de vitórias exigida sobe de grau no mesmo dia, ali mesmo.
Keiko 稽古 けいこ Formatos de prática Treino. 稽 é “refletir, consultar” e 古 é “o antigo”: treinar é consultar o que veio antes, repetir aquilo que outros lapidaram para chegar até aqui. Aparece dentro do nome de vários formatos, como kakari-geiko e yakusoku-geiko.
Randori 乱取 らんどり Formatos de prática Treino livre: os dois atacam e defendem sem nada combinado. Os ideogramas dizem “tomar (取) na desordem (乱)”, que é aprender a achar a técnica no meio do movimento imprevisível, onde ela realmente existe. Junto com o kata e o shiai, é uma das três formas fundamentais da prática do Judô.
Kata 形 かた Formatos de prática Forma. É a sequência fixa em que a técnica é estudada com papéis, ordem e detalhes definidos: no randori se descobre, no kata se apura. O Kodokan mantém sete kata oficiais: Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata. Cada grau de faixa preta tem o seu: Nage-no-kata (parcial) no shodan, Nage-no-kata no 2º dan, Katame-no-kata no 3º, Ju-no-kata no 4º, Kime-no-kata no 5º, Goshin-jutsu no 6º, Itsutsu-no-kata no 7º e Koshiki-no-kata no 8º.
Uchikomi 打ち込み うちこみ Formatos de prática Repetir a entrada da técnica sem derrubar o companheiro. 打ち込む é “entrar batendo, cravar”: entra-se de novo e de novo até que o corpo aprenda o caminho e não precise mais pensar nele. A CBJ traduz por “treinamento de entrada das técnicas”.
Nagekomi 投げ込み なげこみ Formatos de prática Repetir a projeção inteira, com o companheiro caindo a cada vez. 投げる é “arremessar”. É o passo seguinte ao uchikomi: aqui a técnica vai até o fim, o que exige ukemi seguro do parceiro e espaço suficiente no tatame.
Kakari-geiko かかり稽古 かかりげいこ Formatos de prática Treino em que um ataca sem parar e o outro só se defende. Serve para aprender a atacar cansado, que é quando a técnica precisa aparecer sozinha.
Yakusoku-renshu 約束練習 やくそくれんしゅう Formatos de prática Treino combinado. 約束 é “promessa, combinado”. Os dois acertam antes quem ataca, o que o outro faz e em que ordem. É o formato certo para estudar encadeamentos e contragolpes antes de levá-los ao randori.
Sotai-renshu 相対練習 そうたいれんしゅう Formatos de prática Treino com parceiro, um diante do outro. 相対 é “frente a frente”. É o oposto do tandoku-renshu.
Tandoku-renshu 単独練習 たんどくれんしゅう Formatos de prática Treino sozinho. 単独 é “sozinho, isolado”. Deslocamentos, tai-sabaki, entradas de técnica no vazio, ukemi. É o treino que se pode fazer em qualquer lugar.
Shiai 試合 しあい Formatos de prática Competição. Os ideogramas dizem “provar (試) um com o outro (合)”: é o dia de pôr à prova, sob regras e diante de um árbitro, aquilo que se treinou. Junto com o randori e o kata, é uma das três formas fundamentais da prática.
Tachi-waza 立技 たちわざ Formatos de prática Trabalho em pé. Em competição, a situação é de tachi-waza enquanto os dois estão em pé e nenhum deles caiu para uma das posições de solo.
Ne-waza 寝技 ねわざ Formatos de prática Trabalho no solo. 寝 é “deitar”. A passagem do trabalho em pé para o solo só vale se houver um ataque ou contra-ataque de verdade seguido da busca de imobilização, estrangulamento ou chave; puxar o adversário para baixo sem continuidade é punido com shido. A postura correspondente chama-se ne-shisei (寝姿勢, ねしせい).
“Hajime!” 始め はじめ Arbitragem, pontuação e resultado “Comecem!” O combate sempre começa com os dois em pé, judogi em ordem e faixa firme acima do quadril; só então o árbitro anuncia. É também a palavra que reinicia a luta depois de um “Mate!”.
“Mate!” 待て まて Arbitragem, pontuação e resultado “Esperem!” Interrompe o combate por um instante. O árbitro anuncia quando os dois saem da área sem ação em andamento, quando há falta, em caso de lesão e para ajustar judogi ou cabelo. Também quando o trabalho no solo não avança mais, ou quando um atleta se levanta erguendo do tatame o adversário que está de costas, agarrado a ele com as pernas. O gesto é o braço erguido à altura do ombro, palma aberta para a mesa.
“Sore-made!” それまで Arbitragem, pontuação e resultado “Até aqui”, o fim do combate. O árbitro anuncia quando há ippon ou dois waza-ari; quando há hansoku-make, seja por falta grave, seja pelo terceiro shido; quando um atleta desiste; quando o tempo acaba; e quando sai a pontuação no golden score. A expressão se escreve só em kana, sem kanji.
“Osaekomi!” 抑え込み おさえこみ Arbitragem, pontuação e resultado “Imobilizado!” 抑え込む é “prender contra o chão”. Anuncia que a imobilização está valendo e o relógio começou a contar. Só vale sob três condições: quem está por baixo tem as costas ou toda a região das escápulas no tatame; é controlado por cima, pelo lado ou por trás; e quem imobiliza não tem o corpo nem as pernas presos pelas pernas do adversário. O gesto é o braço apontado para os dois, palma para baixo.
“Toketa!” 解けた とけた Arbitragem, pontuação e resultado “Soltou!” Anuncia que a imobilização foi desfeita e o relógio para. Trocar de imobilização sem perder o controle não é toketa: o tempo continua correndo. O gesto é o braço à frente, dedos estendidos e polegar para cima, balançado de um lado para o outro duas ou três vezes.
“Sono-mama!” そのまま Arbitragem, pontuação e resultado “Assim como está!” Congela a posição: ninguém se mexe, ninguém troca a pegada. Só pode ser usado com os dois no solo. O árbitro se inclina e toca ambos com as palmas das mãos para garantir que nada mude enquanto resolve o que precisa ser resolvido. Escreve-se só em kana.
“Yoshi!” よし Arbitragem, pontuação e resultado “Pode seguir!” É a palavra que solta o combate depois de um “Sono-mama!”. O árbitro toca com firmeza os dois atletas, e a luta recomeça exatamente da posição em que parou.
“Maitta!” 参った まいった Arbitragem, pontuação e resultado “Eu desisto”. Vale o mesmo que bater duas ou mais vezes com a mão ou com o pé, e costuma acontecer sob imobilização, estrangulamento ou chave: a desistência dá ippon ao adversário. No treino, é o sinal que obriga a soltar na hora.
Ippon 一本 いっぽん Arbitragem, pontuação e resultado O ponto que encerra o combate. 一 é o um e 本 é o contador dos pontos: “um ponto”, o ponto inteiro. É a projeção completa: velocidade, força, o adversário caindo de costas e tori controlando a queda até o fim. No solo, vale ippon a imobilização de 20 segundos, a desistência e a perda de consciência. As regras da IJF são explícitas: o objetivo do Judô é o ippon, e as pontuações menores só contam para quem estava tentando alcançá-lo.
Waza-ari 技あり わざあり Arbitragem, pontuação e resultado “Há técnica”. É o que o árbitro reconhece quando a projeção foi boa, mas faltou algo para o ippon. Em pé, é a queda que passa de 90 graus do eixo dos ombros sem chegar às costas inteiras. No solo, é a imobilização mantida de 10 a 19 segundos. Dois waza-ari somam ippon e acabam a luta. O gesto começa com o braço cruzado sobre o peito e termina com ele estendido para o lado, palma para baixo.
Waza-ari-awasete-ippon 技あり,合せて一本 わざあり,あわせていっぽん Arbitragem, pontuação e resultado “Waza-ari, somando ippon”: o anúncio do segundo waza-ari, que fecha o combate. O árbitro faz o gesto de waza-ari e emenda o de ippon. A soma de pontuações chama-se awase-waza (合せ技, あわせわざ).
Yuko 有効 ゆうこう Arbitragem, pontuação e resultado “Que teve efeito”. É a pontuação abaixo do waza-ari, de volta às regras na versão atual do regulamento da IJF. Em pé, vale yuko quando uke cai de lado, a 90 graus ou mais em direção à frente; sobre a parte alta das costas; sobre o eixo dos ombros, apoiando cotovelo ou mão; sobre uma ou as duas nádegas; ou sobre o pescoço. Não vale se a barriga, a frente dos dois quadris ou os dois joelhos tocarem o tatame antes da queda de lado, ou junto com ela. No solo, é a imobilização de 5 a 9 segundos. Yuko não se soma: dez yuko continuam valendo menos que um waza-ari. No golden score, porém, o primeiro yuko encerra a luta. No Brasil, o RNC 2026 da CBJ adota os mesmos tempos de imobilização.
Shido 指導 しどう Arbitragem, pontuação e resultado A penalidade leve, e a palavra diz “orientação”: 指 é “apontar” e 導 é “guiar”. A ideia é corrigir, não castigar. Cabe shido por falta de combatividade, por movimento irregular sem perigo e por judogi ou cabelo em desalinho. Os dois primeiros são avisos; o terceiro vira hansoku-make e encerra o combate. Shido não dá ponto ao adversário: o placar só registra pontuação técnica.
Hansoku-make 反則負け はんそくまけ Arbitragem, pontuação e resultado Derrota por falta. 反則 é “infração” (ir contra a regra) e 負け é “derrota”. Pode vir pelo acúmulo de três shido ou direto, por infração grave: técnica perigosa ou ato contrário ao espírito do Judô. Nos dois casos o adversário vence por ippon; conforme a gravidade, o atleta pode ou não seguir na competição. A falta em si chama-se hansoku (反則, はんそく). No Brasil, o RNC 2026 registra que o hansoku-make disciplinar elimina o atleta da competição.
Kinshi-waza 禁止技 きんしわざ Arbitragem, pontuação e resultado Técnicas proibidas em competição. A proibição tem camadas: há técnicas permitidas em todas as idades; há técnicas permitidas para adultos e juniores, mas proibidas para cadetes; e há quatro técnicas do repertório do Kodokan que a IJF não permite em nenhum de seus eventos: kawazu-gake, kani-basami, do-jime e ashi-garami. Proibido em competição não quer dizer apagado do Judô: as próprias regras dizem que todas as técnicas do Kodokan são patrimônio do Judô e devem continuar sendo ensinadas.
Hantei 判定 はんてい Arbitragem, pontuação e resultado Decisão dos árbitros. 判 é “julgar” e 定 é “definir”. Era assim que se decidia o combate empatado, pelo julgamento de quem arbitrava. Nas regras atuais isso não acontece mais no combate individual: o empate segue no golden score, que não tem tempo limite.
Encho-sen 延長戦 えんちょうせん Arbitragem, pontuação e resultado Combate prolongado. Nas regras atuais da IJF chama-se golden score: não tem tempo limite, as pontuações e os shido do tempo normal continuam valendo, e termina na primeira pontuação técnica, no hansoku-make ou na desistência. Se a imobilização começar aí, o yuko aos 5 segundos já encerra a luta.
Hikiwake 引き分け ひきわけ Arbitragem, pontuação e resultado Empate, literalmente “puxar (引き) e separar (分け)”, como quem separa dois que estão presos um ao outro. Nas competições individuais da IJF ele não existe mais: o combate empatado segue no golden score. Mas continua contando no sistema de graduação do Kodokan, que dá pontuação ao empate conforme a diferença de grau entre os dois.
Fusen-gachi 不戦勝ち ふせんがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória sem combate. 不 é “não”, 戦 é “combate”, 勝ち é “vitória”. Depois da última chamada, o placar conta 30 segundos; se o adversário não aparecer no tatame, quem está lá vence. Vale também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene antes do início.
Kiken-gachi 棄権勝ち きけんがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória por desistência do adversário durante o combate, seja qual for o motivo. 棄権 é “abrir mão do direito de disputar”. Aplica-se também quando o adversário se recusa a cumprir as exigências de higiene depois de a luta ter começado, ou quando perde uma lente de contato e avisa ao árbitro que não tem como continuar.
Yusei-gachi 優勢勝ち ゆうせいがち Arbitragem, pontuação e resultado Vitória por superioridade. 優勢 é “estar em vantagem”. Era a vitória de quem terminava o combate à frente. Nas regras atuais da IJF o desempate não se faz assim: o combate empatado segue no golden score.
Ikioi 勢い いきおい Arbitragem, pontuação e resultado Ímpeto: força e velocidade na mesma ação. É uma das duas qualidades que o árbitro procura numa projeção para reconhecer o ippon.
Hazumi はずみ Arbitragem, pontuação e resultado O impulso vivo do movimento: o quique, o ritmo, a nitidez com que a técnica sai. É a outra qualidade que, junto com o ikioi, caracteriza a projeção digna de ippon. Escreve-se só em kana.
Judo 柔道 じゅうどう Princípios técnicos gerais O caminho da suavidade: 柔 é “flexível, brando” e 道 é “caminho”. Kano Jigoro trocou de propósito o sufixo jutsu (técnica) por do (caminho) ao nomear o que havia criado. Quis dizer que ali havia um jeito de formar a pessoa, e não só um jeito de vencer alguém. Suavidade, aqui, é não bater de frente com a força do outro e sim aproveitá-la.
Kodokan 講道館 Princípios técnicos gerais A escola fundada por Kano Jigoro em maio de 1882, berço do Judô e ainda hoje sua referência. O nome está inteiro nos três ideogramas: 講 é “expor, estudar”, 道 é “o caminho” e 館 é “a casa”, a casa onde se estuda o caminho. Saber que foi a primeira escola de Judô é exigência de exame no 9º kyû, e a data de fundação, no 8º.
Jujutsu 柔術 Princípios técnicos gerais A arte de combate que deu origem ao Judô, com o mesmo 柔 do Judô, mas com 術, “técnica”, no lugar de “caminho”. Reúne os métodos de luta sem armas dos guerreiros do Japão antigo. Kano estudou as escolas Tenjin Shinyo-ryu e Kito-ryu, ficou com o que julgou bom, descartou o que julgou perigoso ou inútil e transformou o velho princípio de “vencer a força pela flexibilidade” no princípio do uso mais eficiente da energia.
Seiryoku-zenyo 精力善用 せいりょくぜんよう Princípios técnicos gerais “Usar bem a energia”: 精力 é a energia do corpo e da mente, 善 é “bem” e 用 é “usar”. É o primeiro dos dois princípios do Judô. Nenhuma técnica funciona gastando força à toa, e a menor criança do dojô pode projetar um adulto se aplicar sua energia no ponto e no instante certos. Kano insistia que o princípio vale igual fora do tatame: no estudo, no trabalho, na vida.
Jita-kyoei 自他共栄 じたきょうえい Princípios técnicos gerais “Eu e o outro prosperamos juntos”: 自 é “eu”, 他 é “o outro”, 共 é “junto” e 栄 é “prosperar”. É o segundo princípio do Judô e a razão de o parceiro não ser um obstáculo: sem alguém que se disponha a cair, ninguém aprende a projetar. Para o Kodokan, respeitar o companheiro no dia a dia é a prática concreta do jita-kyoei.
Kuzushi 崩し くずし Princípios técnicos gerais A quebra do equilíbrio. 崩す é “desmoronar”, como um muro que cede. É a primeira das três fases da técnica e a mais importante: sem tirar o adversário do prumo, o resto vira empurrão. Estudam-se oito direções de desequilíbrio: para a frente, para trás, para cada lado e para as quatro diagonais.
Tsukuri 作り つくり Princípios técnicos gerais A preparação. 作る é “fazer, construir”. É a fase em que tori quebra o equilíbrio do adversário e, ao mesmo tempo, coloca o próprio corpo na posição de onde a técnica sai fácil. Boa parte do que parece força, em quem projeta bem, é tsukuri feito direito.
Kake 掛け かけ Princípios técnicos gerais A execução. 掛ける é “aplicar, engatar”. É a terceira fase: com o equilíbrio já quebrado e o corpo já posicionado, a técnica vai até o fim. Chegar ao kake sem ter feito o kuzushi é o erro mais comum de quem está aprendendo.
Kime 極め きめ Princípios técnicos gerais A conclusão. 極める é “levar ao ponto máximo”. É a técnica terminada sem sobra: nada de soltar antes do fim nem de deixar a ação pela metade.
Tai-sabaki 体捌き たいさばき Princípios técnicos gerais O manejo do próprio corpo. 体 é “corpo” e 捌く é “manejar, dar conta de”. É girar, esquivar e reposicionar tronco e quadris para criar o ângulo da técnica. Quem entende tai-sabaki deixa de puxar o adversário para a técnica e passa a levar a técnica até ele.
Ma’ai 間合い まあい Princípios técnicos gerais A distância entre os dois. 間 é “intervalo” e 合い é “relação”. É a distância certa para atacar ou defender, e ela muda conforme o tamanho, a técnica e o momento de cada um, sem medida fixa em centímetros.
Riai 理合い りあい Princípios técnicos gerais A razão de ser da técnica. 理 é “princípio, lógica”. É a resposta à pergunta “por que isto funciona?”. Duas técnicas parecidas podem ter riai diferente, e é o riai que se estuda no kata.
Ukemi 受身 うけみ Princípios técnicos gerais A arte de cair sem se machucar, “o corpo (身) que recebe (受)”. É a primeira coisa que se aprende no Judô e a que se continua treinando a vida inteira: quem sabe cair perde o medo de ser projetado e, por isso, aprende mais rápido. As regras da IJF exigem que o tatame de competição absorva o impacto do ukemi, e a FPJUDÔ mantém os ukemi no exame prático de todas as graduações de dan.
Mae-ukemi 前受身 まえうけみ Princípios técnicos gerais A queda para a frente (前, “frente”), sem rolar. Recebe-se o chão com os antebraços e as palmas, cabeça virada de lado, corpo firme como uma tábua.
Ushiro-ukemi 後ろ受身 うしろうけみ Princípios técnicos gerais A queda para trás (後ろ, “atrás”). Queixo colado no peito para a cabeça não bater, os dois braços batendo no tatame ao mesmo tempo para espalhar o impacto. É o primeiro ukemi cobrado pela CBJ, no exame de 11º kyû, feito a partir da posição deitada.
Yoko-ukemi 横受身 よこうけみ Princípios técnicos gerais A queda de lado (横, “lado”). Bate-se com o braço do lado que cai, a perna de baixo estendida e a de cima flexionada. A CBJ o pede deitado no 11º kyû e, no 10º, agachado e em pé.
Mae-mawari-ukemi 前回り受身 まえまわりうけみ Princípios técnicos gerais A queda para a frente com rolamento (回り, “girar”). O corpo desenha um círculo do ombro ao quadril oposto e a pessoa se levanta seguindo o movimento. A CBJ o cobra no 10º kyû, e o chama também de “Zempôkaiten ukemi”.
Kappo 活法 かっぽう Princípios técnicos gerais Os métodos tradicionais de reanimação. 活 é “vida” e 法 é “método”, o “método de trazer de volta”. Por décadas foram ensinados a professores e árbitros. Hoje são proibidos em vários países e não são permitidos aos árbitros nas competições internacionais, ainda que as próprias regras da IJF digam que esse conhecimento é patrimônio do Judô e não deve ser esquecido. As técnicas em si chamam-se katsu (活, かつ). Este glossário registra o conceito; nada aqui autoriza a aplicação, que exige formação específica.
Kyu-sho 急所 きゅうしょ Princípios técnicos gerais Os pontos vitais do corpo. 急 é “urgente” e 所 é “lugar”. É a noção que organiza o atemi-waza, que não entra no randori nem na competição e só é estudado nos kata.
Bushi-do 武士道 ぶしどう Princípios técnicos gerais “O caminho (道) do guerreiro (武士)”: o código de conduta da classe samurai, feito de coragem, lealdade, autodomínio e palavra cumprida. O Judô nasceu dentro dessa herança cultural e guardou dela a exigência de conduta, não a violência.
Shisei 姿勢 しせい Postura, deslocamento e pegada A postura. Uma postura errada entrega o equilíbrio antes mesmo de o adversário atacar. Estudam-se seis formas, três naturais e três defensivas, cobradas no exame de 7º kyû.
Shizen-tai 自然体 しぜんたい Postura, deslocamento e pegada A postura natural, “corpo (体) natural (自然)”. De pé, relaxado, joelhos soltos, peso dividido: é a postura de quem pode atacar e defender a qualquer instante, e por isso é a postura básica do Judô. Desdobra-se em shizen-hon-tai (自然本体, しぜんほんたい), frontal; migi-shizen-tai (右自然体, みぎしぜんたい), pé direito à frente; e hidari-shizen-tai (左自然体, ひだりしぜんたい), pé esquerdo à frente.
Jigo-tai 自護体 じごたい Postura, deslocamento e pegada A postura defensiva, “corpo (体) que se protege (自護)”. Mais baixa que a natural, joelhos flexionados, pernas abertas. Protege, mas custa mobilidade: em competição, exagerar nela depois de feita a pegada, sem procurar o ataque, é punido com shido. Desdobra-se em jigo-hon-tai (自護本体, じごほんたい), migi-jigo-tai (右自護体, みぎじごたい) e hidari-jigo-tai (左自護体, ひだりじごたい).
Ayumi-ashi 歩み足 あゆみあし Postura, deslocamento e pegada Andar normal sobre o tatame, um pé passando o outro. Cobre distância depressa, mas há um instante em que as pernas se cruzam: é ali que o adversário procura o golpe de pé.
Tsugi-ashi 継ぎ足 つぎあし Postura, deslocamento e pegada Deslocamento em que um pé avança e o outro o acompanha sem ultrapassá-lo. 継ぐ é “emendar”. A base nunca se cruza e a postura fica sempre pronta. A CBJ o descreve como “passadas sucessivas”.
Suri-ashi すり足 すりあし Postura, deslocamento e pegada Deslizar os pés sem levantá-los do tatame. 擦る (suru) é “roçar, esfregar”. Quem anda pisando forte oferece, a cada passo, um pé no ar para ser varrido.
Kumi-kata 組み方 くみかた Postura, deslocamento e pegada A maneira de pegar. 組む é “entrelaçar” e 方 é “modo”. Na pegada clássica, uma mão toma a manga, a gola, o peito, o ombro ou as costas de um lado, e a outra faz o mesmo do lado oposto, sempre acima da faixa. Pegadas diferentes (gola e lapela do mesmo lado, cruzada, na faixa) são permitidas enquanto o atleta procura o ataque. Evitar a pegada de propósito é punido com shido.
Kumi-te 組み手 くみて Postura, deslocamento e pegada A pegada em si, as mãos (手) presas ao judogi do adversário. Estabelecida a pegada, o regulamento dá 45 segundos para que venha o ataque, desde que haja progressão real.
Tsuri-te 釣り手 つりて Postura, deslocamento e pegada A “mão que pesca”. 釣り é “pescar”. É a mão da gola, a que ergue o adversário como quem levanta a vara. Junto com a hiki-te, forma o par que produz o desequilíbrio.
Hiki-te 引き手 ひきて Postura, deslocamento e pegada A mão que puxa. Em geral é a que segura a manga. É ela que conduz o adversário para dentro da técnica, e soltá-la cedo demais é a razão de muita projeção que morre pela metade.
Jiku-ashi 軸足 じくあし Postura, deslocamento e pegada A perna-eixo. É a perna que sustenta o peso e sobre a qual o corpo gira durante a entrada da técnica.
Kogeki 攻撃 こうげき Postura, deslocamento e pegada Ataque, iniciativa ofensiva. No Judô de competição, atacar não é opcional: a falta de combatividade é punida.
Bogyo 防御 ぼうぎょ Postura, deslocamento e pegada Defesa. 防 e 御 querem dizer, os dois, “conter, proteger”. O regulamento registra fusegi (防ぎ, ふせぎ) com o mesmo sentido, e é essa a forma que a CBJ usa ao pedir defesas com as pernas no solo (6º kyû) e defesas de técnicas em pé (5º kyû).
Tokui-waza 得意技 とくいわざ Postura, deslocamento e pegada A técnica preferida. 得意 é “aquilo em que se é bom”. É o golpe que o judoca domina melhor e em torno do qual organiza seu jogo. Cada um acaba encontrando o seu.
Waza 技 わざ Classificação técnica Técnica, habilidade. É a palavra que aparece no fim do nome de todas as famílias de golpes. Para o Kodokan, toda waza se apoia no mesmo princípio, o uso mais eficiente da energia do corpo e da mente, e são o tsukuri e o kake que traduzem esse princípio em movimento.
Nage-waza 投技 なげわざ Classificação técnica As técnicas de projeção. São 68 na classificação do Kodokan, repartidas em cinco famílias conforme o que faz o trabalho principal: te-waza (braços), koshi-waza (quadril), ashi-waza (pernas e pés), ma-sutemi-waza e yoko-sutemi-waza (sacrifício).
Katame-waza 固技 かためわざ Classificação técnica As técnicas de controle no solo. 固める é “firmar, fixar”. São 32 na classificação do Kodokan, em três famílias: osaekomi-waza (imobilizações), shime-waza (estrangulamentos) e kansetsu-waza (chaves articulares).
Atemi-waza 当身技 あてみわざ Classificação técnica Os golpes dirigidos aos pontos vitais. 当てる é “acertar” e 身 é “corpo”. Fazem parte do Judô como conhecimento, mas não entram no randori nem na competição: são estudados apenas nos kata.
Te-waza 手技 てわざ Classificação técnica As projeções em que o trabalho principal é dos braços e das mãos (手). São 16 na classificação do Kodokan.
Koshi-waza 腰技 こしわざ Classificação técnica As projeções de quadril (腰), em que tori carrega o adversário sobre a própria cintura. São 10 na classificação do Kodokan.
Ashi-waza 足技 あしわざ Classificação técnica As projeções de perna e pé (足): varreduras, ganchos e roçados. São 21 na classificação do Kodokan, a maior família do nage-waza.
Sutemi-waza 捨身技 すてみわざ Classificação técnica As técnicas de sacrifício. 捨てる é “abandonar” e 身 é “o próprio corpo”: tori abre mão da própria posição em pé e se joga para levar o adversário junto. Dividem-se em ma-sutemi-waza (真捨身技, ますてみわざ), 5 técnicas, em que tori cai de costas na linha do próprio corpo, e yoko-sutemi-waza (横捨身技, よこすてみわざ), 16 técnicas, em que tori cai de lado.
Osaekomi-waza 抑込技 おさえこみわざ Classificação técnica As imobilizações. São 10 na classificação do Kodokan. Para valer, quem imobiliza precisa estar sobre o adversário, cobrindo-o e aplicando pressão do próprio tronco, numa das posições kesa, shiho ou ura.
Shime-waza 絞技 しめわざ Classificação técnica Os estrangulamentos. 絞める é “apertar, comprimir”. São 12 na classificação do Kodokan e levam a ippon por desistência ou por perda de consciência. A prática exige professor presente, pressão progressiva e soltura imediata ao primeiro sinal de desistência.
Kansetsu-waza 関節技 かんせつわざ Classificação técnica As chaves articulares. 関節 é “articulação”. São 10 na classificação do Kodokan. Em competição, as regras da IJF permitem apenas as chaves no cotovelo. Fora do cotovelo, a chave se aplica no sentido da articulação e nunca em hiperextensão; no cotovelo, é preciso deixar ao adversário a chance de desistir a tempo.
Renraku-waza 連絡技 れんらくわざ Classificação técnica Combinação de técnicas diferentes, uma puxando a outra. 連絡 é “ligação”. O primeiro ataque não precisa acertar: ele existe para provocar a reação que abre a porta para o segundo.
Renzoku-waza 連続技 れんぞくわざ Classificação técnica A mesma técnica repetida em sequência contínua. No renraku-waza as técnicas mudam; aqui a técnica é uma só, insistida.
Henka-waza 変化技 へんかわざ Classificação técnica A técnica que muda de identidade no meio do caminho. 変化 é “mudança”. O ataque já começou e o adversário o bloqueia ou reage; em vez de recomeçar, tori aproveita o mesmo movimento e o converte em outra técnica. No renraku-waza há dois ataques encadeados; aqui há um só, que se transforma.
Renraku-henka-waza Classificação técnica Nome usado no Brasil para o conjunto dos encadeamentos: tori ataca, uke reage, e tori aproveita essa reação para continuar ou trocar de técnica. A CBJ pede sequências assim a partir do 8º kyû, em número crescente a cada faixa: uma no 8º kyû, oito no 1º. A FPJUDÔ as exige no exame prático de todas as graduações do 1º ao 5º Dan. O vocabulário oficial registra separadamente renraku-waza e henka-waza, mas não a forma composta.
Kaeshi-waza 返し技 かえしわざ Classificação técnica Os contragolpes. 返す é “devolver”. O adversário ataca, tori anula a conclusão e usa a força, a posição ou o desequilíbrio que ele mesmo criou para projetá-lo. Em competição, quem contra-ataca não pode se valer do impacto da própria queda para concluir a ação, e se os dois caem juntos sem controle claro, ninguém pontua. A CBJ cobra contragolpes a partir do 7º kyû e a FPJUDÔ os exige nos exames do 1º ao 5º Dan.
Go-kyo-no-waza Classificação técnica “As técnicas dos cinco ensinamentos”: o agrupamento didático que organiza as projeções em cinco grupos de dificuldade crescente, do primeiro kyô ao quinto. O Kodokan mantém duas versões: a antiga, de 1895, com 42 técnicas, e a revisada em 1920, com 40. A CBJ segue essa escada nos exames: técnicas do 1º kyô até a faixa amarela/laranja, do 2º kyô na laranja, do 3º na verde, do 4º na roxa e do 5º na marrom.

Referências bibliográficas

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  2. INTERNATIONAL JUDO FEDERATION. Sport and Organisation Rules of the International Judo Federation. Versão de 21 jan. 2026. Consultada apenas para verificar se houve alteração no glossário e nos artigos de pontuação entre janeiro e agosto de 2026; o glossário G1.1 é idêntico nas duas versões. Disponível em https://www.ijf.org/ijf/documents/1 (acesso em 18 ago. 2026).
  3. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Kodokan Definitions of Judo Techniques. Versão de 1 out. 2022. Documento que apresenta, com kanji e definição, os grupos 投技 Nage-waza, 手技 Te-waza, 腰技 Koshi-waza, 足技 Ashi-waza, 真捨身技 Ma-sutemi-waza, 横捨身技 Yoko-sutemi-waza, 固技 Katame-waza, 抑込技 Osaekomi-waza, 絞技 Shime-waza e 関節技 Kansetsu-waza. Disponível em https://kdkjudo.org/wp-content/uploads/2024/07/Kodokan-Definitions-of-Judo-Techniques-01.10.2022.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
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  13. KODOKAN JUDO INSTITUTE. Kodokan KATA Textbook. Textos oficiais de Nage-no-kata, Katame-no-kata, Kime-no-kata, Ju-no-kata, Kodokan Goshin-jutsu, Itsutsu-no-kata e Koshiki-no-kata. Disponível em https://kdkjd.org/kodokan-kata-textbook/ (acesso em 18 ago. 2026).
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  15. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE JUDÔ. Regulamento Nacional de Competições 2026 (RNC-CBJ). Seções “Tempo de luta por classe”, “Tempo de osaekomi” e “Arbitragem”. Disponível em https://cbj.com.br/public/uploads/regulamentos_esportivos/20260223101358-rnc_2026final.pdf (acesso em 18 ago. 2026).
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  18. FEDERAÇÃO PAULISTA DE JUDÔ. Regulamento de Exame e Outorga de Faixas e Graus — Graduação do 1º ao 5º Dan, versão 3.1, 2025. Versão consultada no acervo do projeto e usada no catálogo de técnicas; substituída pelo regulamento de 2026 [16] quanto ao exame vigente. Disponível em https://fpj.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Regulamento-Graduacao-1o-a-5o-Dan-2025-v3.1.pdf (acesso em 18 ago. 2026).